quinta-feira, julho 19, 2007

Alone In The Dark - O Despertar do Mal

Alone In The Dark: O Despertar do Mal (Alone In The Dark, CAN/EUA/ALE, 2005 – 96 min.)

“O Mal desperta.”

Edward Carnby (Christian Slater) pertencia a uma agência governamental especializada em fenômenos paranormais, de onde foi expulso por razões obscuras. Agora um investigador independente, Edward busca no mundo inteiro artefatos de uma civilização antiga chamada Abkani. Quando estranhos eventos começam a ocorrer, somente a antropóloga Aline (Tara Reid) pode ajudá-lo a desenrolar uma trama que sugere serem as lendas Abkani sobre criaturas demoníacas de outra dimensão, paralela à nossa, muito próximas da realidade; e, inclusive, tiveram influência no misterioso passado do detetive.
Olha, é difícil escrever sobre um “filme” como este. Baseado, mal e porcamente, em um videogame de grande sucesso no início da década de 90, de onde tirou, praticamente, apenas o título e o nome dos personagens principais, busca misturar conceitos mostrados em “Alien”, “Hellboy” e “Predador” com terror rasteiro e, claro, que o produto final não podia ser nada além de indigesto, para dizer o mínimo.
Atirando para todos os lados, o roteiro não causa mais do que alguns bocejos e demonstra totalmente sua intenção de seguir uma fórmula, pensando assim: se nossas influências foram bem-sucedidas, basta colocar tudo no mesmo balaio que teremos a receita do sucesso instantâneo. É o Miojo (com o devido respeito ao alimento, que matou muita fome minha na vida) cinematográfico por excelência.
Só que não é tão fácil assim criar um filme do gênero. Para começar, o diretor escolhido é o canhestro alemão Uwe Boll, que vem construindo uma “carreira” adaptando videogames para a tela grande – cometeu ainda os dois “House of the Dead”, a seqüência de “Dungeon Siege” e “Bloodrayne” - e não tem a menor noção do que seja uma composição ou movimento de câmera de qualidade; viciado em cortes rápidos, usa ângulos e monta cenas até interessantes, porém vazios e (d)efeitos visuais e especiais poluem o quadro o tempo todo. Assistir algo com a assinatura dele é de doer. Ainda, para deixar tudo ainda mais irritante, desvia a câmera na hora das mortes ou cobre tudo com uma fotografia tão escurecida que fica difícil perceber o que está acontecendo; poxa, nem mesmo a sanguinolência a gente tem para se divertir um pouco!
Isso ocorre também pela total falta de competência na construção de suspense ou tensão, com o envolvimento dos espectadores para com os personagens e os eventos mostrados na tele muito próximo de zero; o samba do crioulo doido que os roteiristas inventaram é tão sem sentido que fica até difícil de acompanhar. O que um professor maluco, órfãos, implantes biológicos, civilizações antigas, um detetive durão, uma cientista gostosa, agentes do governo com coletes à prova de balas com músculos e criaturas invisíveis que atacam os humanos têm em comum? Estão todos neste filme!
Nesse ponto, falando das atuações, Slater, sempre carismático, faz o que pode com um personagem tosco e sem qualquer outra idéia para resolver as situações que se apresentam a não ser correr, dar porrada, atirar, dizer frases estúpidas ou explodir as coisas, não necessariamente nesta ordem; Tara (hum, que nome, hein) Reid – de “American Pie” - cada vez mais confirma ser um rostinho bonito com um corpo lindo e, e, e... é isso. Sua cientista, que usa óculos para comprovar sua competência acadêmica e faz beicinho para ler os complicados relatórios do museu, não serve para nada a não ser enfeitar o campo e dar um interesse romântico para o herói. Dorff, a última parte do tripé de atores “famosos” para chamar público, deixa muito claro que seu interesse no personagem é o contra-cheque e dá uma interpretação preguiçosa e clichê até a última bala de sua metralhadora; triste para um ator com tanto potencial e que já apresentou performances memoráveis.
Para encerrar, aguardem, que em 2008 teremos a seqüência, também dirigida por Uwe Boll. Um raio cai duas vezes... Pelo menos, em Hollywood e enquanto os DVDs continuarem vendendo.
Só consigo sentir pena. “Alone in the Dark” é um dos melhores jogos que eu já brinquei, recheado de atmosfera, inteligência e sustos para dar e vender. Quem quiser ver uma adaptação de games de terror que faz jus à fonte, assistam “Silent Hill”, clique aqui para ler a crítica deste blogueiro que vos fala, que obteve resultados bem melhores.

Elenco: Christian Slater (Edward Carnby), Tara Reid (Aline Cedrac), Stephen Dorff (Comandante Richard Burke), Frank C. Turner (Sam Fischer), Matthew Walker (Professor Lionel Hudgens), Will Sanderson (Agente Miles), Mark Acheson (Capitão Chernick), Darren Shalavi (John Dillon), Karin Konoval (Irmã Clara), Craig Bruhnanski (Xerife), Kwesi Ameyaw (Policial Adams), Dustyn Arthurs (Edward jovem), Catherine Lough Haggquist (Krash), Ed Anders (James Pinkerton), Sarah Deakins (Linda) Daniel Cudmore (Agente Barr), Françoise Yip (Agente Cheung), Ho Sung Pak (Agente Marko), Mike Dopud (Agente Turner), Brendan Fletcher (Motorista de Táxi), Donna Lysell (Sarah Fischer), Ona Grauer (Agente Feenstra), John Fallon (Agente Yonek), Rebekah Postey (Sophie), Robert Bruce (Barnes), Dean Redman (Agente Richards), Antonio Maiurano (Agente Tony).

Direção: Uwe Boll; Roteiro: Elan Mastai, Michael Roesch e Peter Scheerer; Produção: Shawn Williamson; Produtores Associados: Frederic Demey, Dan Sales, Philip Selkirk, Jonathan Shore, Jörg Tittel e Max Wanko; Produção Executiva: Uwe Boll, Dan Clarke e Wolfgang Herold; Co-produção Executiva: Bruno Bonnell e Harry Rubin; Trilha Sonora: Reinhard Besser, Oliver Lieb, Bernd Wendlandt e Peter Zweier; Direção de Fotografia: Mathias Neumann; Montagem: Richard Schwadel; Seleção de Elenco: Maureen Webb; Design de Produção: Tink; Direção de Arte: Peter Stratford; Cenografia: David Birdsall; Figurinos: Maria Livingstone; Maquiagem: Lise Kuhr, Connie Parker e Sanna Seppanen; Efeitos de Maquiagem: Bill Terezakis; Som: Jochen Engelke, Tobias Fleig, Wolfgang Herold e Marco Raab; Efeitos Especiais: John Sleep; Efeitos Visuais: Doug Oddy, Geoff D.E. Scott, Max Wanko e Bojan Zoric.

Classificação: !


Nenhum comentário: