sexta-feira, maio 23, 2008

Horror em Amityville

Horror em Amityville (The Amityville Horror, EUA, 2005 – 81 min.)

Cartaz:
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A família Lutz, liderada por George (Ryan Reynolds) e Kathy (Melissa George), se muda para uma enorme casa em Amityville, uma pechincha. O fato de um assassinato em massa ter ocorrido ali dentro não impediu o casal de comprar o imóvel, mas ambos se arrependem depois que estranhos eventos começam a ocorrer, colocando em risco a sanidade e a vida de todos.
Remake do sucesso de 1979, onde o mão-pesada Michael Bay resolveu modernizar a trama e utilizar a última palavra em efeitos visuais e especiais para contar a história do flagelo da família Lutz para o público atual. Para isso, trouxe o roteirista Scott Kosar, que já havia “modernizado” o clássico “O Massacre da Serra Elétrica” e deu a primeira oportunidade ao diretor de comerciais e clipes Andrew Douglas no cinema de longa-metragem. Até que ficou razoável.
Melhorando o original em suas principais falhas, que eram o ritmo arrastado e os efeitos especiais primários (além de arrumarem uma babá muito mais gostosa), infelizmente o remake caiu na mesma armadilha, que é a falta de senso comum dos personagens principais e um suspense frouxo, para dizer o mínimo. Ainda por cima, o roteiro trocou o emblemático espírito-porco Jodie, responsável por uma das cenas mais aterrorizantes que eu já vi, por uma menininha saída diretamente de algum terror asiático de quinta categoria; e inventou uma história de fundo para a casa que é de doer de tão forçada, com a prisão dos índios no porão, dirigida por um tal de Reverendo Ketcham, que são uma mera desculpa para ficar mostrando cenas de desmembramentos e torturas variadas e o fantasminha nada camarada da menina, onde os ótimos técnicos da KNB podem mostrar todo seu talento e só.
Como os Lutz são um bando de chatos e ainda por cima burros, que não saem da casa nem por decreto mesmo com a tonelada de motivos racionais e simples que se apresentam, a identificação do espectador fica prejudicada sobremaneira. Quando George, vivido preguiçosamente por Ryan Reynolds, começa a ficar cada vez mais influenciado pela casa demoníaca, ficamos torcendo para ele torcer o pescoço de todo mundo de uma vez para que possamos fazer outra coisa mais interessante, como assistir o jogo da seleção do Dunga ou a grama crescer.
No original, pelo menos, o espectador se importa com o que acontece com George, que aqui ficou reduzido a um psicopata bombadão com um machado, o que já não mete medo em ninguém. Ademais, o personagem do padre somente aparece para homenagear o original, já que não tem função nenhuma e entra e sai de cena como um foguete; antes, ficava justificada a presença do religioso pela fé da família, o que já não acontece aqui. Para piorar, Melissa George é gostosa demais para ter três filhos e nada faz além de chorar e correr para cima e para baixo.
Como fator positivo, o diretor tem certo estilo, com um visual bastante limpo e usa bem a tecnologia a seu favor, com bons ângulos, movimentos de câmera e tomadas interessantes. O passeio pelo porão é bacana, macabro e dá uns bons sustos; a cena do telhado ficou angustiante na medida certa e as passagens na casa de barcos se seguram bem.
No geral, um filme desnecessário e comum, que segue o padrão atual do gênero. Totalmente descartável, sem maior interesse, demonstrando a alarmante falta de idéias dos realizadores atuais. Se até um filme nada marcante está merecendo remakes, o que mais falta aparecer?

Elenco: Ryan Reynolds (George Lutz), Melissa George (Kathleen Lutz), Jesse James (Billy Lutz), Jimmy Bennett (Michael Lutz), Chloe Grace Moretz (Chelsea Lutz), Rachel Nichols (Lisa), Philip Baker Hall (Padre Callaway), Isabel Conner (Jodie De Feo), Brendan Donaldson (Ronald De Feo), Annabel Armour (Corretora de Imóveis), Rich Komenich (Chefe de Polícia), David Gee (Médico de Emergência), Danny McCarthy (Policial Greguski), Nancy Lollar (Bibliotecária), José Taitano (Stitch).

Direção: Andrew Douglas; Roteiro: Scott Kosar, baseado no roteiro de Sandor Stern e adaptado do livro de Jay Anson; Produção: Michael Bay, Andrew Form e Brad Fuller; Produtores Associados: Matthew Cohan e Stefan Sonnenfeld; Produção Executiva: David Crockett e Ted Field; Co-produção Executiva: Randall Emmett, George Furla, Paul Mason e Steve Whitney; Trilha Sonora: Steve Jablonsky; Direção de Fotografia: Peter Lyons Collister; Montagem: Roger Barton e Christian Wagner; Seleção de Elenco: Lisa Field; Design de Produção: Jennifer Williams; Direção de Arte: Marco Rubeo; Cenografia: Daniel B. Clancy; Figurinos: David C. Robinson; Maquiagem: Dominic Mango e Suzi Ostos; Efeitos de Maquiagem: Howard Berger, Gregory Nicotero e Jake Garber; Som: Kelly Oxford, Alan Rankin, Brad Sherman e Jon Taylor; Efeitos Sonoros: Kerry Ann Carmean, Michael Kamper e Karen Vassar; Efeitos Especiais: John D. Milinac; Efeitos Visuais: Sean Andrew Faden, Roger Guyett e Nathan McGuinness.

Classificação:
!!

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