domingo, abril 22, 2007

Um Lobisomem Americano em Londres

Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London, EUA, 1981 – 97 min.)

“Tenha Medo da Lua.”

Dois amigos, David (David Naughton) e Jack (Griffin Dunne) estão viajando de mochilão pela Europa. Agora, eles estão na Inglaterra, no interior do país, perto de uma aldeia no meio do nada. Com frio e com fome, os rapazes vão até a aldeia, mais especificamente ao bar local, em busca de algo quente para comerem e poderem seguir viagem. O pub chama-se “The Slaughtered Lamb – O Carneiro Assassinado” e tem uma figura de uma cabeça de lobo decepada na ponta de uma lança; eles acham aquilo muito estranho, mas a necessidade fala mais alto.
Dentro do pub, todos param de falar e jogar dardos para olharem para os recém-chegados; depois desse momento constrangedor, tudo vai voltando ao normal, mas os freqüentadores não estão exatamente acolhedores, principalmente um jogador de dardos (David Schofield), um de xadrez (Brian Glover) e a dona do bar (Lila Kaye). Para aumentar a esquisitice, na parede tem um pentagrama ladeado por duas velas negras e o bar não parece ter nada para servir aos viajantes. Sem outra opção, a dupla resolve seguir andando e recebem a recomendação de não saírem da estrada e ficarem longe das charnecas (uma espécie de pântano).
Durante o caminho, um uivo tenebroso soa pelo ar, encimado por uma enorme lua cheia; de repente, um barulho de animal perto dos dois os faz parar; eles percebem que, distraídos pela conversa, se afastaram da estrada; assustados, tentam voltar; mas, um animal enorme os ataca e mata Jack, rasgando sua garganta e fere gravemente David, jogando-o longe; os aldeões aparecem e matam o atacante que, na verdade, é um homem.
Corta para três semanas mais tarde, quando David recupera a consciência em um hospital de Londres, sendo cuidado pela enfermeira Alex Price (Jenny Agutter) e o Dr. Hirsch (John Woodvine). Nessa ocasião, ele recebe a noticia de que Jack está morto. Acolhido por Alex, David sofre com pesadelos constantes e as visitas de Jack, agora um morto vivo, que o incita a tirar sua própria vida, pois ele é o ultimo dos lobisomens e a maldição tem que ser quebrada...
Grande filme de Landis, em minha opinião um dos melhores já feitos com os personagens clássicos do gênero e que traz um bem-vindo tempero de humor, bem ao estilo do seu realizador, que apareceu para o cinema dirigindo comédias anárquicas como “Animal House” e “Blues Brothers”. Ao mesmo tempo em que traz boas tiradas e algumas gags hilárias, não se esqueceu do objetivo principal, que era o de assustar seu público. Na verdade, entendo que os alívios cômicos espalhados pelo roteiro ajudam a aumentar o senso de medo e chegam a chocar o espectador quando aparece alguma cena assustadora, que não se preocupa em poupar o sangue falso, já que estamos, ao assistir, de volta a uma zona de conforto por causa de alguma piada anterior.
Com isso fora do caminho, vamos analisar o filme, certo?
O diretor imprime um bom ritmo narrativo, colocando um acontecimento importante para a trama a cada sete ou dez minutos mais ou menos, deixando todo o desenvolvimento mais fluido, evidenciado pelo relativamente enxuto tempo de projeção (pouco mais de uma hora e meia). Seria tentador ficar mostrando a família de David, o enterro de Jack e etc. Do jeito que ele escolheu, fica muito mais parecido com uma volta no trem-fantasma: rápido, divertido e assustador na medida.
O roteiro é outro achado, com muitas boas idéias: as vítimas do lobisomem visitando seu algoz foi coisa de gênio, bem como as seqüências de sonho que ajudam o espectador a ver como o nosso anti-herói tem consciência de que as coisas estão perigosas para ele e para qualquer um que o cerque (o sonho dos lobisomens nazistas é assustadoramente hilariante); além de tudo, os diálogos espertos, principalmente entre Jenny e David e entre os dois amigos, principalmente depois que Jack morre e volta cada vez mais deteriorado, são outro ponto alto.
Porém, o que realmente deixa o filme em outro nível é a impressionante e inovadora maquiagem de Rick Baker. Um dos melhores profissionais do ramo em Hollywood, Baker se especializou no que é chamado “maquiagem de transformação”, ou seja, nos efeitos especiais (sem computação gráfica, senhoras e senhores) que transformam um ator em qualquer outra coisa que o roteiro pedir. Aqui, as cenas de transformação de David em lobisomem colocaram a Academia de joelhos; ela teve que criar um Oscar, o de Melhor Maquiagem, para poder dar o devido crédito ao fantástico trabalho que ele fez. Como o diretor queria uma transformação sem os truques habituais (sombras, luz reduzida, etc), o resultado, conseguido com uma série de próteses e animatrônicos (bonecos com movimentos específicos), é incrível até hoje. Não há ainda computador que conseguiu fazer o que Rick Baker fez, na raça e em frente das câmeras.
Como ponto negativo, apenas a escolha do protagonista, David Naughton, muito fraquinho e que quase põe a perder tudo; suas parcas habilidades como comediante ajudam, mas quase sempre ele tem que ser “salvo” pelo parceiro de cena, seja o bom Griffin Dunne (em diferentes estados de decomposição, em outro golaço de Rick Baker), a gracinha Jenny Agutter, musa dos anos 70 da ficção científica pela participação em "Logan's Run", ou "Fuga do Século 23" em português (com seu sotaque sexy) ou o lobo.
Como curiosidade, todas as músicas da trilha tem “Moon = Lua” no título e como última piada, o chamado aviso de responsabilidade legal, que tem em todos os filmes, escrito da seguinte maneira: “Os eventos mostrados neste filme são ficcionais; qualquer semelhança com pessoas vivas, mortas ou mortas vivas é puramente coincidência”. Haja senso de humor, hehehe.
Teve ainda uma seqüência picareta em 1997, com o título “Um Lobisomem Americano em Paris”, onde nenhum personagem do original aparece e a inteligência tirou umas férias.

