domingo, junho 03, 2007

Amityville - A Casa do Medo

Amityville: A Casa do Medo (Amityville 3-D / Amityville 3 / Amityville 3: The Demon / Amityville: The Demon, EUA, 1983 – 100 min.)

“Adentre os portões do inferno… Por sua conta e risco!”

John Baxter (Tony Roberts) é um repórter abelhudo – e orelhudo – que se especializou em desmascarar falsos eventos e fenômenos ditos “sobrenaturais”, além de videntes e picaretas em geral, junto com a parceira Melanie (Candy Clark). Em sua ultima reportagem, eles puxaram o tapete de um casal que fingia convocar espíritos em uma casa com fama de mal-assombrada em Amityville. Como não acredita em nada dessas bobagens, precisa de um teto para morar depois de se divorciar de Nancy (Tess Harper) e o dono da casa, Sanders (John Harkins) está mais do que ansioso para se livrar do abacaxi, Baxter compra o imóvel e se muda, pretendendo escrever um longamente adiado romance.
Não demora muito para que estranhos eventos comecem a ocorrer, inclusive com pessoas morrendo, na casa ou por influência desta. Quando sua filha, Susan (Lori Loughlin) sofre um acidente no lago em frente da casa e morre, Baxter e a esposa aceitam a proposta de um parapsicólogo, Elliot West (Robert Joy) para uma investigação científica da casa e chegar a uma resposta sobre se o local é assombrado ou não, já que Nancy está perigosamente próxima da insanidade depois da morte da filha e acredita que a moça esteja na casa.
Só que a presença que habita a casa não está nada satisfeita e não vai deixar barato a invasão...
Segunda seqüência do sucesso de 1979, “Terror em Amityville” e que não tem nenhuma relação com os eventos do primeiro ou do segundo filmes, preferindo colocar a casa como protagonista do espetáculo; os assassinatos dos De Feo são mencionados rapidamente e sem citar nomes e a epopéia da família Lutz nem mesmo é considerada, funcionando como uma produção independente.
O que é ótimo, já que os dois primeiros, que são bastante decentes (aguarde comentários aqui no blog) não precisam passar vergonha de serem associados com esta bomba, que não cumpre nada do que promete. Ainda por cima, foi cometida utilizando a técnica de 3-D, que estava sendo meio que ressuscitada na época; até um exemplar da série interminável “Sexta-Feira 13” e outra seqüência de “Tubarão” foram feitas com essa intenção; mas, relaxem, ninguém vai precisar usar aqueles óculos engraçados para ser torturado aqui.
Com um roteiro ridículo e sem rumo, parece que nosso personagem principal fez um baú de cópias de chaves e saiu distribuindo na rua. Todo mundo entra e sai a hora que quer da casa do homem quando ele não está, somente para dar uma desculpa aos realizadores para mostrar cenas quase constrangedoras de manifestações da casa, com efeitos especiais pobres, sem nenhum punch ou suspense que preste. Outro problema grave é o fato de que a personagem de Candy Clark, parceira de Baxter nas reportagens, some depois da metade do filme e nem mesmo é mencionada novamente por ninguém.
O que nos leva ao distanciamento emocional de todo o elenco, frio e desinteressado e que traz zero de identificação. Se ninguém se importa um com o outro, porque eu, espectador, teria que achar ruim o que acontece com eles no filme? Que morram todos, assim acaba rápido! Principalmente o protagonista, que parece ser feito de pedra. Nada abala o cara, ou pelo menos o ator assim o caracteriza; tragédias ocorrem com ele o tempo todo e nada, nem mesmo uma lágrima derramada pela filha ou pelas outras pessoas do seu círculo de amizades que são atingidas pela casa. No lado “jovem”, ainda pior, pois me digam que grupo de “adolescentes” sozinhos em casa (dois homens e duas garotas) e sem perspectiva de serem surpreendidos por ninguém, resolvem fazer o jogo do copo em vez de curtirem todas? Francamente!
Ainda mais inacreditável é a direção da lenda Richard Fleischer, em franca decadência e que enquadrou pessimamente o filme todo, cortando os lados e deixando atores pela metade aparecerem na tela. Além disso, (que, admito, foi corrigido depois de mais ou menos meia hora de projeção, apesar de ainda ter escorregadelas aqui e ali) temos zero suspense e um clima geral de preguiça. Para quem já assinou clássicos da fantasia como “20.000 Léguas Submarinas” e “Viagem Fantástica”, além dos bacaninhas “Conan, o Destruidor” e “Guerreiros de Fogo”, é muito pouco. E decepcionante, também. O que as pessoas não fazem para pagar o aluguel...
Nos aspectos técnicos, efeitos especiais de fundo de quintal (a parede do banheiro é bem exemplificativa da falta de noção, pois se move para perto do ator e... Nada acontece!) e uma fotografia escurecida que só serve para irritar, já que não esconde a falta de vontade do elenco e a preguiçosa composição de quadros e suspense. Pena que a trilha sonora, bem boazinha, vê seus esforços irem por água abaixo (talvez no poço do porão da casa).
Como positivo, apenas a estréia de Meg Ryan, fofíssima e já demonstrando seu carisma como uma amiga de Susan que não está nem aí para fantasmas e coisas que tais. E também some da projeção como se engolida por um buraco para nunca mais ser nem mesmo mencionada. O final, pelo menos, é bem movimentado e destrutivo.
Leitores amigos, se eu não tivesse recebido de graça tinha jogado na privada e dado descarga. Nem percam seu tempo.

Elenco: Tony Roberts (John Baxter), Tess Harper (Nancy Baxter), Robert Joy (Elliot West), Candy Clark (Melanie), John Beal (Harold Caswell), Leora Dana (Emma Casswell), John Harkins (Clifford Sanders), Lori Loughlin (Susan Baxter), Meg Ryan (Lisa), Neill Barry (Jeff), Peter Kowanko (Roger), Carlos Romano (David Cohler), Josefina Echanove (Dolores), Jorge Zepeda (Motorista da van), Raquel Pankowsky (Mulher Sensitiva), Paco Pharrez (Homem da Manutenção).

Direção: Richard Fleischer; Roteiro: William Wales; Produção: Stephen F. Kesten; trilha Sonora: Howard Blake; Direção de Fotografia: Fred Schuler; Montagem: Frank J. Urioste; Seleção de Elenco: Howard Feuer e Jeremy Ritzer; Direção de Arte: Giorgio Postiglione; Cenografia: Justin Scoppa; Figurinos: Clifford Capone; Maquiagem: Anthony Cortino; Efeitos de Maquiagem: Vincent Callaghan e John Caglione Jr.; Som: William L. Stevenson, Rick Kline e Michael Minkler; Efeitos Especiais: Jeff Jarvis e Michael Wood; Efeitos Visuais: Gary Platek.

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