quarta-feira, agosto 08, 2007

A Noite dos Mortos-Vivos

A Noite dos Mortos-Vivos (The Night of the Living Dead / Monster Flick / The Night of Anubis / The Night of the Flesh-Eaters, EUA, 1968 – 96 min.)

Cartaz: Aqui

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Barbra (Judith O’Dea) vai visitar o cemitério onde seus pais estão enterrados, com seu irmão Johnny (Russell Streiner). De repente, a dupla é atacada por um homem muito estranho e Johnny é ferido. Desesperada, Barbra corre sem direção e vai parar em uma casa de fazenda abandonada que acaba se tornando a única esperança dela e de um grupo de pessoas, liderados por Ben (Duane Jones); à medida que o tempo passa, fica claro para os sobreviventes que seus atacantes são pessoas mortas, as quais por algum motivo misterioso se levantaram dos túmulos com uma predileção por carne humana.
Um dos filmes seminais do gênero, que redefiniu o papel dos zumbis para o espectador, desde a ambientação até o estilo de movimento e predileção, digamos, alimentar dos monstros. Presentes no cinema desde os primórdios, os mortos-vivos finalmente se separam da visão preconceituosa que até então vigorava, sempre relacionada aos primitivos praticantes de vodu que queriam se vingar dos civilizados, para se tornarem uma força da natureza, já que a razão dos acontecimentos jamais é explicada.
Realizado de forma totalmente independente, o filme foi lançado em poucos cinemas e praticamente esquecido pelo público; até que se tornou um dos mais projetados nos drive-ins, em sessões sempre à meia-noite e foi redescoberto para virar um clássico, muito imitado pelos realizadores atuais.
O estilo semi-documental, com ritmo um pouco arrastado – principalmente nas cenas entre os ataques dos zumbis, prejudicado pelo elenco fraco (onde Judith O’Dea é a mais irritante) praticamente formado por amadores, a maioria amigos do diretor e do roteirista, além de colaboradores como o açougueiro, que forneceu os restos animais de graça em troca de participar do filme – e a pobreza da produção são fartamente superadas, pela inventividade dos realizadores e sua óbvia paixão pelo material.
A abordagem tensa e sem concessões ao politicamente correto, que não se furtou de utilizar vísceras reais e uma maquiagem impressionante para a época, deu um senso de pesadelo poucas vezes repetido. Romero se mostra um bom diretor nesse sentido, injetando realidade na premissa completamente absurda. A montagem é correta, com bons cortes e a fotografia, dessaturada e em preto e branco, é muito bem utilizada para a construção de suspense, claramente influenciada pelo expressionismo e bem crua e suja; longe do estilo “turma da praia” dominante na época, antecipando as tendências e ladeando com, por exemplo, “Bullitt”, do mesmo ano. Posicionando a câmera de maneira não intrusiva e com bons ângulos, Romero puxa o espectador para o cenário e é particularmente eficiente ao retratar o modo impiedoso e irracional dos monstros de buscar suas vítimas, reforçado pelo andar sempre lento e olhar vidrado.
Uma boa sacada foi o uso de peças jornalísticas para situar o espectador, com o rádio e a televisão, onde o tom sério dos apresentadores destoa da destoa do estado mental dos personagens, constantemente no limite. Não há uma distinção clara entre os zumbis e os humanos, já que algumas ações dos protagonistas são tão questionáveis quanto de seus algozes, gerando cenas viscerais e genuinamente assustadoras. Como exemplos, a tentativa de fuga com o caminhão que tinha tudo para dar errado e dá; os ataques no porão; a reunião de forças-tarefa para lidar com o problema dos zumbis – leia-se grupos de extermínio – e a constante animosidade entre Ben e Harry Cooper (Karl Hardman).
Características do cinema de Romero, a crítica social e a inversão de valores ante os conflitos também se fizeram presentes, pela ousadia de ter um protagonista negro e de não poupar crianças e mulheres de destinos horríveis, além de permear o desenvolvimento da trama com baixos instintos. Lembrem-se de que era 1968 e a tensão racial nos EUA estava muito presente. Ainda, o tratamento dado às mulheres estava em estágios menos desenvolvidos, com as mesmas sempre relegadas ao segundo plano; a contra-cultura ainda estava em gestação e a liberação de costumes não estava tão forte fora das grandes cidades. “A Noite dos Mortos-Vivos” foi um soco no estômago dos americanos; foi refilmado, mais como uma atualização, em 1990, dirigida pelo constante colaborador de Romero, o maquiador e mestre de efeitos Tom Savini.
Foi muito influente no surgimento de um novo estilo, chamado “splatter” ou terror-que-espirra, pela violência mostrada na tela e a falta de pudor em se apoiar em cenas sangrentas para enojar o espectador e provar os pontos desejados pelos realizadores. O esforço coletivo valeu a pena. Contando ainda com um final impactante e irônico, a produção se segura bem até hoje, mesmo com alguns defeitos e é obrigatória para qualquer fã do gênero que se preze, principalmente por ter sido proibida no Brasil e permanecer inédita em nossos cinemas.
Teve ainda mais três seqüências, também dirigidas por Romero, que ampliaram o universo apresentado aqui. São elas: “Dawn of the Dead – O Despertar dos Mortos”, de 1978; “Day of the Dead – O Dia dos Mortos”, de 1983 e, mais recente, “Land of the Dead – Terra dos Mortos”, de 2004.