Elenco: David Naughton (David Kessler), Griffin Dunne (Jack Goodman), Jenny Agutter (Enfermeira Alex Price), John Woodvine (Dr. J.S. Hirsch), Lila Kaye (Dona do bar), Joe Belcher (Caminhoneiro), David Schofield (Jogador de Dardos), Brian Glover (Jogador de Xadrez), Rik Mayall (Segundo Jogador de Xadrez), Sean Baker (Segundo Jogador de Dardos), Paddy Ryan (Primeiro Lobisomem), Anne-Marie Davies (Enfermeira Susan Gallagher), Frank Oz (Sr. Collins / voz da Miss Piggy), Don McKillop (Inspetor Villiers), Paul Kember (Sargento McManus), Colin Fernandes (Benjamin), Albert Moses (Empregado do Hospital), Nina Carter (Naughty Nina), Geoffrey Burridge (Harry Berman), Brenda Cavendish (Judith Browns), Christopher Scoular (Sean), Mary Tempest (Esposa de Sean), Sydney Bromley (Alf), Frank Singuineau (Ted), Will Leighton (Joseph), Michael Carter (Gerald Bringsley), Christine Hargreaves (Bilheteira).

Diretor: John Landis; Roteiro: John Landis; Produção: George Folsey Jr.; Produção Executiva: Peter Guber e Jon Peters; Trilha Sonora: Elmer Bernstein; Direção de Fotografia: Robert Paynter; Montagem: Malcolm Campbell; Seleção de Elenco: Debbie McWilliams; Direção de Arte: Leslie Dilley; Figurinos: Deborah Nadoolman; Maquiagem: Robon Grantham e Beryl Lerman; Efeitos de Maquiagem; Rick Baker; Som: Gerry Humphreys e Ivan Sharrock; Efeitos Especiais: Matin Gutteridge e Garth Inns.

Classificação: !!!!!

Nenhum comentário: