sexta-feira, maio 23, 2008

O Massacre da Serra Elétrica

O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chainsaw Massacre, EUA, 2003 – 98 min.)

Cartaz:
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Um grupo de jovens está a caminho de um show em Dallas, no Texas, quando quase atropelam uma moça que vaga, desnorteada, pela estrada. Depois de a pegarem, a garota revela estar em fuga, fica histérica ao ver que se aproximam de uma fábrica aparentemente abandonada e se dá um tiro na cabeça. O grupo então se vê cercado por uma família de loucos, liderados por Leatherface, um enorme assassino que usa uma serra elétrica para pegar suas vítimas. E começa o pesadelo.
Remake do clássico de 1974, onde o produtor Michael Bay mais uma vez coloca seu toque de Midas reverso para entregar um filmeco de horror horroroso. Como em “Horror em Amityville”, temos um estreante na função de diretor de longas, vindo também do mundo dos vídeos musicais, o alemão Marcus Nispel, confirmando a regra de que nem todo clipeiro é um David Fincher.
Seu filme, também com roteiro de Scott Kosar, do já citado “Amityville”, tenta recriar todo o clima doentio e aterrorizante de sua inspiração e falha miseravelmente, ainda que com o habitual apuro visual e efeitos de primeira linha. Só que uma maçã podre, toda maquiada e tratada no Photoshop, está podre, amigos. E a precária direção de arte não dá em nenhum momento a impressão de que a trama se passa em 1973, embora seja isso que a narração em off diga.
O roteirista, no afã de “modernizar” a obra, acrescenta toques aqui e ali, como a presença da moça da estrada e interesses românticos entre a protagonista e um mané, além de mais um casal e drogas e tira cenas seminais como a do jantar, um supra-sumo da tensão, apenas para dar uma desculpa ao seu diretor de jogar na cara da platéia doses generosas de sanguinolência... E quase tudo fora de plano, para evitar a temida classificação R, pode isso? A preparação cuidadosa e falta de escrúpulo do original é jogada no lixo, em nome de uma narrativa pobre e linear, mas bastante acelerada e, de acordo com os produtores, mais ao gosto da turba adolescente que freqüenta os cinemas atrás de filmes do gênero.
Temos muita correria, pancadaria, mulheres gostosas com trajes sensuais, tiroteios e sustos fáceis com acordes altos da trilha sonora. Além de nos obrigar a agüentar a extrema idiotice do grupo, com atitudes que nem mesmo uma criança de seis anos tomaria, enfiou goela abaixo da audiência uma resistência simplesmente extraordinária de alguns personagens, os quais agüentam um abuso físico incrível; principalmente o super Andy, papel de Mike Vogel e a deliciosa Erin de Jessica Biel, atriz de algum talento que deixou seus jeans apertados de cintura baixa e sua blusinha branca molhada fazerem o trabalho de atuação, com um fôlego de maratonista queniana. Pena também que o namorado da personagem da atriz, “interpretado” por Eric Balfour, seja a cara do Marcos Mion, com a agravante de não falar merdas engraçadas e ser um trouxa completo e emaconhado.
Mas nada supera o desperdício de um ícone do medo, o assassino enlouquecido Leatherface; sua aparição, entremeada por gemidos e uivos ridículos, enfraquece o enredo de uma forma tão absoluta que chega a causar gargalhadas. Um dos mais assustadores assassinos seriais da história virou um gordo de máscara com uma serra elétrica na mão e correndo atrás de menininhas e rapazotes. Vergonha! Vergonha! Vergonha!
Mesmo com uma ou outra ceninha bacana no porão e a família de Leatherface, um grupo de loucos de dar nó daqueles com uma boa caracterização, o remake, ou melhor, a reinvenção, é um desastre total e irrestrito. Se salvam o sempre bom R. Lee Ermey, perfeito e assustador como o xerife piradaço e a plástica irretocável de Biel.
O que me deixa ainda mais perplexo é o diretor e o roteirista do original, Tobe Hooper e Kim Henkel, terem chancelado esta abominação com créditos de produtores executivos.
Que a fúria de Leatherface recaia sobre vós, homens de pouca fé e muita ganância...

Elenco: Jessica Biel (Erin), Jonathan Tucker (Morgan), Erica Leerhsen (Pepper), Mike Vogel (Andy), Eric Balfour (Kemper), Andrew Bryniarski (Thomas Hewitt – Leatherface), R. Lee Ermey (Xerife Hoyt), David Dorfman (Jedidiah), Lauren German (A Caronista), Terrence Evans (Velho Monty), Marietta March (Luda May), Heather Kafka (Henrietta), Kathy Lamkin (Senhora no Trailer), Brad Leland (Bob), John Larroquette (Narrador).

Direção: Marcus Nispel; Roteiro: Scott Kosar, baseado no roteiro de Kim Henkel e Tobe Hooper; Produção: Michael Bay e Mike Fleiss; Co-produção: Joe Dishner, Tobe Hooper e Kim Henkel; Produtores Associados: Matthew Cohan e Pat Sandston; Produção Executiva: Jeffrey Allard, Andrew Form, Brad Fuller, Ted Field e Guy Stodel; Trilha Sonora: Steve Jablonsky; Direção de Fotografia: Daniel Pearl; Montagem: Glen Scantlebury; Seleção de Elenco: Lisa Fields; Design de Produção: Greg Blair; Direção de Arte: Scott Gallagher; Cenografia: Randy Huke; Figurinos: Bobbie Mannix; Maquiagem: Troy Breeding, Kelly Nelson e Carla Palmer; Efeitos de Maquiagem: Grady Holder, Gregory Nicotero e Chiz Hazegawa; Som: Scott Martin Gershin, Trevor Jolly, Jon Taylor e Brad Sherman; Efeitos Sonoros: Jon Title, Mark Allen e Paul Menichini; Efeitos Especiais: Rocky Gehr; Efeitos Visuais: Nathan McGuinness e Jason Schugardt.

Classificação:
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