domingo, maio 06, 2007

Vôo Noturno

Vôo Noturno (Red Eye / Wes Craven’s Red Eye, EUA, 2005 – 85 min.)

“Medo nas Alturas.”

Lisa (Rachel McAdams) é uma mega-eficiente gerente de hotel que está voltando para sua cidade, Miami. Seu vôo no aeroporto está atrasado (parece familiar?) e, na fila do check-in, ela conhece o charmoso Jackson (Cillian Murphy, o Espantalho de “Batman Begins”); depois de uma conversa agradável, flertando um tantinho e um drinque, os dois se separam e Lisa entra, finalmente, no avião.
Dentro, ela descobre que seu companheiro de poltrona é ninguém menos do que Jackson. Quando o avião decola, ele, casualmente, solta a bomba: se Lisa não telefonar para o hotel onde trabalha e mudar um hóspede muito especial, o Sr. Charles Keefe (Jack Scalia), o secretário de Segurança Nacional Doméstica, do quarto habitual para outro selecionado por ele e seus comparsas, o pai dela, Joe (Brian Cox) será assassinado por um membro de sua equipe. A partir daí, vira um jogo de perseguição onde Lisa tenta de tudo para evitar uma tragédia e, ao mesmo tempo, salvar a vida de seu pai.
Um thriller divertido, em um trabalho diferente do habitual do diretor Wes Craven, mais familiar com o gênero terror (são dele a trilogia “Pânico” e “A Hora do Pesadelo”, entre outros exemplares) e que se deu relativamente bem nesta mudança de ares. Um sopro de originalidade é o cenário de praticamente mais de quarenta minutos de filme, dentro de um avião, reforçando a sensação de sem saída para a protagonista e apoiado em diálogos cortantes e interessantes e um suspense bacana e tenso, pois ninguém pode saber o que está acontecendo com nossa heroína.
A premissa interessante, infelizmente, se dilui no terceiro ato, onde o roteiro se rende à fórmula de ação, com perseguições, correrias e pancadas a torto e a direito, onde a mignon Lisa se transforma em uma super mulher, que consegue encarar os assassinos e seu perseguidor sem nenhum problema (tá certo que Murphy é bem magrinho, mas ainda assim, fica difícil de acreditar), além de agüentar castigos que um homem com o dobro do peso teria dificuldades para encarar. Pelo menos, algumas pitadas de humor bem colocadas ajudam a descer o bolo, indigesto pela brusca mudança de tom.
Ademais, cenas de ação tradicionais não são o forte de Craven, definitivamente. A montagem do final tem todos os cacoetes de um filme de terror, com a indefectível cena do banheiro e a mocinha afastando de repente as cortinas e os protagonistas encostados em paredes, esperando um ao outro para atacar. O ferimento que Lisa fez em Jackson ainda no avião deixa a coisa toda ainda mais inverossímil, pois não dá para aceitar com facilidade a incrível mobilidade e resistência do vilão depois do que aconteceu com ele e provoca mais risos do que tensão, pela semelhança com os psicopatas indestrutíveis que construíram a fama do diretor.
Sobre o elenco, foi selecionado com critério, já que o público não teria nenhuma idéia pré-concebida ao ser apresentado aos personagens e, portanto, compraria a idéia com mais facilidade. E funciona às mil maravilhas, principalmente com Murphy, mais conhecido dos fãs de cinema independente (“Café da Manhã em Plutão”, “Extermínio”, entre outros) que tem uma performance muito boa, pelo menos até o risível terceiro ato e McAdams é uma atriz adorável, com aquela carinha de fofa e um sorriso a la Julia Roberts, também egressa dos independentes e segura bem um dos primeiros papéis de protagonista de sua carreira. Brian Cox, sempre eficiente, também se destaca como o pai de Lisa.
Questionável apenas, a meu ver, é a escolha do cafajeste Jack Scalia, mais conhecido por filmes de ação de baixo orçamento e que não tem o biotipo apropriado para ser um político de peso. Não que um político tenha que ter uma barriga de chope e ser careca, mas a cara de cafetão de Scalia, bronzeada e com um furinho no queixo definitivamente não encaixa no papel. Até mesmo uma correntona de ouro o cara está usando... Fala sério. Vai ver que foi uma piada e eu não entendi.
Assim, pela primeira hora, bastante interessante e original, o filme vale a visita. E fica a recomendação ao Sr. Craven para ficar onde ele conhece, nem todos os diretores conseguem trafegar bem por vários gêneros; se o que ele faz bem é dar arrepios, que seja, não tem vergonha ou demérito nenhum nisso. Ou então achar outro filme como “Música do Coração”, com Meryl Streep, que até ficou bacaninha.
Como curiosidade, o título original “Red Eye”, foi tirado do apelido dado pelas tripulações e passageiros ao último vôo do dia, que geralmente sai depois da meia-noite, pelos olhos vermelhos de sono de quem usa e trabalha no serviço.

Elenco: Rachel McAdams (Lisa Reisert), Cillian Murphy (Jackson Rippner), Brian Cox (Joe Reisert), Jayma Mays (Cynthia), Laura Johnson (Loira do Avião), Max Kasch (Garoto do Fone de Ouvido), Angela Paton (Senhora Bacana), Suzie Plakson (Aeromoça Senior), Jack Scalia (Charles Keefe), Terry Press (Marianne Taylor), Robert Pine (Bob Taylor), Carl Gilliard (Motorista de Taxi), Mary Kathleen Gordon (Representante da Companhia Aérea), Loren Lester (Passageiro Nervoso), Brittany Oaks (Rebecca), Tina Anderson (Mãe da Rebecca), Kyle Gallner (Irmão do Garoto de Fone de Ouvido), Monica McSwain (Aeromoça Junior), Tom Elkins (Piloto), Dane Farwell (Assassino), Jennie Baek (Assistente de Keefe), Colby Donaldson (Chefe dos Guarda-Costas de Keefe), Beth Toussaint (Lydia Keefe), Adam Gobble (Filho de Keefe), Megan Crawford (Filha de Keefe).

Diretor: Wes Craven; Roteiro: Carl Ellsworth e Dan Foos (história) e Carl Ellsworth (roteiro); Produção: Chris Bender e Marianne Maddalena; Produção Executiva: Bonnie Curtis, Jim Lemley, Mason Novick e J.C. Spink; Trilha Sonora: Marco Beltrami; Direção de Fotografia: Robert D. Yeoman; Montagem: Stuart Levy e Patrick Lussier; Seleção de Elenco: Lisa Beach e Sarah Katzman; Design de Produção: Bruce Alan Miller; Direção de Arte: Andrew Max Cahn; Cenografia: Maggie Martin; Figurinos: Mary Claire Hannan; Maquiagem: June Brickman, Susan Carol Schwary, Bárbara Lorenz e Christina Smith; Som: David E. Fluhr, Chuck Michael, Christian P. Minkler e Todd Toon; Efeitos Sonoros: Adam Kopald; Efeitos Especiais: Ron Bolanowski e George Zamora; Efeitos Visuais: David Lingenfelser, Jerry Pooler, John E. Sullivan e James D. Tittle.

Classificação:
!!

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