sábado, janeiro 06, 2007

Sinais

Sinais (Signs / M. Night Shyamalan’s Signs, EUA, 2002 – 106 min.)

“Uma Mensagem. Um Aviso. Um Sinal... Do que está por vir.”

Eu sou fã do diretor indiano M. Night Shyamalan! Depois de um filme obscuro de estréia (acho que foi uma comédia, não me lembro bem. Viram só como é obscuro?), Night chegou na poderosa Disney com a cara, a coragem e um roteiro intrigante sobre um menino que vê pessoas mortas. O resultado foi um dos maiores sucessos de bilheteria da história do cinema, “O Sexto Sentido”, que de quebra ressuscitou Bruce Willis e apresentou o fantástico ator mirim Haley Joel Osment.
Mesmo sendo um perfeito desconhecido, Night exigiu controle total sobre o filme. Os engravatados tiveram um momento de lucidez e apostaram no rapaz. E ele é hoje um dos cineastas mais autorais, fazendo sempre o que ele acha que vai ser bom e se lixando para estratégias de marketing e milhares de efeitos especiais por fotograma (claro que na medida do possível, ninguém pode ser ingênuo de acreditar que concessões não são feitas). Acredito que Shyamalan sofre, por parte do público, da síndrome do blockbuster. Depois de cometer “O Sexto Sentido”, todo mundo acha que os filmes dele tem que ser iguais e, esperando sempre essa similaridade, ficam decepcionados e saem malhando.
Aconteceu assim com “Corpo Fechado” (aguardem comentário no blog). Quem não se lembra de ter ouvido, pelo menos uma vez na saída do cinema: “Nossa, que filme ruim... Não é nada parecido com o Sexto Sentido. Que lixo!”.
O que ficou claro, desde que vi “Corpo Fechado” pela primeira vez, é de que estava diante de um autor de verdade, que busca fazer coisas diferentes sempre mas com um toque pessoal uniforme, seguindo a tradição de Kubrick e Hitchcock. No caso de Shyamalan, para mim, o toque pessoal que ele imprimiu em seus filmes é a clara opção de narrar a história com respeito e reverência ao espectador (além de alguns elementos emblemáticos como as imagens refletidas em telas de TV; a cor vermelha; a Filadélfia e acidentes de carro). Como assim? No seguinte sentido: os filmes dele têm um ritmo lento e constante de se desenrolar, despertando interesse contínuo; somos enredados de tal maneira em seus roteiros que não dá para desgrudar os olhos da tela. Bem, peço que me perdoem a digressão acima.
Vamos falar agora de “Sinais”. Passado, como sempre, na Filadélfia, conta a história da família Hess. Graham Hess (Mel Gibson), é um pastor que deixou o ministério depois da morte violenta da esposa Coleen em um acidente de carro. Amargo e questionando sua fé a cada momento, ele mora em uma fazenda com o irmão Merrill (Joaquin Phoenix) e os filhos Morgan (Rory Culkin) e Bo (Abigail Breslin).
Um certo dia, a plantação amanhece com círculos marcados em estranhos padrões; e nenhuma das plantas foi quebrada, além de estranhas mortes e doenças de animais. Alarmado, Graham tenta descobrir quem fez aquilo e acaba sendo levado a acreditar que os sinais foram feitos por alienígenas que querem invadir a Terra. Saindo do lugar-comum, toda a trama se desenrola lentamente, abusando de planos fechados e, sugerindo mais do que mostrando os alienígenas, que realmente possuem intenções hostis e obrigando os personagens a se defenderem.
Como já é tradição nos filmes de Shyamalan, o elenco infantil está ótimo e não enche a paciência do espectador. E o astro principal segura bem a onda. Mel Gibson está muito bem como um dos personagens mais humanos que já interpretou, ajudado com galhardia por um dos melhores atores de sua geração, o feioso e super-expressivo Joaquin Phoenix, que já havia dado trabalho aos oscarizados Russell Crowe em “Gladiador” e Geoffrey Rush em “Quills”, roubando as cenas. Os dois ficam bem em cena e um complementa o outro. Méritos para o roteiro do diretor, que apesar de conter alguns furos, criou bons personagens. Ainda temos a tradicional aparição do multi-talentoso diretor, no papel de um veterinário da região que é importantíssimo para a trama.
Alguns destaques são as cenas da primeira excursão de Graham na plantação; a citação clara dos filmes de mortos-vivos quando a família Hess fica presa no porão e o encontro de Graham com o alienígena na cozinha.
Um programaço, soturno e sóbrio. Saliento que a falta de um ritmo mais acelerado pode aborrecer a maioria dos espectadores, mas garanto que vai valer a pena ter assistido.

Elenco: Mel Gibson (Reverendo Graham Hess), Joaquin Phoenix (Merrill Hess), Rory Culkin (Morgan Hess), Abigail Breslin (Bo Hess), Cherry Jones (Oficial Paski), M. Night Shyamalan (Ray Reddy), Patricia Kalember (Colleen Hess), Ted Sutton (Cunningham), Merritt Wever (Tracey Abernathy), Lanny Flaherty (Sr. Nathan), Marion McCorry (Sra. Nathan), Michael Showalter (Lionel Prichard).

Diretor: M. Night Shyamalan; Roteiro: M. Night Shyamalan; Produção: M. Night Shyamalan, Sam Mercer e Frank Marshall; Produção Executiva: Kathleen Kennedy; Trilha Sonora: James Newton Howard; Direção de Fotografia: Tak Fujimoto; Montagem: Barbara Tulliver; Seleção de Elenco: Douglas Aibel; Design de Produção: Larry Fulton; Direção de Arte: Keith P. Cunningham; Cenografia: Douglas A. Mowat; Figurinos: Ann Roth; Maquiagem: Bernadette Mazur e Francesca Paris; Som: Michael Semanick, Lee Dichter e Richard King; Efeitos Sonoros: Caseline T. Kunene, Michael W. Mitchell e Ambition Sandamela; Efeitos Especiais: Steve Cremin; Criaturas: Erik Jensen, Rodney Morgan, Michael Steffe, Danny Wagner e Mark Walas; Efeitos Visuais: Eric Brevig e Stefen Fangmeier.

Classificação:
!!!

Um comentário:

Anônimo disse...

oi, achei esse blog muito legal e gostaria de fazer a seguinte pergunta sobre a trilogia "Premonição":
Que mistérios tem o número 180 para ser o n° da morte nesses filmes?