domingo, março 18, 2007

Alta Tensão

Alta Tensão (Haute Tension / High Tension / Switchblade Romance, FRA, 2003 – 87 min.)

“Uma casa isolada… Uma família unida… Uma visita inesperada…”

Duas amigas de faculdade, Marie (Cécile de France, de “Albergue Espanhol”) e Alex (Maiwenn) estão a caminho da casa dos pais da segunda para uma sessão de estudos antes das provas finais, aproveitando a paz e quietude do local. Após se instalarem e colocarem o papo em dia, as moças vão se deitar. Repentinamente, um homem misterioso (Phillipe Mahon) pára seu caminhão na porta, mata todos os habitantes da casa e seqüestra Alex; o que ele não contava é que Marie conseguiu se esconder e vai junto com a amiga para tentar deter o assassino.
Um bom filme do gênero psicopata-na-floresta, feito com vontade e força pelo duo francês Aja e Levasseur, que depois deste soco no estômago iriam para os EUA para fazerem a nova versão de “Quadrilha de Sádicos” (com o nome de “Viagem Maldita”), já comentado aqui no blog para vocês, leitores constantes. Junto com outros jovens diretores (como Eli Roth, de “O Albergue” e Darren Lynn Bousman e James Wan, da série “Jogos Mortais”), a dupla francesa tem ajudado a revitalizar o gênero com suas obras e trazido de volta os antigos fãs, meio órfãos de um horror sangrento e de qualidade desde o boom do terror adolescente do meio da década de 80 até o começo dos anos 2000.
“Alta Tensão” faz jus ao nome, com um suspense enervante criado pelo diretor, utilizando com maestria o ambiente isolado da casa de fazenda e o som, com a câmera sendo nossos olhos em relação ao que se desenrola na trama. As cenas do ataque do cara são de roer as unhas, com a checagem cuidadosa e metódica dos quartos e cômodos da casa por parte do vilão, deixando a nós, pobres espectadores, na beira da cadeira.
Se ficasse somente no suspense, já estaria de bom tamanho; mas, eles gostam mesmo é de sangue espirrando. E temos muito para nos deliciar, com membros e cabeças decepadas, tiros, gargantas cortadas e o uso criativo de um bastão de cerca com arame farpado. O trabalho do veterano Giannetto de Rossi (que realizou grandes filmes com diretores do porte de um Sergio Leone, em “Era Uma Vez no Oeste”; Bernardo Bertolucci, em “1900” e, principalmente, com o mestre do terror splatter italiano, Lucio Fulci, em “Do Além”, “Zumbi” e muitos outros) está fenomenal, com muito sangue e mutilações a granel com um senso de realidade nauseante.
No que diz respeito ao elenco, destaco o grande trabalho de Cécile de France, habitualmente em papéis delicados, mandando bala como a imprevisível Marie e demonstrando mais conteúdo do que somente gritar o tempo todo, o que ela deixou para a esquisitinha Maiwenn, no papel de Alex. Phillipe Mahon também está ótimo como o assassino indestrutível e sem clemência, dando muita raiva dele e torcendo para que o cara se ferre legal.
O roteiro ainda guarda uma surpresa e tanto, que obviamente não vou falar qual é; mesmo já tendo aparecido em outras produções, ainda mantém o impacto pela eficiente mis-em-scéne criada pela dupla Aja e Levasseur em um dos finais mais sangrentos e nojentos que eu já vi. E eu já vi muita coisa...
Não recomendo para espectadores mais convencionais, mas quem gostar de filmes fora do circuito americano e de um terror bem realizado e tenso, terá um prato cheio.

Elenco: Cécile de France (Marie), Maiwenn Le Besco (Alexia), Phillipe Mahon (O Assassino), Franck Khalfoun (Jimmy – frentista), Andrei Finti (Daniel – pai de Alex), Oana Pellea (Mãe de Alex), Marco Claudiu Pascu (Tom), Jean-Claude de Goros (Capitão de Polícia), Bogdan Uritescu (Policial), Gabriel Spahiu (Motorista).

Diretor: Alexandre Aja; Roteiro: Alexandre Aja e Grégory Levasseur; Produção: Alexandre Arcady e Robert Benmussa; Co-produção: Luc Besson; Produção Executiva: Andrei Boncea e Inigo Lezzi; Trilha Sonora: François Eudes; Diretor de Fotografia: Máxime Alexandre; Montagem: Baxter; Seleção de Elenco: Florin Kevorkian; Design de Produção: Renald Cotte Verdy e Tony Ergy; Direção de Arte: Grégory Levasseur; Cenografia: Gabriela Nechita; Maquiagem: Gabi Cretan; Efeitos de Maquiagem: Giannetto de Rossi; Som: Didier Lozahic e Didier Lesage; Efeitos Sonoros: Pierre André, Mihai Burtan, Marian Costea e Bogdan Varzaru; Efeitos Especiais: Adrian Popescu; Efeitos Visuais: Christophe Chanvin.

Classificação:
!!!

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