Terça-feira, Dezembro 26, 2006

Scanners - Sua Mente Pode Destruir

Scanners – Sua Mente Pode Destruir (Scanners, CAN, 1981 – 103 min.)

“Existem 4 bilhões de pessoas no mundo. 237 são Scanners. Eles possuem os mais aterrorizantes
poderes jamais criados... E estão vencendo.”

“10 segundos: A dor começa; 15 segundos: Você não consegue respirar; 20 segundos: Você Explode.”

Em um seminário, o palestrante pede um voluntário da platéia para participar de uma experiência, pois ele é um scanner (pessoa com poderes psíquicos desenvolvidos através da aplicação de uma droga sintética antes dela nascer) e irá demonstrar como funcionam seus poderes. Todos se entreolham e apenas um homem se levanta. Sentados um ao lado do outro, os dois começam a se olhar e o palestrante treme violentamente, sente espasmos e sua cabeça explode!
A empresa Consec fica alarmada com o ocorrido, pois tudo leva a crer que o programa Scanner, criado pelo Dr. Ruth (Patrick McGoohan) aparentemente saiu de controle e um dos telepatas, Daryl Revok (Michael Ironside) está convidando todos os scanners do país a se juntarem a ele e formar um exército para tomar o poder.
Extremamente apreensivos, eles pedem a Ruth que encontre uma maneira de proteger os interesses da empresa e controle os Scanners. O doutor assim o faz, ao recolher Cameron Vale (Stephen Lack) das ruas e ensinar o rapaz a aprimorar seus poderes para poder enfrentar Revok.
À medida que investiga o paradeiro de Revok, Vale descobre que nem tudo é o que parece ser na Consec e, com a ajuda de Kim (Jennifer O'Neil, de “O Verão de 42”), vai ter que lutar para sobreviver, uma vez que Revok tem um espião na Consec e está quase pegando-o. Mas será que Daryl é tão mau assim?
Filme que chamou definitivamente a atenção para o diretor canadense David Cronenberg, aqui tratando, mais uma vez, dos temas que lhe são caros: a incapacidade do homem de conter seu próprios impulsos e como a ciência pode ser nociva quando desprovida de ética e padrões mínimos de conduta por parte dos cientistas.
Um cineasta com grande predileção pela violência gráfica e efeitos especiais melequentos para mostrar seus pontos de vista, Cronenberg trouxe o veterano Dick Smith para elaborar os efeitos impressionantes dos ataques dos scanners nas outras pessoas. O filme ficou famoso pelas cenas onde as cabeças explodiam (cujo visual foi conseguido ao encher uma cabeça de látex com comida de cachorro e fígados de coelho e dando um tiro de espingarda calibre 12 por trás) e pela falta de pudor do diretor em mostrar sangue e idéias polêmicas sobre dominação e poder, através dos personagens de Ironside e McGoohan.
A produção é muito interessante, tendo sido premiada em diversos festivais pelo mundo e só é prejudicada pela irregularidade de ritmo narrativo (cuja lentidão, embora desenvolva melhor as idéias do roteiro, chega a dar sono) impressa por Cronenberg, principalmente nas cenas onde aparecem o casal protagonista, Stephen Lack e Jennifer O'Neil. Os dois são muito fracos e quase acabam com o filme, salvo pelas sempre atuais advertências do roteiro e o vilão deliciosamente maligno de Ironside, além de, é claro, o duelo final, bem sangrento e recheado de sangue espirrando e olhos explodindo.
Contando ainda com um final enigmático, vale a pena conferir esse trabalho da fase inicial de um dos melhores diretores do cinema fantástico de todos os tempos.
O sucesso foi tão grande que originou mais duas sequências (de 1991 e 1992) ambas ridículas de tão forçadas e mal-feitas; além do spin-off (baseado em personagem apenas) “Scanner Cop”, que já tem dois filmes, também extremamente ridículos. Em suma, quer ver alguma coisa com scanners? Veja este aqui e só, o resto nem perca seu tempo.

Elenco: Stephen Lack (Cameron Vale), Michael Ironside (Daryl Revok), Jennifer O'Neil (Kim Obrist), Patrick McGoohan (Dr. Paul Ruth), Lawrence Dane (Braedon Keller), Robert Silverman (Benjamin Pierce), Mavor Moore (Trevelian), Adam Ludwig (Arno Crostic), Fred Doederlein (Dieter Tautz), Murray Cruchley (Programador #1), Geza Kovacs (Assassino na Loja de Discos), Sony Forbes e Jerome Tiberghien (Assassinos no Sótão), Denis Lacroix e Elizabeth Murdry (Assassinos no Celeiro), Graham Batchelor (Mestre Iogue).

