segunda-feira, junho 04, 2007

Boneco Assassino

Boneco Assassino (Child’s Play, EUA, 1988 – 87 min.)

“Você vai desejar que fosse apenas faz-de-conta.”

Após uma perseguição implacável, o assassino serial Charles Lee Ray (Brad Dourif) se vê encurralado em uma loja de brinquedos pelo policial Mike Norris (Chris Sarandon), que acaba ferindo o bandido gravemente; sentindo que está morrendo, Ray pega um boneco Good Guy (Bonzinho) e, jurando vingança contra o parceiro que o abandonou, Eddie (Neil Giuntoli) e ao policial, com a ajuda de cânticos vodu, Ray imprime sua alma no brinquedo e faz a loja explodir.
Não muito tempo depois, Karen (Catherine Hicks), uma jovem viúva, está quebrando a cabeça para arrumar um jeito de dar o boneco Bonzinho que seu filhinho Andy (Alex Vincent) quer de aniversário; a solução se apresenta quando um vagabundo aparece e vende a ela o boneco tão desejado. Adivinhem onde o tal vagabundo arrumou o brinquedo? Exatamente, na loja que explodiu.
Andy, claro, adora o presente e começa imediatamente a brincar com Chucky, que lhe pede favores como ligar a TV para ele assistir o noticiário e levá-lo até o esconderijo de Eddie. Quando mortes começam a ocorrer, ninguém acredita em Andy, que conta a todos que o boneco fofinho é Charles Lee Ray e ele está com sede de vingança...
Um pequeno clássico dos anos 80, responsável pelo lançamento do terceiro membro do grande triunvirato do terror recente: Jason Voorhees, Freddy Krueger e Chucky. O boneco acabou se tornando uma figura icônica no cinema de horror moderno, paradoxalmente apostando em um medo que vem de longe; a impressão infantil de que os bonecos e bonecas têm uma vida própria afastados de seus donos, na direção oposta a que foi, por exemplo, a série “Toy Story”. Outro aspecto interessante é que esse medo primordial foi pouco explorado pelos realizadores do gênero (de cabeça, me lembro de “Magia”, de 1979, com Anthony Hopkins; e, mais recentemente, “Jogos Mortais”, além de, é claro, a emblemática cena do palhaço em “Poltergeist”).
Obviamente, para apreciar totalmente a experiência, o espectador tem que embarcar na premissa absurda do filme, pois é realmente complicado de aceitar um boneco tão pequeno causando tanto estrago e com tanta força física. Mas, a partir do momento em que se aceita isso, a diversão é garantida.
O grande responsável por tornar Chucky tão querido pelos fãs é a interpretação primorosa de Brad Dourif, emprestando um jeito tão canalha e sarcástico ao boneco que se torna difícil não querer que o vilão se dê bem, principalmente pela falta de cuidado do roteiro em desenvolver os antagonistas. Eu sou suspeito para falar, pois simplesmente abomino atores infantis no gênero, mas Alex Vincent até que se dá relativamente bem no papel de Andy, fazendo com que nos importemos com seu destino, diferente de Hicks e Sarandon; ambos não conseguiram dar mais peso aos seus personagens estereotipados, embora o segundo domine bem suas cenas, como de hábito.
A direção de Holland é bastante competente, criando bom timing de suspense (quase uma hora de projeção se passa antes que tenhamos certeza de que é o brinquedo mesmo que está tocando o puteiro), com ótimas tomadas de POV (ponto de vista) e ângulos baixos, usando os clichês a seu favor. As cenas dos sustos são filmadas com gosto, dando um bom tempero a algo batido. Por exemplo, todo mundo sabe que quando a gente mata um vilão ele não está realmente morto ainda, sempre tem tempo para mais um ataquezinho... O jeito com que o diretor lida com esse tipo de cena é o que conta, e Holland cumpriu muito bem seu papel.
Nos demais aspectos técnicos, os bons efeitos especiais ganham destaque, com uma maquiagem competente e o uso de um dublê anão para as cenas de Chucky andando e perseguindo suas vítimas, o que acaba gerando um certo humor involuntário.
O sucesso gerou uma franquia, que conta com mais quatro exemplares. As duas primeiras seqüências são uma forçada de barra só, com histórias ridículas e meras desculpas para o boneco assassinar a galera; já os dois últimos são os mais bacanas, por brincarem constantemente com o status de Chucky como celebridade e partirem para a auto-paródia explícita.

Elenco: Catherine Hicks (Karen Barclay), Chris Sarandon (Mike Norris), Alex Vincent (Andy Barclay), Brad Dourif (Charles Lee Ray / Voz de Chucky), Dinah Manoff (Maggie Peterson), Tommy Swerdlow (Jack Santos), Jack Colvin (Dr. Ardmore), Neil Giuntoli (Eddie Caputo), Juan Ramirez (Vagabundo), Alan Wilder (Sr. Criswell), Raymond Oliver (Dr. Morte), Aaron Osborne (Enfermeiro), Tyler Hard (Mona), Ted Liss (George), Roslyn Alexander (Lucy), Ed Gale (Chucky) e Edan Gross (voz de Chucky amistoso).

Direção: Tom Holland; Roteiro: Don Mancini (história) e Don Mancini, John Lafia e Tom Holland (roteiro); Produção: David Kirschner; Produtora Associada: Laura Moskowitz; Produção Executiva: Barrie M. Osborne; Co-produção Executiva: Elliot Geisinger; Trilha Sonora: Joe Renzetti; Direção de Fotografia: Bill Butler; Montagem: Roy E. Peterson e Edward Warschilka; Seleção de Elenco: Sharon Bialy e Richard Pagano; Design de Produção: Daniel A. Lomino; Cenografia: Cloudia; Figurinos: April Ferry; Maquiagem: Michael Hancock e Marina Pedraza; Som: Rick Kline, Donald O. Mitchell, Kevin O’Connell e John Riordan; Efeitos Sonoros: Clayton Collins; Efeitos Especiais: Richard O. Helmer; Efeitos Visuais: Peter Donen.

Classificação: !!!

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