domingo, maio 06, 2007

Uma Noite Alucinante

Uma Noite Alucinante (Evil Dead 2: Dead by Dawn / Evil Dead II, The Sequel to the Ultimate Experience in Grueling Terror, EUA, 1987 – 85 min.)

“Terrível demais. Assustador demais. Demais!”

Um jovem casal, Ash (Bruce Campbell) e Linda (Denise Bixler), alugou uma cabana no meio da floresta para passar alguns dias juntos, comemorando o início das férias. À medida que avançam rumo ao chalé, verificam que o caminho não é dos mais fáceis, pois tudo está mal-cuidado e um pouco abandonado. Na cabana, eles encontram um gravador e um estranho livro, com um monstro na capa; tocando a fita, eles descobrem que o livro é um registro sumério de práticas de conjuração de demônios e o professor Knowby (John Peakes) recitando algumas passagens. O que eles não sabem é que as conjurações servem para despertar demônios das trevas, que se utilizam dos vivos para devorar almas; depois de Linda ser possuída, Ash acaba ficando inconsciente depois de uma batalha pela sobrevivência, onde até seu próprio corpo se virou contra ele.
Nesse meio tempo, a filha do professor, Annie (Sarah Knowby), chega do exterior com o restante das páginas do livro, encontradas em uma escavação no castelo de Kandar e vai até a cabana, acompanhada de seu namorado Ed (Richard Domeier), se encontrar com seu pai para terminarem as pesquisas. Finalmente no chalé, com a ajuda de uma dupla de habitantes locais, Jake (Dan Hicks) e Bobbie Joe (Kassie Wesley), pois a ponte que ligava a cabana ao mundo exterior desabou, todos terão que se virar para não serem derrubados um por um, pois os demônios não vão desistir assim tão facilmente.
Cinco anos depois do primeiro “Evil Dead”, o diretor Sam Raimi, agora com mais dinheiro e experiência, resolveu cometer esta seqüência, que não é bem uma continuação; e sim um novo começo, que em alguns aspectos supera o original e, em outros, fica devendo. Os efeitos especiais e de maquiagem estão muito melhores; o ritmo mais acelerado; os movimentos de câmera continuam inspirados e cheios de estilo e, principalmente, a evolução do sensacional canastrão Bruce Campbell, que domina o filme com seu personagem pateta-heróico e virou ícone do gênero com suas frases inspiradas. Groovy!
O diretor, desta vez, mudou alguns aspectos da trama (alguns problemas com os direitos do original o impediram de refilmar algumas cenas) e optou por turbinar as risadas, usando o terror como escada para muitas cenas cômicas, principalmente com Campbell (os demais atores do elenco, todos muito fracos, estão lá como bucha de canhão para os demônios destruírem).
O ator usa todo seu arsenal de comédia pastelão para segurar o interesse e tem uma atuação insana de primeira categoria, com um grande arsenal de gargalhadas histéricas e olhares ensandecidos; nesse tópico, destaque para a luta de Ash com sua mão (!), com direito a socos na cara e pratos quebrados, além de uma perseguição digna de Tom e Jerry e os objetos da casa rachando o bico da cara do protagonista. Claro que o horror gore e sangrento não foi esquecido. Temos muitas decapitações, desmembramentos, sangue verde espirrando aos galões (não puderam usar vermelho para evitar uma censura muito alta), punhaladas e tiros de escopeta para todos os lados, somados a ataques da própria floresta (com muitas árvores de borracha).
Com essas decisões, Raimi levou sua série para uma outra direção, a do cinema fantástico, o que ficou ainda mais evidenciado com o último filme da série, “Army of Darkness”, bem parecido com aquelas produções estrelando Sinbad, dos anos 70 e “Fúria de Titãs”, só que com muito mais sangue e tripas.
Ainda temos lugar, felizmente, para arrepios, como a dança da morta-viva, as cenas no porão (onde Ash tem que lidar com a esposa do professor, que foi enterrada lá) e mais uma corrida alucinante pela floresta, com o uso da steady-cam (ponto de vista de primeira pessoa, ou seja, como se a câmera fosse nossos olhos), que ficou ainda melhor do que no primeiro filme; mas a comédia predomina, sendo algo típico do período.
Com isso, o primeiro fica mais destacado no quesito medo e permanece, para mim, como o melhor da trilogia, ainda que perdendo nos aspectos técnicos, que teve a participação dos futuros reis da maquiagem dos filmes de terror Kurtzman, Berger e Nicotero na equipe de Mark Shostrom. A trilha sonora também é bem legal, dando o tom certo nas mudanças de enfoque de terror para comédia e vice-versa.
Assim, mesmo com todos os defeitos apontados, “Evil Dead 2”, um dos pioneiros na mistura de terror hardcore e comédia, é um dos melhores já feitos e tem seu lugar cativo na minha estante; altamente recomendável!

Elenco: Bruce Campbell (Ashley “Ash” J. Williams), Sarah Berry (Annie Knowby), Dan Hicks (Jake), Kassie Wesley (Bobbie Joe), Ted Raimi (Henrietta – Possuída), Denise Bixler (Linda), Richard Domeier (Ed Getley), John Peakes (Professor Raymond Knowby), Lou Hancock (Henrietta Knowby), Snowy Winters (Dançarina). Criaturas (Fake Shemps): Sid Abrams, Josh Becker, Scott Spiegel, Thomas Kidd, Mitch Cantor, Jenny Griffith e William Preston Robertson (voz da Mão, Espírito das Trevas, Cabeça de Veado, Objetos Encantados)

Diretor: Sam Raimi; Roteiro: Sam Raimi e Scott Spiegel; Produção: Robert G. Tapert; Co-produção: Bruce Campbell; Produção Executiva: Alex de Benedetti e Irvin Shapiro; Trilha Sonora: Joseph LoDuca; Direção de Fotografia: Peter Deming; Montagem: Kaye Davis; Direção de Arte: Randy Bennett e Phillip Duffin; Cenografia: Elizabeth Moore; Maquiagem: Wendy Bell; Efeitos de Maquiagem: Mark Shostrom; Som: David John West e Andrew Schatz; Efeitos Sonoros: John Voss Bond Jr., Kevin Hill, Cindy Rabideau, Drew Newmann, Steve Sheranian, Brian E. Wedewer e David Lewis Yewdall; Efeitos Especiais: Vern Hyde, Dave Thiry, David Moenkhaus e Larry Odien; Efeitos Visuais: Jim Aupperle, James Belohovek e Larry Arpin.

Classificação: !!!!

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