Diretor: David Cronenberg; Roteiro: David Cronenberg; Produção: Claude Heroux; Produção Executiva: Pierre David e Victor Solnicki; Trilha Sonora: Howard Shore; Direção de Fotografia: Mark Irwin; Montagem: Ronald Sanders; Direção de Arte: Carol Spier; Design de Produção: Alfred; Figurinos: Delphine White; Maquiagem: Brigitte McCaughry e Constant Natale; Efeitos de Maquiagem: Dick Smith e Chris Walas; Som: Peter Burgess, Paul Coombe e Mike Hoogenboom; Efeitos Especiais: Dennis Pike e Gary Zeller.

Classificação:
!!

Sexta-Feira 13


Sexta-Feira 13 (Friday the 13th / A Long Night at Camp Blood, EUA, 1980 – 95 min.)

“Eles foram Avisados... Eles foram Condenados... E, na Sexta-Feira 13, nada poderá salvá-los.”

Um grupo de jovens, liderados por Alice (Adrienne King), são contratados por Steve Christy (Peter Brouwer) para reabrir um acampamento de verão, fechado há mais de 20 anos; a razão para o local ter sido fechado foi a ocorrência do assassinato de dois monitores em 1958, logo após o menino Jason Voorhees (Ari Lehman) ter se afogado no lago.
Ignorando esse fato, Steve quer colocar o lugar em ordem, para voltar a funcionar o quanto antes; em uma Sexta-Feira 13, os jovens começam a chegar e são avisados pela população da cidade para ficarem afastados do Lago Cristal, pois existe uma maldição sobre o local. O mais veemente de todos é Crazy Ralph (Walt Gorney).
Os avisos são recebidos com desdém pelos garotos, que alegremente vão começando a trabalhar, brincar e transar. Só que, um a um, eles vão sendo assassinados por um misterioso personagem que não vai permitir a reinauguração, jamais, enquanto os monitores não pagarem por sua negligência...
Uma simplificação da trama criada por John Carpenter em “Halloween”, este filme independente estabeleceu as bases para o slasher movie descartável (adolescentes em ebulição hormonal, florestas e um assassinato a cada cinco minutos) e arrebentou nas bilheterias (arrecadou mais de 50 vezes seu orçamento, sem contar as locações e vendas de VHS e DVD), gerando nada mais nada menos do que nove sequências e incontáveis imitações e cópias.
Por causa da massificação dos seus elementos, é uma produção muito subestimada e até mesmo ignorada como referência do gênero. Mas, na verdade, faz parte do seleto grupo de clássicos do terror, onde conta com uma história interessante (cheia de nudez discreta e mulheres bonitas desfilando de lingerie), atuações razoáveis e um trabalho incrível do mestre Tom Savini (de “A Noite dos Mortos-Vivos” e “Amanhecer dos Mortos”, para ficar nos mais famosos) nos efeitos especiais e de maquiagem, especialmente se for considerado o avanço tecnológico da época – muita coisa bacana era feita na raça, sem a muleta dos computadores.
Além disso, a direção é segura e cria um bom suspensezinho entre as mortes, ajudada pela excelente trilha sonora de Harry Manfredini; este criou um dos mais executados temas de todos os tempos, o famoso “ki-ki-ki, ma-ma-ma”, que segundo ele são simplificações das palavras “kill them mom”. Não vou falar mais para não estragar a surpresa de quem ainda não viu.
O elenco é OK, com destaque para Betsy Palmer (uma ex-estrela da TV, uma espécie de namoradinha da América que gerou muita polêmica ao fazer este papel; inclusive, sofreu um ataque inédito de um crítico de cinema, o qual publicou seu endereço na coluna e incitou os leitores a escreverem para ela protestando pela “traição”) como a mãezona Voorhees; Adrienne King como Alice (depois deste e da sequência “Sexta-Feira 13 – Parte 2”, nunca mais atuou depois de ter sido perseguida por um fã obsessivo e quase ter sido assassinada de verdade); Harry Crosby, filho do cantor dos anos 30 e 40 Bing Crosby (que chegou a atuar com a princesa Grace Kelly no musical “Alta Sociedade”), como Bill e um iniciante Kevin Bacon, futuro astro, como Jack.
Como dito acima, ficou muito previsível (pelo monte de continuações e imitações) e datado, mas ainda é um dos mais legais filmes de terror de todos os tempos, muito divertido e com ótimas mortes sangrentas (gargantas cortadas, machadadas na cara, cabeças decepadas, flechadas, etc).
Nenhum fã do gênero e mesmo quem apenas gosta de cinema pode passar sem. Assistam!