Elenco: Duane Jones (Ben), Judith O’Dea (Barbra), Karl Hardman (Harry Cooper), Marilyn Eastman (Helen Cooper / Zumbi), Keith Wayne (Tom), Judith Riley (Judy), Kyra Schon (Karen Cooper / Cadáver na Escada), Charles Craig (Apresentador do Telejornal / Zumbi), S. William Hinzman (Zumbi do Cemitério), George Kosana (Xerife McClelland), Frank Doak (Cientista), Bill “Chilly Billy” Cardille (Repórter de Campo), Russell Streiner (Johnny), George A. Romero (Repórter de Washington), John Russo (Repórter Militar de Washington / Zumbi na Casa), Phillip Smith (Membro da força-tarefa / Zumbi), Randy Burr (Membro da força-tarefa / Zumbi), A.C. McDonald (Membro da força-tarefa / Zumbi), Samuel R. Solito (Membro da força-tarefa / Zumbi), Mark Ricci (Cientista de Washington), Lee Hartman (Repórter / Zumbi), Jack Givens (Zumbi), Rudy Ricci (Zumbi), Paula Richards (Zumbi), John Simpson (Zumbi), Herbert Summer (Zumbi), Richard Ricci (Zumbi), William Burchinal (Zumbi), Ross Harris (Zumbi), Al Croft (Zumbi), Jason Richards (Zumbi), Dave James (Zumbi), Sharon Carroll (Zumbi), William Mogush (Zumbi), Steve Hutsko (Zumbi), Joann Michaels (Zumbi), Ella Mae Smith (Zumbi).

Direção: George A. Romero; Roteiro: George A. Romero e John Russo; Produção: Karl Hardman e Russell Streiner; Trilha Sonora: Domínio Público; Direção de Fotografia: George A. Romero; Montagem: George A. Romero e John Russo; Maquiagem: Bruce Capristo e Karl Hardman; Efeitos de Maquiagem: Vincent J. Guastini; Som: Marshall Booth e Gary Streiner; Efeitos Sonoros: Karl Hardman; Efeitos Especiais: Tony Pantanello e Regis Survinski.

Classificação: !!!!

Nota festiva do blogueiro: Amigos leitores, comemoro com esta a centésima postagem!!! Sim, já são cem filmes de terror e suspense comentados aqui! Um brinde para nós!!!!!!

2 comentários:

Vinicius disse...

então, como eu percebi sua predileção por filmes de terror, vi um filme aqui que achei muito legal e diferente, "Sublime", depois dá uma procurada pra ver e me fala o que achou.

Hod disse...

http://www.portaldetonando.com.br/forumnovo/viewtopic.php?highlight=stephen+king&t=116

como não tenho seu email, resolvi comentar no seu blog

o link para o Iluminado é esta acima

o portaldetonando.com.br tem inumeros livros de literatura, creio q vc vai gostar