sábado, março 03, 2007

O Albergue

O Albergue (Hostel, EUA, 2005 – 94 min.)

“Bem-vindo ao seu pior pesadelo.”

Dupla de amigos americanos, Paxton (Jay Hernandez) e Josh (Derek Richardson), estão viajando pela Europa como mochileiros, zoando todas e tentando comer cada mulher que aparece pela frente. Para isso, ainda contam com a companhia do islandês maluco Oli (Eythor Gudjonsson), que os guia pela noite alucinada de Amsterdã. Ficando em um albergue, uma noite em que ficaram chutando o balde até mais tarde os deixa trancados para fora do local; aí, um cara meio estranho, Alex (Lubomir Bukovy), os acolhe em seu quarto, onde fumam maconha e haxixe e Alex fala para os rapazes que não existe lugar melhor para pegar mulher do que a Eslováquia, mostrando fotos de várias mulheres lindas e nuas pegando geral.
Animado, o trio pega um trem no dia seguinte – onde conhecem um holandês muito estranho – e desembarca em Bratislava, capital do país do Leste Europeu. Lá, encontram outro albergue e se instalam; na primeira noite, os caras encontram as deliciosas Natalya (Barbara Nedeljakova) e Svetlana (Jana Kaderabkova, além da apetitosa Vala (Jana Havlickova), recepcionista de onde estão hospedados.
A noite é boa, eles se divertem até dizer chega e vão até uma boate. No dia seguinte, Oli desapareceu; Paxton e Josh estranham, mas acham que é normal e seguem na farra. Até que Josh some do mapa e Paxton, preocupado, começa a procurar por todo o lado. Com suas investigações dando em nada, o rapaz acaba sendo atraído por Natalya até uma misteriosa fábrica na periferia da cidade, onde ele descobre afinal o que aconteceu com seus amigos. E a descoberta não é nada agradável...
Segundo filme do multiuso Eli Roth, que escreveu, produziu e dirigiu, é uma pérola do terror sádico e de mau-gosto, que se apóia em cenas absolutamente chocantes de tortura e muita mulher pelada para atrair a atenção do espectador. E consegue!
Fazia muito tempo, eu não via nada tão grotesco, canalha e sem noção (e divertido) como “O Albergue”, cuja trama é supostamente baseada em fatos reais e contou com um padrinho de peso, Quentin Tarantino, que adotou o diretor depois de ver a estréia do cara em “Cabana do Terror” – aguarde comentário aqui, leitor constante, neste blog modesto.
Vamos explicar o que quer dizer cada uma das afirmações do parágrafo anterior.
Fatos reais – o diretor alega que esbarrou, na Internet, com um site filipino onde era oferecida a “oportunidade” de torturar uma pessoa até a morte, por US$ 10.000,00 (dez mil dólares); ele se interessou pelo “negócio”, mostrou o site para o amigo Tarantino e começou a fuçar por aí, interessado em fazer um documentário. Dada a enorme dificuldade de encontrar confirmações se o site era verdadeiro, Roth imaginou que ia se meter em confusão da grossa se continuasse com as perguntas. E mudou para um filme de ficção mesmo.
Grotesco – é das maiores coleções de cenas sangrentas que eu já vi em um filme, com o uso criativo de: furadeiras, alicates, serras elétricas e armas; membros decepados, cabeças perfuradas, gargantas cortadas, olhos arrancados. Mais um grande trabalho dos mestres Kurtzman, Berger e Nicotero com efeitos especiais e de maquiagem extremamente realistas e incômodos.
Canalha – dá para ver que correção política não é uma das preocupações de Roth, pois as mulheres que aparecem no filme não passam de belos pedaços de carne. Ele explora com gosto a beleza das moças do Leste Europeu, que aparentemente não querem mais nada da vida a não ser pular alegremente na cama de qualquer um que apareça. E dá-lhe peitinho e bunda para cá e para lá. Nada mau, claro, mas faz falta um pouco mais de conteúdo em cinema, com exceção da dupla Natalya e Svetlana, que são gostosas e malvadas.
Sem noção – os diálogos são impagáveis de tão ruins e os vilões, pura caricatura. Além de tudo, ele inventou uma tal de Gangue do Chiclete que rendeu cenas hilárias e que quebram um pouco os banhos de sangue na tela; e um final catártico com atropelamentos e uso interessante de um vaso sanitário.
Quanto ao elenco, nada a declarar. Um bando de nulidades, com o protagonista Hernandez apenas simpático, porém eficiente para fazer com que o espectador se preocupe com seu destino, ajudando a amplificar o clima de pesadelo de Dante que a tal fábrica representa e um bom desempenho de Jan Vlasak como o vilão principal.
Com tudo, com tudo, diversão de primeira e sem-vergonha, como tem que ser. Ademais, tem um retrato, obviamente involuntário, nada lisonjeiro dos americanos mostrados como ingênuos, loucos por sexo e completamente alienados do que pensa o resto do mundo. Será tão fora da realidade assim?

Curiosidade: o discurso em alemão de Paxton para seu “companheiro” de salinha dizia: “Se você me matar, vai destruir sua vida. Cada vez que você fechar os olhos, vai me ver na sua frente. Estarei nos seus pesadelos toda noite, pelo resto da sua vida. Eu vou arruinar você.”.

Elenco: Jay Hernandez (Paxton), Derek Richardson (Josh), Eythor Gudjonsson (Oli), Jan Vlásak (O Negociante Holandês), Barbara Nedeljakova (Natalya), Jana Kaderabkova (Svetlana), Jennifer Lim (Kana), Keiko Seiko (Yuki), Lubomir Bukovy (Alex), Jana Havlickova (Vala), Rick Hoffman (O Cliente Americano), Petr Janis (O Cirurgião Alemão), Takashi Miike (O Cliente Japonês), Patrik Zigo (Líder da Gangue do Chiclete), Milda Jedi Havlas (Recepcionista da Manhã), Martin Kubacák (Motorista de Táxi), Petr Sedlacek (Motorista de Táxi Desdentado), Josef Bradna (O Açougueiro).

Diretor: Eli Roth; Roteiro: Eli Roth; Produção: Eli Roth, Chris Briggs e Mike Fleiss; Daniel S. Frisch e Philip Waley; Produção Executiva: Quentin Tarantino, Scott Spiegel e Boaz Yakin; Trilha Sonora: Nathan Barr; Direção de Fotografia: Milan Chadma; Montagem: George Folsey Jr.; Seleção de Elenco: Ivan Vorlicek e Kelly Wagner; Design de Produção: Franco-Giacomo Carbone; Direção de Arte: David Baxa; Cenografia: Karel Vanasek; Figurinos: Franco-Giacomo Carbone; Maquiagem: Rini Lemanova; Efeitos de Maquiagem: Howard Berger e Gregory Nicotero; Som: Brian Best, Tateum Kohut e Sean McCormack; Efeitos Especiais: Martin Pryca, Howard Berger, Grady Holder e Kevin Wasner; Efeitos Visuais: Robert Kurtzman e Miro Gal.

Classificação: !!!

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