terça-feira, julho 15, 2008

Gritos Mortais

Gritos Mortais (Dead Silence / Shhhhh... / Silence, EUA, 2007 – 90 min.)

Cartaz: Aqui

Jamie (Ryan Kwanten) perde sua esposa de maneira violenta e misteriosa; inconformado com a morte dela, descobre que a causa pode estar ligada com um mistério do passado de sua família e… Bonecos.
O segundo projeto do diretor James Wan, depois do mega-sucesso “Jogos Mortais”, o que explica o título nacional tosco, não faz feio, pela mediocridade geral do gênero nos últimos anos e o enorme talento visual demonstrado.
As imagens são poderosas e arrepiantes, apostando em um medo pouco explorado, surpreendentemente, por realizadores de horror, que é o temor inconsciente das pessoas em relação a bonecos, principalmente os que são usados por ventríloquos em seus shows – que hoje soam anacrônicos e antiquados, mas como os bonecos me assustavam! E ainda assustam.
Procurando desta vez desenvolver uma trama mais linear, apostando nos flashbacks somente ocasionalmente, a narrativa segue em ritmo mais lento, buscando construir pouco a pouco o quadro para o espectador e colocando os elementos gradativamente. Uma direção de arte muito competente – os cenários são bem assustadores e proporcionam bons momentos e sustos – e fotografia em tons azulados e cores chapadas, com muita névoa, dão aquele ar de filme antigo que é agradável aos olhos e combinam com a história.
O toque de modernidade vem com as transições entre as cenas, bastante características e facilmente reconhecíveis por quem acompanhou a série “Jogos Mortais”. Me vêm à mente a passagem da câmera de um piso a outro, subindo, que ao chegar revela ser um segundo local distante do primeiro, mas que estão ligados pelos personagens, pois o assunto discutido no local anterior é o mesmo onde a câmera chega; muito inventivo e bacana. E isso acontece também com objetos de uma cena aparecendo na outra, fazendo a ligação.
E também, claro, como não podia deixar de ser, cenas de violência altamente gráficas, sangrentas e filmadas com estilo, outra marca registrada; e, ainda mais raro, na medida certa fazer você virar a cara, por causa do jeitão de filme antigo que eu mencionei antes. É meio chocante ver o sangue espirrando quando você espera que a câmera vire para o outro lado, como nos velhos tempos de Hitchcock e Frankenstein… Legal demais! A trilha sonora de Charlie Clouser (integrante do grupo de rock industrial Nine Inch Nails) é outro achado, complementando bem as cenas e trazendo uma pitada extra de macabro.
O elenco está bem razoável, embora a credibilidade da maioria dos atores fique prejudicada pelo fato de precisarem de maquiagem para mostrar sofrimento – Hollywood achar que esse povinho Barbie & Ken é o máximo me deixa embasbacado – com destaque absoluto para a Marion Walker da veterana Joan Heney, altamente classuda e bacana e a participação sempre divertida de Bob Gunton, como o patriarca da família Ashen.
No entanto, todo esse artesanato cinematográfico, trama interessante e cuidado com o suspense, este dentro do que é possível dentro de um filme de terror, é quase implodido completamente no terceiro ato.
Parece que chegaram para a equipe e disseram “olha, tá ficando comprido demais, não tem mais dinheiro, termina logo isso aê, pô!”. E eles fizeram exatamente isso, com uma correria sem sentido, conclusões apressadas e uma reviravolta final que não era surpresa para ninguém. Essa reviravolta parece bem no estilo vocês-fizeram-antes-e-pegou-agora-têm-que-fazer-de-novo-para-todo-o-sempre que acomete, por exemplo, o diretor M. Night Shyamalan depois de “O Sexto Sentido”.
Infelizmente, essa autofagia não é uma novidade para o fã; quantos e quantos filmes de terror começam muito bem, têm clima legal e jogam tudo no lixo ao final?
Entendam, a diversão é garantida, o filme é bom; fica o “mas…” registrado.

Elenco: Ryan Kwanten (Jamie Ashen), Amber Valletta (Ella Ashen), Donnie Wahlberg (Detetive Jim Lipton), Michael Fairman (Henry Walker), Joan Heney (Marion Walker), Bob Gunton (Edward Ashen), Laura Regan (Lisa Ashen), Dmitry Chepovetsky (Richard Walker), Judith Roberts (Mary Shaw), Keir Gilchrist (Henry jovem), Steven Taylor (Michael Ashen), David Talbot (Padre), Steve Adams (Detetive de 1941), Shelley Peterson (Mãe de Lisa),

Direção: James Wan; Roteiro: Leigh Whannell e James Wan (história) e Leigh Whannell (roteiro); Produção: Mark Burg, Gregg Hoffman e Oren Koules; Produção Executiva: Peter Oillataguerre e Scott Stuber; Trilha Sonora: Charlie Clouser; Direção de Fotografia: John R. Leonetti; Montagem: Michael N. Knue; Seleção de Elenco: Barbara Fiorentino, Linda Lamontagne, Rebecca Mangieri e Wendy Weidman; Design de Produção: Julie Berghoff; Direção de Arte: Anastásia Masaro; Cenografia: Christina Kuhnigk; Figurinos: Denise Cronenberg; Maquiagem: David LeRoy Anderson e Nicole Michaud (bonecos); Som: Randy Babajtis, Ken Kobett, Mike Olman, Lauren Stephens e Kelly Cabral; Efeitos Sonoros: Melissa A. Corns e David F. Van Slyke; Efeitos Especiais: Warren Appleby e Tim Barraball; Efeitos Visuais: Aaron Weintraub e Brianne Wells.

Classificação:
!!!

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