segunda-feira, junho 04, 2007

Terror em Amityville

Terror em Amityville (The Amityville Horror, EUA, 1979 – 118 min.)

“Pelo amor de Deus, saiam!”

Recém-casados, George (James Brolin) e Kathy Lutz (Margot Kidder) estão à procura de uma casa para chamarem de lar. Ele, ainda, gostaria de um imóvel com espaço suficiente para poder transferir seu escritório – ele tem uma firma de consultoria em tipografia – e transformar assim uma despesa em lucro. Ambos visitam uma casa em Amityville, Long Island, no estado de Nova York, espaçosa e com casa de barcos e de hóspedes mais por desencargo de consciência, já que imaginam um preço exorbitante.
Para surpresa deles, o preço é bastante convidativo. Isso se deve, como explica a corretora, pelo fato de que a casa foi palco de um assassinato medonho (e real. O assassino está preso até hoje), onde o jovem Ronnie De Feo matou os pais e quatro irmãos com tiros de rifle, dizendo-se influenciado por “vozes demoníacas”. Com a atitude moderna de quem não se abala por bobagens, o casal fecha o negócio e se muda com os três filhos do primeiro casamento de Kathy e assumidos por George, confiantes em uma nova etapa de prosperidade e felicidade.
Porém, pelos 28 dias seguintes, enfrentam problemas que não podem ter outra explicação além de influência maligna, como móveis que são jogados de um lado para o outro, paredes sangrando e perturbações de personalidade e físicas. Com a ajuda do padre Delaney (Rod Steiger), os Lutz tentam lutar contra o que quer que esteja perturbando suas vidas, mas são obrigados a abandonar a casa antes que percam suas vidas.
Terror convencional que foi turbinado, na década de 70, pelo hype originado com a publicação do livro-reportagem em que é baseado, escrito por Jay Anson, sustentáculo da tese que os eventos que são mostrados no filme são reais e arrasou nas bilheterias no mundo todo. Claro que a tese do livro gerou polêmica, pois a única fonte do escritor, de talento inegável, foi o casal Lutz, embora ele sustente que buscou confirmação com a Igreja e com a polícia dos supostos fatos. Bem, vamos ao filme.
O diretor optou por desenvolver a trama de forma lenta (até demais, diga-se de passagem), aumentando a carga de tensão gradativamente e com problemas progressivamente piores para a família enfrentar, o que não é algo necessariamente ruim e diferencia o filme dentro do gênero, mais afeito a porra-louquices e sangreiras, apesar da falta de lógica de toda a situação. Não tem muito sustento se ver de frente a portas que são arrombadas de dentro para fora, infestações de moscas, olhos na janela (brrr!), levitações, sentimentos assassinos; não querer fugir dali rapidinho antes que a coisa vá para o vinagre não é natural, viu, família Lutz e soa forçado. O roteiro, ainda, joga personagens na trama e estes não fazem absolutamente nada, como o padre auxiliar Bolen e o sargento Gionfriddo. Este último é o que de mais ridículo; segue o padre Delaney e George para todo lado e não faz absolutamente nada. Para que seguir os caras então?
O quadro não é ajudado com a opção pela histeria da maior parte do elenco, em especial Steiger, que berra suas falas a maior parte do tempo a plenos pulmões, confundindo intensidade com gritaria e a falta de alcance dramático das crianças, todas péssimas e a atuação chorosa de Kidder (a Lois Lane da trilogia cinematográfica “Superman”) como Kathy. Quem salva a lavoura é James Brolin, com uma barba impressionante e uma atuação minimalista e forte como o protagonista George; ele sempre domina a cena assim que entra no aposento e dá credibilidade aos conflitos internos do seu personagem, que poderia facilmente descambar para a caricatura, já que é o mais perseguido pela presença demoníaca.
Conforme dito acima, o diretor Rosenberg exagerou no freio de mão puxado, mas constrói cenas de grande impacto visual (as paredes sangrando e a descoberta do quarto secreto todo pintado de vermelho onde Ronnie De Feo fazia seus rituais de magia negra sendo os pontos altos) e consegue imprimir uma tensão muito boa durante toda a projeção. Com uma mão mais do que bem-vinda da soturna e arrepiante trilha sonora do mestre argentino Lalo Schifrin (indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro pelo trabalho), com uso interessante de coros infantis num resultado de gelar a espinha e pontuando com brilhantismo os momentos mais intensos, que infelizmente são poucos.
Mesmo com todos os defeitos, é um terror sério e sóbrio, onde a casa se torna um vilão de respeito, com muitas tomadas inquietantes das agora famosas janelas que lembram olhos. Não deixem de assistir, vale a pena para qualquer fã que se preze.
Foi refilmado em 2005 (ainda não vi, então não sei se foi uma caca ou se ficou bom) e gerou nada menos do que oito seqüências, das quais apenas a segunda pode ser realmente considerada como tal e é muito boa; as outras seis (campeãs de exibição nas madrugadas para tapar buracos de programação durante a década de 90) simplesmente pegaram carona e utilizaram a casa como mote para as tramas cada vez mais forçadas e ridículas.

Elenco: James Brolin (George Lutz), Margot Kidder (Kathy Lutz), Rod Steiger (Padre Delaney), Don Stroud (Padre Bolen), Murray Hamilton (Padre Ryan), John Larch (Padre Núncio), Natasha Ryan (Amy Lutz), K.C.Martel (Greg Lutz), Meeno Peluce (Matt Lutz), Michael Sacks (Jeff), Helen Shaver (Carolyn), Amy Wright (Jackie), Val Avery (Sargento Gionfriddo), Irene Dailey (Tia Helena), Marc Vahanian (Jimmy), Elsa Raven (Sra. Townsend), Ellen Saland (Noiva), Eddie Barth (Agucci), Hank Garrett (Barman), James Tolkan (Legista), Carmine Foresta (Policial na casa), Charlie Welch (Carpinteiro), Jim Dukas (Vizinho).

Direção: Stuart Rosenberg; Roteiro: Sandor Stern, baseado no livro “Horror em Amityville”, de Jay Anson; Produção: Elliot Geisinger e Ronald Saland; Produção Executiva: Samuel Z. Arkoff; Trilha Sonora: Lalo Schifrin; Direção de Fotografia: Fred J. Koenekamp; Montagem: Robert Brown; Seleção de Elenco: Jane Feinberg, Mike Fenton e Judy Taylor; Direção de Arte: Kim Swados; Cenografia: Robert Benton; Maquiagem: Stephen Abrums e Christine Lee; Som: Robert W. Glass, Richard Tyler e John Wilkinson; Efeitos Sonoros: Stephen Hunter Flick; Efeitos Especiais: Dell Rheaume; Efeitos Visuais: Allen Blaisdell e William Cruse.

Classificação:
!!

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