segunda-feira, abril 23, 2007

A Morte Pede Carona

A Morte Pede Carona (The Hitcher, EUA, 1986 – 97 min.)

“O terror começa quando ele pára. Jamais dê carona a um estranho.”

Jim Halsey (C. Thomas Howell) está levando um carro até a Califórnia para uma empresa. No caminho, passando pelo Meio-Oeste, de madrugada e quase dormindo no volante, ele vê um homem solitário no acostamento da estrada, sob uma chuva torrencial. Pensando que uma companhia seria boa, para quebrar a monotonia e ficar acordado, Jim pára e apanha o tal homem, que diz se chamar John Ryder (Rutger Hauer).
Acontece que Jim acaba agarrando mais do que pode segurar, pois Ryder, de uma hora para outra, se revela um assassino sádico. Mesmo na mira de uma faca, Jim consegue se livrar do companheiro indesejado com um movimento ousado e jogando o cara para fora do carro. Crente que se livrou do maluco, ele toma mais um susto ao vê-lo no automóvel em frente do dele. À medida que o dia passa, uma quantidade crescente de cadáveres é jogada aos pés de Jim, agora procurado pela polícia pelas mortes causadas pelo caronista; com a ajuda de Nash (Jennifer Jason Leigh), nosso herói relutante procura provar sua inocência ao mesmo tempo em que tenta deter o onipresente Ryder, que o persegue incansavelmente.
Uma pequena jóia. Nada mais, nada menos. Misturando os gêneros de road movie, serial killer e o velho bom jogo de gato e rato, “A Morte Pede Carona” marcou os anos 80 com seu ritmo de ação incessante e apetitosas cenas sangrentas para nenhum fã botar defeito. Méritos do excelente roteiro de Eric Red, que buscou desenvolver seu par de antagonistas com minúcias, onde o duelo de vontades entre os dois ficou em primeiro plano sobre a ação.
Desde a primeira cena, o ator Rutger Hauer em um de seus papéis fundamentais (ao lado do atormentado vilão andróide de “Blade Runner”) estabelece um jogo com o inseguro e imaturo personagem de Howell, onde ele simplesmente aponta para o rapaz e diz: você é quem vai me deter, quero ver se tem o que é preciso para um ser humano completo; se não conseguir, você não vale nada e merece morrer como um animal.
Realmente, de princípio, o espectador não dá nada pelo herói. Ryder é muito mais forte, inteligente e determinado. O vilão aparece do nada, mata todo mundo e deixa Halsey vivo para enfrentar as conseqüências, cada vez piores, pois a situação vai se desenvolvendo em um padrão de caos inimaginável. A cada aparição do caronista, o espectador se encolhe na cadeira, as ações dele são totalmente imprevisíveis.
Só que o mais legal é que Jim também vai evoluindo na trama, se tornando um rival de respeito para o assassino, principalmente depois de uma ação revoltante que acaba tornando possível a captura de Ryder. Em outra sacada incrível do roteirista, fica no ar se o caronista é mesmo um homem; não há registros de sua existência, ele não tem impressões digitais ou origem conhecida. Em um último traço de ousadia, por causa da composição do personagem feita por Hauer, há uma sugestão levemente erotizada do relacionamento entre Halsey e Ryder; os brutos também amam? Seria por isso que Halsey foi escolhido para detê-lo?
Temos muitas cenas memoráveis, mas destaco: a das batatas fritas; o diálogo inicial; a conversa entre Jim e Ryder no restaurante; o interrogatório do caronista; a captura de Ryder e, claro, o final eletrizante e cruel ao extremo.
Não deixem de conhecer, leitores habituais. Teve uma refilmagem chinfrim no ano passado, sem um décimo da energia e vigor, apesar da boa atuação de Sean Bean como John Ryder. Mais uma vez, fiquem com o que veio primeiro.

Elenco: C. Thomas Howell (Jim Halsey), Rutger Hauer (John Ryder), Jennifer Jason Leigh (Nash), Jeffrey DeMunn (Capitão Esteridge), John M. Jackson (Sargento Starr), Billy Green Bush (Patrulheiro Donner), Jack Thibeau (Patrulheiro Prestone), Armin Shimermann (Sargento de Interrogatório), Gene Davis (Patrulheiro Dodge), Jon Van Ness (Patrulheiro Hapscomb), Henry Darrow (Patrulheiro Hancock), Tony Epper (Patrulheiro Conners), Tom Spratley (Proprietário), Colin Campbell (Trabalhador de Construção).

Diretor: Robert Harmon; Roteiro: Eric Red; Produção: David Bombyk e Kip Ohman; Co-produção: Paul Lewis; Produção Executiva: Edward S. Feldman e Charles R. Meeker; Trilha Sonora: Mark Isham; Direção de Fotografia: John Seale; Montagem: Frank J. Urioste; Seleção de Elenco: Penny Perry; Design de Produção: Dennis Gassner; Direção de Arte: Dinns Danielson; Cenografia: Lynda Burbank; Maquiagem: Leslie Ann Anderson e Pamela Peitzman; Som: Gregg Landaker, Steve Maslow e Michael Minkler; Efeitos Sonoros: Stephen Hunter Flick e Mark A. Mangini; Efeitos Especiais: Arthur Brewer e Andrew Miller.

Classificação:
!!!!

Nenhum comentário: