domingo, abril 08, 2007

Cabana Do Inferno

Cabana do Inferno (Cabin Fever, EUA, 2002 – 93 min.)

“Terror... Em carne e osso.”

Um grupo de cinco amigos de faculdade, Paul (Rider Strong), Karen (Jordan Ladd), Bert (James DeBello), Marcy (Cerina Vincent) e Jeff (Joey Kern) alugam uma cabana no meio do mato para comemorarem o final dos estudos, em uma região distante do estado. No caminho, param em uma loja de conveniência para comprarem os últimos mantimentos e se deparam com um conjunto de figuras, como Caldwell (Robert Harris) e o menino que morde (sim, é isso mesmo) Dennis (Matthew Helms).
Depois da experiência nada agradável, o grupo chega à cabana e começa a curtir as férias. Jeff e Marcy, namorados, vão direto para a cama; Paul tenta consumar seu relacionamento platônico com Karen e Bert vai atirar em esquilos que, segundo ele, merecem isso porque são gays.
Na floresta, Bert se depara com um cara coberto de pústulas e espinhas nojentas, Henry (Arie Verveen), que é portador de uma doença que devora a carne das pessoas. Logo, os cinco têm que superar seus medos e desconfianças à medida que a doença misteriosa os ataca um a um, além de escapar das reações nada amistosas dos habitantes locais.
Excepcional estréia de Roth, com um filme ferozmente aterrorizante e engraçado onde o diretor presta homenagens a praticamente todas as produções do gênero que o influenciaram. Por exemplo, de “Evil Dead”, ele retirou os movimentos de câmera e a ambientação em uma cabana deteriorada no meio da floresta, além de utilizar cinco personagens principais; de “Amargo Pesadelo”, o uso de caipiras como parte dos vilões; de “A Noite dos Mortos Vivos”, algumas mortes e o final aberto e apocalíptico; de “Enigma do Outro Mundo”, a solução para isolar Karen; gente vestida de coelho (como em “Donnie Darko” e “O Iluminado”) e usou a música-tema do clássico podreira “Aniversário Macabro”, feito por Wes Craven (diretor e criador de, entre outros, Freddy Krueger – “A Hora do Pesadelo” – e dos mutantes canibais de “Quadrilha de Sádicos”).
Felizmente, porém, temos muito mais além das referências e homenagens; “Cabana do Inferno” tem vida própria e muitas qualidades. Começando pela escolha do elenco, todos adequados para seus papéis, com destaque especial para Rider Strong (nome ridículo para um ator razoável e simpático) como Paul, se distanciando da imagem de bom-mocismo construída em uma série de TV, estilo “Barrados no Baile”, chamada “Boy Meets World” que fazia frisson entre todas as adolescentes que você pode imaginar; e a atuação sensacional de Giuseppe Andrews como o policial doidão Winston, o melhor de todos os personagens. Além de uma participação especial do diretor como um maconheiro metido a conquistador que é de cair de dar risada, depois de dar aquela segurada na ânsia de vômito.
De tudo, o melhor são as tiradas sem qualquer preocupação de serem politicamente corretas. Só para ficar em algumas: as preferências sexuais de Jeff; qualquer frase dita por Bert, vivido com garra por James DeBello; uma “dedada” inesquecível entre Paul e Karen; a depilação de Marcy na banheira (brrrr!!!) e os cachorros que permeiam a produção.
Nos aspectos técnicos, mais um tour de force dos gênios da KNB, que fizeram milagres com o orçamento baixíssimo disponível realizando mutilações, decomposições e sangueiras diversas com muita competência e realismo; fotografia e montagem corretas e sem comprometer, o que já é mais do que se pode esperar de um filme independente. Como bônus, participação especialíssima do compositor Ângelo Badalamenti (“Twin Peaks” e “Veludo Azul”, entre outros), parceiro habitual do diretor cult David Lynch, com alguns temas macabros, certeiros e arrepiantes.
Daqui, depois de chamar a atenção de ninguém menos do que o diretor Peter “Senhor dos Anéis” Jackson (que chegou a fazer publicidade de graça e mostrou o filme três vezes para o elenco e equipe durante a filmagem de “O Retorno do Rei”), Roth partiu para o escracho total com “O Albergue”, ainda divertido, mas sem um quinto da potência mostrada em sua estréia; tomara que recupere toda a verve e criatividade na continuação “O Albergue – 2ª Parte”, prevista para estrear ainda este ano.
Imperdível, vale cada centavo. Claro que não é recomendável para assistir com a família, mas rende uma ótima sessão podreira com os amigos naquela casa de praia, de preferência depois de um churrasco e muita cerveja...

Elenco: Rider Strong (Paul), Jordan Ladd (Karen), James DeBello (Bert), Cerina Vincent (Marcy), Joey Kern (Jeff), Arie Verveen (Henry, o Eremita), Robert Harris (Velho Caldwell), Hal Courtney (Tommy), Matthew Helms (Dennis), Richard Boone (Fenster), Giuseppe Andrews (Policial Winston), Tim Parati (Andy), Dalton McGuire (Menino da Limonada), Jana Farmer (Menina da Limonada), Brandon Johnson (Ray Shawn), Richard Fullerton (O Xerife), Phil Fox (Policial Malvado), Christy Ward (Mulher dos Porcos), Eli Roth (Justin, vulgo Grim).

Diretor: Eli Roth; Roteiro: Eli Roth (história) e Eli Roth e Randy Pearlstein (roteiro); Produção: Eli Roth, Evan Astrowsky, Sam Froelich e Lauren Moews; Produção Executiva: Susan Jackson; Co-Produção Executiva: Jeffrey D. Hoffman; Trilha Sonora: Nathan Barr e Ângelo Badalamenti; Direção de Fotografia: Scott Kevan; Montagem: Ryan Folsey; Seleção de Elenco: Joe Adams e Ayo Davis; Design de Produção: Franco-Giacomo Carbone; Figurinos: Paloma Candelária; Som: Brian Best, Lance Brown e Timothy A. Carpenter; Efeitos Sonoros: William Cawley, David P. Earle, Steve Mann, Marc Meyer e Joseph Tsai; Efeitos Especiais e de Maquiagem: Howard Berger, Gregory Nicotero, Robert Kurtzman e Garrett Immel.

Classificação: !!!!

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