Elenco: Betsy Palmer (Sra. Pamela Voorhees), Adrienne King (Alice Hardy), Harry Crosby (Bill), Laurie Bartram (Brenda), Jeannine Taylor (Marcie Cunningham), Kevin Bacon (Jack Burrell), Mark Nelson (Ned Rubinstein), Robbi Morgan (Annie), Peter Brouwer (Steve Christy), Rex Everheart (Enos – motorista de caminhão), Ron Carroll (Sargento Tierney), Ron Milkie (Policial Dorf), Walt Gorney (Crazy Ralph), Willie Adams (Barry), Debra S. Hayes (Claudette), Dorothy Kobs (Trudy), Sally Anne Golden (Sandy – garçonete), Ken L. Parker (Médico) e Ari Lehman (Jason Voorhees).

Diretor: Sean S. Cunningham; Roteiro: Victor Miller; Produção: Sean S. Cunningham; Produtor Associado: Steve Miner; Produção Executiva: Alvin Geiler; Trilha Sonora: Harry Manfredini; Direção de Fotografia: Barry Abrams; Montagem: Bill Freda; Seleção de Elenco: Julie Hughes e Barry Moss; Design de Produção e Direção de Arte: Virginia Field; Efeitos de Maquiagem, Especiais e Visuais: Tom Savini; Som: Lee Dichter.

Classificação:
!!!!

Sábado, Dezembro 16, 2006

A Casa do Espanto

A Casa do Espanto (House; House: Ding Dong, You’re Dead, EUA, 1986 – 93 min.)

“Você está convidado para passar a noite com Roger Cobb e seus amigos.
Não venha sozinho! O Horror encontrou uma nova Casa!”


Um escritor de livros de terror, Roger Cobb (William Katt, da série “O Super-Herói Americano”), está em uma sinuca de bico: sem inspiração para escrever e sendo pressionado pelo agente; sua esposa, Sandy (Kay Lenz), uma atriz famosa, pediu o divórcio depois do desaparecimento do filho do casal, Jimmy (Erik e Mark Silver). E, para completar, sua tia Elizabeth (Susan French) – que o criou depois da morte de sua mãe – acaba de cometer suicídio.
Buscando um pouco de paz desse turbilhão, para colocar no papel o livro sobre a guerra do Vietnã que sempre sonhou em escrever, Roger resolve se mudar para a casa onde cresceu; sem acreditar que o local seja mesmo assombrado como dizia sua tia, Roger vai tentar encarar seus próprios fantasmas, com a ajuda relutante de Harold (George Wendt), seu novo e atrapalhado vizinho.
No entanto, os fatos desmentem as crenças iniciais de Roger; inclusive, um amigo do passado tem contas a acertar com ele...
Um bom filme de terrir (terror para rir), com excelentes efeitos de maquiagem para a época e situações interessantes para o espectador. A proposta inicial era de fazer um filme sério, com um terror mais pesado; porém, o roteirista Ethan Wiley resolveu levar tudo para uma outra direção em conjunto com o diretor Miner (que começou a carreira comandando as duas primeiras seqüências do sucesso “Sexta Feira 13”), tendo resultados bastante apreciáveis. Miner usa um estilo mais frenético de filmagem, com alguns enquadramentos inusitados e bom ritmo, parecido com um desenho animado do Scooby Doo e construindo de forma eficiente o suspense para os sustos.
O protagonista William Katt tem ótimo timing cômico e ajuda muito a comprar os absurdos bolados pelo roteirista. Bons exemplos dessa capacidade são as seguintes cenas: quando Roger conhece a vizinha gostosona Tanya, vivida pela ex-Miss Universo Mary Stavin; a visita dos policiais; quando Tanya convence Roger a ficar de babá do seu filhinho e a conversa com o corretor. É de chorar de rir.
Destaque ainda para George Wendt, perfeito como o vizinho bonachão e Richard Moll como Big Ben, na medida como o companheiro de exército meio pirado; ambos os atores fizeram sucesso na TV em séries de comédia (“Cheers” e “Night Court”, respectivamente, inéditas na nossa TV aberta, mas que fizeram sucesso no cabo) e esse background transparece na naturalidade das suas atuações, mesmo com alguns dos diálogos mais estúpidos pertencendo a eles. E Mary Stavin é um colírio...
Nos outros aspectos técnicos, o cenário é interessante e adequado ao gênero da casa mal-assombrada (com boa direção de arte e cenografia eficiente), tornando a mansão praticamente um personagem; com essa ambientação, as palhaçadas ficam ainda melhores, por causa da surpresa que causa uma cena engraçada num local tão lúgubre e os sustos potencializados, justamente pelo espectador estar esperando que alguma coisa aconteça (parece um paradoxo, mas é verdade).
Há alguns momentos fortes, como a primeira aparição da criatura no armário, a expedição do espelho do banheiro e a perseguição final, acentuados pela música eficiente de Harry Manfredini (autor do famoso tema do assassino imortal Jason Voorhees, do já citado filme “Sexta Feira 13”); mas prevalece o clima de gozação geral (é só ver o outro título de trabalho: “Ding Dong, Você Está Morto”. Fala sério...) e o estilo cartunesco da narrativa, com muita correria, tombos inacreditáveis e quase nenhum sangue na tela.
Dica: prestem atenção nos quadros pintados pela tia; eles dão pistas do que está ocorrendo na casa.
Muito divertido, gerou duas seqüências, sendo que a primeira delas seguiu o mesmo estilo – aguardem comentário aqui no blog – e a outra (mesmo sendo o terceiro capítulo, acabou se chamando “House IV”. Isso aconteceu porque os produtores tentaram pegar carona no sucesso da série e lançaram um outro filme, com outros personagens e trama, no mercado internacional com o título de “House III”) procurou um caminho mais sério, puxado para o drama. Nem é preciso dizer que a última fracassou miseravelmente.
Uma última coisa: o título em português é de lascar; obviamente, quis tentar chupar o público de "A Hora do Espanto", lançado aqui na mesma época.

