sábado, fevereiro 17, 2007

Viagem Maldita

Viagem Maldita (The Hills Have Eyes, EUA, 2006 – 108 min.)

“Quem tem sorte, morre primeiro.”

A família Carter faz uma viagem de comemoração dos 25 anos de casamento de Big Bob (Ted Levine) e Ethel (Kathleen Quinlan), indo de carro até San Diego com todos os filhos e netos; como toque Disney, eles têm um casal de pastores alemães, chamados Bela e Fera. Não é fofo? Quando param para abastecer, recebem indicação de um atalho do dono do posto (Tom Bower, o Marvin de “Duro de Matar 2”) através do deserto do Novo México que pouparia várias horas de estrada.
Eles pegam o tal atalho e sofrem um “acidente”, ficando parados no meio do nada. Aí, são atacados por um bando de mutantes deformados, resultantes dos testes nucleares de superfície dos anos 50 e que vivem de carne humana. Os Carter sobreviverão a esse ataque brutal?
Refilmagem do clássico podreira dos anos 70 dirigido por Wes Craven (que atua aqui como produtor) que buscou dar uma nova roupagem, mais adequada ao século XXI, no aniversário de 30 anos do original. Missão cumprida, pessoal! Aproximadamente 15 minutos mais longo do que o primeiro, utilizou com sucesso os melhores efeitos especiais e um orçamento mais generoso para entregar um bom filme de terror com ótimos momentos sangrentos e suspense bastante aceitável.
No lado dos normais, Aaron Stanford é o destaque, com uma boa atuação e retratando com garra o desenvolvimento de seu personagem na situação-limite a que foi submetido, deixando bastante críveis as ações de Doug. Quanto aos heróis, Robert Joy está fantástico como o insano e cruel Lizard, sob pesada maquiagem e o rei do filme B Billy Drago está bem legal como o paizão bacana Júpiter, dono de uma das melhores cenas.
Um toque interessante foi dar uma história de fundo mais desenvolvida para os mutantes, deixando mais fáceis de seguir os porquês de fazerem o que fazem; inclusive mostrando, na abertura, muitas cenas de arquivo dos testes nucleares de superfície nos EUA e fotos de deformações reais, causadas por Chernobyl e pelo uso do gás venenoso Agente Laranja no Vietnam, já dando o tom do que viria a seguir. Os efeitos de maquiagem estão ótimos, em mais um grande trabalho de Berger e Nicotero, com a maioria dos mutantes sendo criados com efeitos físicos em vez de computação gráfica, dando muito mais realismo aos monstros e deixando toda a trama mais assustadora com um tom sem meias palavras e sem esconder do espectador, por meio de cortes de montagem, os resultados dos ataques.
Na verdade, desde a cena de abertura, já sabemos que vamos assistir muitos momentos grotescos e assassinatos violentíssimos, com o uso diferente de uma picareta por Pluto (vivido por um dedicado Michael Bailey Smith, em boa performance mesmo sob muita maquiagem), em agentes do governo americano que vêm verificar o nível de radiação. Depois daí, temos tiros, membros decepados, machadadas, pessoas assadas, mordidas rascantes e pancadaria a granel. Uma festa gore e sádica muito divertida.
O filme não é isento de defeitos. Os Carter, embora melhor escritos do que no original, fazendo com que nos preocupemos mais com seus destinos (sempre importante em um filme do gênero, se importar com os protagonistas deixa tudo ainda mais medonho), mostram reações sem sentido por vezes e chegam a irritar pela apatia ou pela histeria exagerada. A inexperiência do diretor Aja, francês de nascimento em seu primeiro filme americano, fica revelada na fraca direção de atores e nas falhas de ritmo, que é muito irregular e lento demais em algumas passagens; embora ele demonstre um grande apuro visual e verdadeira vocação para o suspense, com planos bem construídos e total falta de vergonha de mostrar o que tem que mostrar e não ter preocupações politicamente corretas, algo sempre salutar e saudável em nossos tempos bundões.
Para quem tiver curiosidade, o original foi lançado aqui com o nome “Quadrilha de Sádicos” e pode ser encontrado em boas locadoras e sebos. Já temos uma seqüência pronta (puxada pelo gancho obrigatório na cena final), que deve ser lançada este ano aqui e nos EUA.
Não é um programa fácil, mas é simplesmente imperdível para os fãs de terror.

Elenco: Máxime Giffard (Primeira Vítima), Michael Bailey Smith (Pluto), Tom Bower (Dono do Posto), Ted Levine (Big Bob), Kathleen Quinlan (Ethel), Dan Byrd (Bobby), Emilie de Ravin (Brenda), Aaron Stanford (Doug), Vinessa Shaw (Lynn), Maisi Camilleri Preziosi (Bebê Catherine), Robert Joy (Lizard), Laura Ortiz (Ruby), Ezra Buzzington (Goggle), Billy Drago (Júpiter), Gregory Nicotero (Cyst), Ivana Turchetto (Big Mama), Desmond Askew (Big Brain), Judith Jane Vallette (Criança Deformada) e Adam Perrell (Criança Deformada).

Diretor: Alexandre Aja; Roteiro: Alexandre Aja e Gregory Levasseur, baseados no roteiro de Wes Craven “Quadrilha de Sádicos”, de 1977; Produção: Wes Craven, Peter Locke, Marianne Maddalena e Samy Layani; Produtor Associado: Cody Zwieg; Produção Executiva: Frank Hildebrand e Inigo Lezzi; Trilha Sonora: Tomandandy; Direção de Fotografia: Máxime Alexandre; Montagem: Baxter; Seleção de Elenco: Mark Bennett; Design de Produção: Joseph Nemec III; Direção de Arte: Tamara Martin; Cenografia: Alessandra Querzola; Figurinos: Danny Glicker; Maquiagem: Massimiliano Duranti, Mario Michisanti, Scott Patton e Matteo Silvi; Efeitos de Maquiagem: Howard Berger e Greg Nicotero; Som: Richard Adrian, Dane A. Davis, François Eudes Chanfrault, Mark Larry, Ezra Dweck e Ken S. Polk; Efeitos Sonoros: Carla Murray e Bryan O. Watkins; Efeitos Especiais: Danilo Bollettini, Franco Argusa, Karl Derrick, Grady Holder e Kevin Wasner; Efeitos Visuais: Jamison Scott Goei.

Classificação: !!!

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