domingo, março 25, 2007

Zombie - A Volta dos Mortos

Zombie – A Volta dos Mortos (Zombie / Zombi 2 / Island of The Flesh-Eaters / Island of the Living Dead / Gli Ultimi Zombi / Zombie Flesh Eaters / Zombie… The Dead Are Among Us!, ITA, 1979 – 93 min.)

“Quando o solo expulsa os mortos... Eles retornarão para arrancar a carne dos vivos.”

Um estranho incidente em um veleiro na baía de Nova York, onde um policial foi atacado (e morto) por um ser, que rasgou a garganta do homem e levou seis tiros sem sofrer danos aparentes antes de cair do barco, chama a atenção de um repórter, Peter West (Ian McCulloch). Estimulado por seu editor (aparição relâmpago do diretor Fulci), ele investiga e chega até Anne Bowles (Tisa Farrow, irmã menos conhecida de Mia Farrow – ex-musa de Woody Allen), que procura por seu pai (Ugo Bologna), um cientista que desapareceu no mar do Caribe.
Indo até lá, eles descobrem que a última localização do homem era a ilha de Matool, que nem aparece no mapa. Com a ajuda do casal Brian (Al Cliver) e Susan (Auretta Gay), que está em férias, os dois acabam descobrindo a tal ilha, habitada pelo Dr. Menard (Richard Johnson) e sua equipe, pesquisadores de uma doença misteriosa e mortal que traz de volta à vida suas vítimas; embora os nativos tenham certeza de que a causa das ressuscitações seja o vodu, praticado com constância naquelas ilhas.
Mega-clássico do cinema de terror, realizado por um dos mais prolíficos e talentosos cineastas do gênero, o italiano Lucio Fulci, que tinha por característica nenhum pudor em mostrar e idealizar cenas extremamente gráficas e sangrentas, além de um alto teor de suspense (nos seus melhores dias, claro). Contemporâneo de outro expoente, o americano George A. Romero, Fulci dividia com o amigo a primazia dos filmes de zumbi e este foi sua obra-prima.
Lançado pouco depois da segunda parte da “Trilogia dos Mortos” do colega americano, o arrasador “Zumbi – O Despertar dos Mortos”, de 1978 (recentemente refilmado com competência por Zack Snyder com o nome de “Madrugada dos Mortos”, já comentado aqui no seu cantinho sangrento, leitor habitual. Veja no arquivo de ), teve as cenas em Nova York no início e no final acrescentadas para tentar faturar um pouquinho mais em cima disso; mas, na verdade, as duas tramas não têm nenhuma correlação.
Com esses detalhes de lado, o filme se sustenta muito bem, com Fulci apelando com gosto para belos corpos nus femininos e traz uma grande experiência para qualquer fã que se preze. O diretor constrói muito bem a tensão e orquestra com maestria os violentíssimos ataques dos zumbis, com uma composição de planos incrivelmente tensa (com bom uso de zoom e closes nojentos), contando com a competência e arte do mestre italiano dos efeitos Giannetto De Rossi para entregar algumas das mortes mais sangrentas da história do cinema.
Temos pessoas devoradas, olhos perfurados, cabeças baleadas e decepadas, gargantas rasgadas e membros arrancados. Tudo que se possa imaginar de violento e nojento foi realizado, numa festa gore para ninguém colocar defeito; quando lançado nos cinemas, os distribuidores forneciam sacos de vômito para os espectadores, pois o nível de violência era ainda sem precedentes na época. E, ainda por cima, toda a orgia de sangue foi filmada com arte, closes no limite da sanidade e uma tensão quase insuportável, este é um dos poucos filmes que me deu medo de verdade.
Normalmente, uma produção de terror me causa diferentes reações, como interesse, repulsa e até mesmo simplesmente tédio. Mais raramente, dá tensão e até mesmo medo. Pouquíssimos exemplares do gênero conseguiram essa proeza (entre eles “O Iluminado” de Kubrick e “O Exorcista”) e “Zombie” atinge essa raridade com louvor, amigos leitores. Eu fiquei roendo as unhas de medo mesmo. Que sensação!
Claro que existem pontos fracos: um elenco irregular, com boas atuações (incluo nessa conta Ian McCulloch como West, Olga Karlatos e seu par de olhos verdes maravilhosos como a esposa do médico e Richard Johnson como o Dr. Menard) e outras sofríveis (Tisa Farrow justifica a falta de destaque e fama); uma trilha sonora ridiculamente deslocada, alternando entre musiquinhas disco com efeitos sonoros de fundo de quintal e a idéia que os compositores tinham do que seria um toque de vodu, com muitos tambores sem nexo e as cenas entre os ataques carecem de um ritmo narrativo mais intenso, afrouxando a intensidade almejada.
Mesmo assim, temos seqüências antológicas, entre as quais destaco: a luta submarina entre um zumbi e um tubarão (!); os zumbis se levantando das sepulturas, socorro; o ataque à esposa do bom doutor, um primor; e, claro, o frenético embate final entre humanos e zumbis, recheado de tiros e explosões. Sem esquecer, claro, do final pessimista, apocalíptico e sem concessões.
A produção nunca foi lançada em nossos cinemas, tendo sido proibida pela censura no Brasil. Sofreu a mesma coisa em diversos outros países, inclusive na Itália, vejam só, mas já está disponível em DVD, numa versão sem cortes onde se pode apreciar a obra em toda a sua força.
Não tenho mais o que falar. Assistam e curtam o prazer de um filme de morto-vivo bem realizado, bem filmado e que certamente não decepcionará.

Elenco: Tisa Farrow (Anne Bowles), Ian McCulloch (Peter West), Richard Johnson (Dr. David Menard), Al Cliver (Brian Hull), Auretta Gay (Susan Barrett), Stefania D’Amario (Enfermeira Missey), Olga Karlatos (Paola Menard), Ugo Bologna (Pai de Anne), Dakkar (Lucas), Franco Fantasia (Matthias), Lucio Fulci (Editor-Chefe do Jornal), Leo Gavero (Fritz), Alberto Dell’Acqua (Zumbi), Arnaldo Dell’Acqua (Zumbi), Ottaviano Dell’Acqua (Zumbi), Roberto Dell’Acqua (Zumbi), Captain Haggerty (Zumbi Gordo).

Diretor: Lucio Fulci; Roteiro: Elisa Briganti e Dardano Sacchetti; Produção: Fabrizio De Angelis e Ugo Tucci; Produtor Associado: Gianfranco Couyoumdjian; Trilha Sonora: Giorgio Cascio Tucci e Fabio Frizzi; Diretor de Fotografia: Sergio Salvati; Montagem: Vincenzo Tomassi; Design de Produção: Walter Patriarca; Cenografia: Carlo Ferri; Figurinos: Walter Patriarca; Maquiagem: Mirella De Rossi e Maurizio Trani; Efeitos de Maquiagem: Giannetto De Rossi; Som: Bruce Nazarian e Ugo Celani; Efeitos Especiais: Giannetto De Rossi, Giovanni Corridori, Gino De Rossi e Roberto Pace.

Classificação: !!!!!


Um comentário:

André disse...

Esse filme é uma bosta, um tédio. Tem mortes explícitas, mas não tem roteiro. Certo, um grupo de pessoas vai a uma ilha e lá se depara com mortos assassinos. E daí? Não pode ser chamado de roteiro.