Elenco: William Katt (Roger Cobb), George Wendt (Harold Gorton), Richard Moll (Big Ben), Kay Lenz (Sandy Sinclair), Mary Stavin (Tanya), Michael Ensign (Chet Parker), Erik e Mark Silver (Jimmy), Susan French (Tia Elizabeth), Alan Autry (Policial #3), Steven Williams (Policial #4), James Calvert (Menino da Mercearia), Steve Susskind (Frank McGraw), Dwier Brown (Tenente), Joey Green (Fitzsimmons), Stephen Nichols (Scott), Donald Willis (Soldado), Curt Wilmot (Big Ben Esqueleto), Peter Pitofsky (Bruxa), Elizabeth Barrington (Criatura), Jerry Maren (Criatura) e Felix Silla (Criatura).

Diretor: Steve Miner; Roteiro: Fred Dekker (história) e Ethan Wiley (roteiro); Produção: Sean S. Cunningham e Richard F. Brophy; Produção Executiva: Roger Corman; Trilha Sonora: Harry Manfredini; Direção de Fotografia: Mac Ahlberg; Montagem: Michael N. Knue; Design de Produção:Gregg Fonseca; Direção de Arte: John Reinhart; Cenografia: Anne Huntley; Figurinos: Bernadette O’Brien; Maquiagem: Robert Boyd e Ronnie Specter; Efeitos de Maquiagem: Barney Burman e Brian Wade; Efeitos Especiais: Tassilo Baur e Joe Viskocil; Design das Criaturas: James Cummins e Kirk R. Thatcher; Efeitos Visuais: Hoyt Yeatman.

Classificação:!!!

Segunda-feira, Dezembro 11, 2006

Poltergeist - O Fenômeno

Poltergeist – O Fenômeno (Poltergeist, EUA, 1982 – 114 min.)

“Eles estão aqui.”

