domingo, junho 10, 2007

A Casa dos Maus Espíritos

A Casa dos Maus Espíritos (House on Haunted Hill, EUA, 1959 – 77 min.)

“Uma casa mal-assombrada, uma noite que eles jamais esquecerão!”

Um excêntrico milionário, Frederick Loren (Vincent Price), convida cinco pessoas totalmente desconhecidas entre si para se juntarem a ele e sua esposa, Anabelle (Carol Ohmart), para comemorarem o aniversário dela.
Até aí, nada demais, exceto o fato de que os convidados nunca encontraram com a aniversariante ou seu anfitrião. Porém, outras características tornam tudo mais estranho – e perturbador; primeiro, o cenário da festa é uma casa isolada, considerada mal-assombrada e onde diversas mortes ocorreram, como o aterrorizado e bebum dono da casa, Watson Pritchard (Elisha Cook Jr., habitué de filmes de terror baratos na década de 50 e 60) mais do que rapidamente esclarece aos outros companheiros; segundo, cada um dos convidados receberá a quantia de dez mil dólares, se sobreviverem a uma noite na casa, que ficará trancada e sem saída para os que se dispuserem a ficar depois da meia-noite e todos estão, de uma forma ou de outra, desesperadamente precisando de dinheiro; e, por último, o casamento entre Frederick e Anabelle não parece ser exatamente harmonioso.
Assim, a caixa Nora (Carolyn Craig), o piloto de provas Lance (Richard Long), a jornalista Ruth (Julie Mitchum, irmã de Robert Mitchum, em um dos cinco filmes que participou na carreira) e o psiquiatra David (Alan Marshal), além do já citado Watson, terão a pior noite de suas vidas e onde nada é o que parece...
Um filme interessante que dá uma outra visão do subgênero old dark house, contando com uma boa ambientação em uma casa de design mais moderno e original, fora do esquema do casarão vitoriano de praxe; efeitos especiais bacanas, principalmente o esqueleto e as cenas de assassinato, mais sangrentas; história original, sendo mais um thriller do que um filme de terror e um elenco acima da média, capitaneado por Price no auge da forma, abusando de sua figura simpática e sinistra ao mesmo tempo – sua narração irônica e com ameaça em cada frase é ótima. “She is so amusing / Ela é tão divertida” – e a beleza de Carol Ohmart, encarnando a perfeita vamp do imaginário popular, linda e fatal.
A montagem certinha e o ótimo uso de luz e sombra deixa toda a experiência melhor do que se poderia imaginar, dado o período em que foi feito.
O mérito vai, principalmente, para a direção inventiva do famoso William Castle, pioneiro do gênero depois do ciclo da Universal nos anos 30 e 40 e que se especializou em amedrontar a platéia com produções baratas e divertidas. Castle adorava brincar com a audiência nos cinemas, tendo inventado muitas ações bacanas para potencializar o efeito dos seus filmes, como o sistema “Odorama”, que soltava um cheiro nauseabundo durante a projeção. Para “A Casa”, Castle inventou o “Emergo”, que era um esqueleto fluorescente que saía de uma caixa ao lado da tela, em uma das cenas cruciais, e passava pelas cabeças dos espectadores (tiveram que parar depois de pouco tempo, pois a molecada levava estilingues e tentava derrubar o esqueleto quando este aparecia, com pedrinhas, balas, pipocas e o que mais estivesse à mão. Adolescentes sempre são adolescentes...). Fez grande sucesso nas bilheterias e inspirou Hitchcock para fazer o super-clássico “Psicose”.
Hoje, serve mais como curiosidade para fãs, já que envelheceu mal e parece irremediavelmente datado, com os penteados, roupas, trilha sonora exagerada e argumentos que atualmente soam anacrônicos e inverossímeis, como aquele blá-blá-blá de histeria, que o bom doutor não pára de arrotar o tempo todo. Embora a diversão permaneça intacta e nem se perceba o tempo passar, já que ele é curtinho e não enrola, indo direto ao ponto.
Foi refilmado em 1999, com muito mais grana e muito menos talento.

Elenco: Vincent Price (Frederick Loren), Carolyn Craig (Nora Manning), Richard Long (Lance Schroeder), Elisha Cook Jr. (Watson Pritchard), Carol Ohmart (Anabelle Loren), Alan Marshal (Dr. David Trent), Julie Mitchum (Ruth Bridgers), Leona Anderson (Sra. Slydes), Howard Hoffmann (Jonas Slydes).

Direção: William Castle; Roteiro: Robb White; Produção: William Castle; Produtor Associado: Robb White; Trilha Sonora: Von Dexter (tema central, “House on Haunted Hill” composto por Richard Kayne e Richard Loring); Direção de Fotografia: Carl E. Guthrie; Montagem: Roy V. Livingston; Direção de Arte: Dave Milton; Cenografia: Morris Hoffman; Maquiagem: Jack Dusick e Gale McGarry; Som: Ralph Butler, Jerry Irvin e Charles G. Schelling; Efeitos Especiais: Herman Townsley.

Classificação: !!!

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