A família Freeling acaba de se mudar para uma casa nova, parte do empreendimento onde Steve (Craig T. Nelson) trabalha e é o melhor vendedor. Junto com Diane (JoBeth Williams), Dana (Dominique Dunne), Robbie (Oliver Robbins) e a caçula Carol Anne (Heather O’Rourke), Steve não poderia estar mais feliz. Inclusive, está ampliando a casa e construindo uma piscina no quintal. Tudo nos leva a crer que estamos diante de uma típica família americana, com seus afazeres e prazeres comuns, de todo mundo. Só que há um pequeno detalhe, que o chefe de Steve, o Sr. Teague (James Karen) deixou passar quando deu a casa aos Freeling: a construção foi erguida em cima de um antigo cemitério e os corpos ficaram lá; somente as lápides foram removidas para um novo local.
Um dia, Carol Anne começa a conversar com a TV fora do ar; estranhos fenômenos acontecem na casa, como cadeiras que se movem sozinhas, árvores com vontade própria e barulhos esquisitos; tudo vai para o vinagre de vez quando a garotinha desaparece. Aparentemente, ela está dentro da TV, pedindo socorro.
Angustiados, os pais recorrem à equipe da Dra. Lesh (Beatrice Straight), especializada em fenômenos parapsicológicos, que fica na casa e tenta entender o que está realmente acontecendo. Quando fica clara a ocorrência de manifestações sobrenaturais legítimas, a única esperança daquela família é a ajuda da clarividente Tangina Barrons (Zelda Rubinstein, de “Os Olhos da Cidade São Meus”).
Sucesso de bilheteria, o filme é um dos poucos clássicos do gênero que foram realizados dentro do mainstream hollywoodiano. Tanto para o bem quanto para o mal.
A parte boa, obviamente, é a produção muito bem-cuidada e polida, com efeitos fantásticos e parte técnica impecável (a fotografia, por exemplo, é um primor, com a subexposição de luz e cores dando a tudo um ar lúgubre e macabro). Já a parte ruim é a necessidade de concessões ao considerado politicamente correto o tempo todo e ter que se curvar às exigências mercadológicas do estúdio, que não pode ter um produto proibido para menores nas mãos.
Uma pena. Somente podemos imaginar o que o diretor Tobe Hooper faria com um material desses nas mãos, sem ter que se preocupar com a constante intervenção de Spielberg (dizem as más línguas que Hooper foi um mero operário, sendo todas as decisões criativas sido tomadas por Spielberg, que inclusive chegou ao cúmulo de praticamente montar o filme sozinho). Embora extremamente talentoso, ele é claramente careta demais para o gênero e Hooper é o responsável pelo nada mais, nada menos, slasher movie definitivo, “O Massacre da Serra Elétrica”, de 1974, que mantém sua força até hoje como um dos filmes mais perturbadores e doentios já realizados, além de ter dado ao mundo Leatherface (yeah!).
Assim, apesar de algumas cenas mais fortes (o rosto no espelho, o bife que anda, o palhaço, a piscina, a batalha final) e o fato de Freeling-pai e Freeling-mãe curtirem puxar um fuminho (os dois dividem um charutão da erva maldita enquanto os petizes passeiam para lá e para cá. E, o que é mais incrível, a cena não foi limada na ilha de edição!), o clima de a-família-e-o-amor-vencem-tudo prevalece e tira boa parte do potencial aterrorizante da história, que diga-se de passagem é muito boa e tinha terreno para colar o espectador na cadeira e causar pesadelos por muito tempo. Do jeito que ficou, é divertido e dá um medinho bacana, mas aquele gostinho de podia-ter-sido-mais-fodão permanece...
Deixando essas considerações de lado temos um elenco dedicado, com boa química na tela e que realmente traz o espectador para torcer por eles, com destaque para: Zelda Rubinstein como a vidente Tangina, sua figura diminuta e voz inconfundível ajudaram-na a se tornar um mito do gênero terror com seu personagem cheio de personalidade e a menininha Heather O’Rourke como Carol Anne deixou muita gente sem dormir com sua carinha de anjo e frases misteriosas (aquele sorrisinho depois de contar para os pais sobre os amiguinhos da TV é de arrepiar).
Foi indicado para três Oscars em 1983 (Melhor Som, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Trilha Sonora) e rendeu ainda duas sequências: “Poltergeist II: O Outro Lado”, de 1986 e “Poltergeist III: O Capítulo Final”, de 1988, progressivamente piores e sem imaginação.
Agora, vamos falar um pouquinho de fofocas. Como nenhuma boa ação segue sem punição, existem rumores de que existe uma “Maldição Poltergeist”. A atriz Dominique Dunne, que faz o papel de Dana, foi assassinada (estrangulada) pelo namorado pouco depois do lançamento nos cinemas; Heather O’Rourke, a Carol Anne, morreu de uma doença misteriosa um pouco antes de a terceira parte ser lançada, com 15 anos de idade (o final do filme teve que ser feito com uma dublê de corpo); o vilão do segundo filme, Julian Beck, que fez o Reverendo Kane, descobriu que estava com câncer e foi devastado em menos de dois meses (algumas cenas tiveram que ser filmadas com um dublê); uma cena com um acidente de carro no terceiro filme se descontrolou e uma explosão quase matou os técnicos que trabalhavam ali; Will Sampson, o Taylor do segundo filme, morreu alguns meses depois do lançamento de complicações após uma cirurgia cardíaca; Dominique Dunne e Heather O’Rourke estão enterradas no mesmo cemitério de Los Angeles (brrrr!) e muitas carreiras dos envolvidos sofreram depois, como a de Craig T. Nelson (que ficou anos no ostracismo na TV) e a de Tobe Hooper, que ainda mostrando alguns espasmos de talento (com “Força Sinistra”, de 1985 e “O Massacre da Serra Elétrica 2”, de 1986) nunca mais foi o mesmo e seus filmes são uma porcaria há mais de 20 anos. Verdade? Mentira? Só digo uma coisa: “Jo no creo en brujas; pero que las hay, las hay”.

Elenco: Craig T. Nelson (Steve Freeling), JoBeth Williams (Diane Freeling), Beatrice Straight (Dra. Lesh), Dominique Dunne (Dana Freeling), Oliver Robbins (Robbie Freeling), Heather O’Rourke (Carol Anne Freeling), Martin Casella (Dr. Marty Casey), Richard Lawson (Ryan), Zelda Rubinstein (Tangina Barrons), James Karen (Sr. Teague), Michael McManus (Ben Tuthill), Virginia Kiser (Sra. Tuthill), Lou Perryman (Pugsley), Clair E. Leucart (Motorista da escavadeira), Dirk Blocker (Jeff Shaw), Allan Graf (Sam, o vizinho), Joseph Walsh (Joey, o vizinho), Helen Baron (Compradora), Noel Conlon (Marido da compradora), Robert Broyles (Trabalhador da piscina #1), Sonny Landham (Trabalhador da piscina #2).

Diretor: Tobe Hooper; Roteiro: Steven Spielberg (história) e Steven Spielberg, Michael Grais e Mark Victor (roteiro); Produção: Steven Spielberg e Frank Marshall; Produtora Associada: Kathleen Kennedy; Trilha Sonora: Jerry Goldsmith; Direção de Fotografia: Matthew F. Leonetti; Montagem: Michael Kahn; Seleção de Elenco: Jane Feinberg, Mike Fenton e Marci Liroff; Design de Produção: James H. Spencer; Cenografia: Cheryal Kearney; Maquiagem: Dorothy J. Pearl e Toni-Ann Walker; Efeitos de Maquiagem: Craig Reardon; Som: Richard L. Anderson, Stephen Hunter Flick, Steve Maslow, Kevin O’Connell e Bill Varney; Efeitos Sonoros: Alan Howarth, John Dunn e Mark A. Mangini; Efeitos Especiais: Michael Wood, Thaine Morris e Robert Cole; Efeitos Visuais: Richard Edlund e Mitch Suskin.

Classificação: !!!!

Domingo, Dezembro 10, 2006

A Volta do Padrasto

A Volta do Padrasto (Stepfather II; Stepfather 2: Make Room For Daddy, EUA, 1989 - 90 min.)

“Esta noite, o Papai está vindo para fatiar muito mais do que só o bolo!”

Depois dos eventos do primeiro filme, vemos O Padrasto (Terry O’Quinn) em um asilo para doentes mentais, recuperado (milagre!) fisicamente e começando o tratamento com um novo psiquiatra, Dr. Joseph Danvers (Henry Brown). Ele engana o médico, o apunhala, mata também um guarda de segurança e foge calmamente, andando pela porta da frente.
Ele, ciente de que todos estarão à sua procura, vai até o outro lado do país, assumindo a identidade de um psiquiatra, Dr. Gene Clifford, especializado em terapia de casais; lá, ele conhece a doce Carol (Meg Foster) e o filho dela, Todd (Jonathan Brandis, de “It – Uma Obra-Prima do Medo”, já comentado aqui no blog), ambos sofrendo com o abandono do pai e marido Phil (Mitchell Laurance), que fugiu com a secretária.
Vendo ali a oportunidade ideal para construir a família perfeita que sempre sonhou, Gene não vai deixar ninguém se metendo no caminho em direção ao seu objetivo...
Continuação desnecessária do filme de 1987 (o clímax já resolvia satisfatoriamente a situação), que, como o personagem bem gosta, segue uma tradição: é uma rematada porcaria.
Só que é uma porcaria bem-feitinha até e com tudo que um fã do gênero gosta: sangue de monte e cenas bem grotescas de assassinatos (o problema é o que fica entre as mortes e quando o ator principal não está em cena). Dirigida com certa segurança pelo especialista em continuações Jeff Burr (fez nada menos do que cinco filmes que eram continuações de outros), a produção, mais uma vez, é salva pela atuação espetacular de Terry O’Quinn. Quase sempre relegado a papeis coadjuvantes, o que é uma pena, o ator refinou o personagem, deixando-o ainda mais soturno e perigoso, uma espécie de Tom Ripley psicopata, ligando e desligando o charme como uma lanterna.
Só lamento que o resto do elenco seja tão ruim e o roteiro não fugir, nem um pouco que seja, da estrutura do original, prejudicando bastante o resultado final; pela carnificina do clímax (apesar da solução escrota para a descoberta da identidade de Gene) e o personagem tão fascinante, ganha duas estrelinhas. Embora já se possa ter uma idéia do espírito da seqüência pelo subtítulo “Make Room For Daddy – Dá um espaço para o papai”. Francamente...
Teve ainda mais uma continuação, com outro ator no lugar de O’Quinn, totalmente besta e tosca chamada “O Padrasto 3 – Ele Está de Volta”. Nem perca tempo de ver.

Elenco: Terry O’Quinn (Dr. Gene Clifford / O Padrasto), Meg Foster (Carol Grayland), Caroline Williams (Matty Crimmins), Jonathan Brandis (Todd Grayland), Henry Brown (Dr. Joseph Danvers), Mitchell Laurance (Phil Grayland), Miriam Byrd-Nethery (Sally Jenkins), Leon Martell (Smitty), Renata Scott (Betty Willis), John O’Leary (Sam Watkins), Glen Adams (Vendedor), Eric Brown (Atendente do Hotel).

Diretor: Jeff Burr; Roteiro: John Auerbach, baseado no personagem criado por Carolyn Lefcourt, Brian Garfield e Donald E. Westlake; Produção: William Burr e Darin Scott; Produção Executiva: Carol Lampman; Trilha Sonora: Jim Manzie e Pat Regan; Diretor de Fotografia: Jacek Laskus; Montagem: Pasquale A. Buba; Seleção de Elenco: Rosemary Welden; Design de Produção: Byrnadette Disanto; Direção de Arte: Aram Allan; Cenografia:Johnna Butler; Figurinos: Julie Carnahan; Maquiagem: Susan Mills; Som: Bruce Stubblefield, Jay Harding, John Stephens e Bill Benten; Efeitos de Maquiagem: Michele Burke.

Classificação:
!!

Sábado, Dezembro 09, 2006

O Padrasto

O Padrasto (The Stepfather, EUA, 1987 – 91 min.)

“Ele queria uma família perfeita, numa cidade perfeita. Mas elas não conseguiam atingir o padrão... Como as outras também não puderam.”

Jerry Blake (Terry O’Quinn) não quer muito da vida. Em um relacionamento firme com Susan (Shelley Hack), seu único desejo é casar e formar uma família, tradicional e ordeira, com uma casa bonita, bons amigos e um cachorro. Para isso, ele está tendo um pouco de trabalho para convencer Stephanie (Jill Schoelen), filha de Susan, de suas boas intenções. Eventualmente, os dois se entendem e o casamento acontece.
As desconfianças de Stef ressurgem quando ela flagra seu padrasto em uma fúria descontrolada no porão, durante a festa de inauguração da casa e comemoração do casamento. Ela então começa a fuçar e suspeita que foi Jerry o responsável pelo assassinato de uma família inteira um ano antes de ele conhecer sua mãe, em uma cidade da região.
Jerry descobre que a enteada está investigando seu passado e dá um jeito de encobrir os rastros; o que ele não sabe é que Jim (Stephen Shellen), seu ex-cunhado e que o conhece por Henry Morrison, nunca se conformou com a morte da irmã e está chegando perto, tendo inclusive estabelecido o padrão de Jerry. Este funciona assim: o pirado chega numa cidade, casa-se com uma viúva ou divorciada com filhos e persegue seu ideal familiar; quando a família o desaponta, ele mata todo mundo e parte para outra tentativa. Assim, está na hora de procurar outro local e outra família para transformar na imagem da perfeição, pois Stef, ao investigá-lo e colocar o psiquiatra dela, Dr. Bondurant (Charles Lanyer) para testar suas reações (o bom doutor não apreciou o resultado) e Susan, ao defender a filha de suas ordens, o decepcionaram, e muito.
Tendo estabelecido uma nova identidade e um novo emprego em outra cidade, além de uma moçoila em perspectiva, é chegado o momento de Jerry “despachar” Susan e Stephanie; mas, Jim está na cidade e já sabe onde procurar...
Thriller convencional sobre serial killers, com o diferencial de mostrar a perseguição da família tradicional e ordeira como motivo de desequilíbrio mental, algo nunca utilizado (que eu saiba) como mote para esse tipo de produção, o que é sempre legal de ver; além disso, o diretor optou por mostrar a violência de forma bastante gráfica (a seqüência de abertura é de arrepiar), com hematomas pastosos e melequentos e sangue espirrando o tempo todo, além do uso de telefones e tábuas, instrumentos pouco usuais, para as agressões, sem deixar de lado a velha e boa faca de cozinha. Só que eu tenho que falar uma coisa: a trilha sonora é risível, parecendo ter sido feita para um mafuá (um daqueles parquinhos de diversão bem mambembes que pululam pelo litoral nas férias) ou um circo vagabundo, com aquele órgãozinho chinfrim e climinhas ridículos.
Porém, o que realmente tira o filme da mediocridade é a atuação intensa e vigorosa de Terry O’Quinn (o John Locke da série de TV “Lost”) como o protagonista; as cenas no porão, onde ele extravasa sua raiva e loucura, são memoráveis, bem como os olhos dele durante as cenas onde convive com a sociedade – embora Jerry tenha a admiração e respeito da comunidade e seja um bem-sucedido corretor de imóveis, seus olhos nunca sorriem e estão sempre frios e calculistas. O restante do elenco fica na vala comum, inclusive Shelley Hack (da série de TV “As Panteras”) como Susan e Jill Schoelen (futura diretora do bom slasher movie – tipo de filme de terror onde o vilão é sempre um psicopata indestrutível com predileção por facas e machados para matar suas vitimas adolescentes – “Pop Corn”), como Stephanie e com direito a uma discreta cena de nudez no banho, antes do ataque de Jerry.
Fez um sucesso relativo em festivais pelo mundo e nas bilheterias americanas, o que rendeu uma seqüência, também estrelada por O’Quinn, chamada “A Volta do Padrasto” (aguardem comentário aqui no blog).

Elenco: Terry O’Quinn (Jerry Blake / O Padrasto), Jill Schoelen (Stephanie Maine), Shelley Hack (Susan Maine), Charles Lanyer (Dr. Bondurant), Stephen Shellen (Jim Ogilvie), Stephen E. Miller (Al Brennan), Robyn Stevan (Karen), Jeff Schultz (Paul Baker), Lindsay Bourne (Professor de Arte), Anna Hagan (Sra. Leitner), Gillian Barber (Anne Barnes), Blu Mankuma (Tenente Jack Wall), Jackson Davies (Sr. Chesterton), Sandra Head (Recepcionista), Gabrielle Rose (Dorothy Finnehard), Richard Sargent (Sr. Anderson), Margot Pinvidic (Sra. Anderson), Rochelle Greenwood (Cindy Anderson), Don S. Williams (Sr. Stark), Don McKay (Joe), Dale Wilson (Frank), Gary Hetherington (Herb), Andrew Snider (Sr. Grace), Marie Stillin (Sra. Fairfax), Paul Batten (Sr. Fairfax) e Sheila Patterson (Dra. Barbara Faraday).

Diretor: Joseph Ruben; Roteiro: Carolyn Lefcourt, Brian Garfield e Donald E. Westlake (história) e Donald E. Westlake (roteiro); Produção: Jay Benson; Trilha Sonora: Patrick Moraz; Direção de Fotografia: John Lindley; Montagem: George Bowers; Seleção de Elenco: Jane Feinberg, Mike Fenton e Judy Taylor; Maquiagem: Maurice Parkhurst e Susan Boyd; Design de Produção: James William Newport; Direção de Arte: David Willson; Cenografia: Kimberley Richardson; Figurinos: Mina Mittelman; Som: Larry Sutton, Keith Stafford, Christopher L. Haire, John L. Anderson e Doug Davey; Efeitos Especiais: Bill Orr.

Classificação: !!