terça-feira, dezembro 26, 2006

Sexta-Feira 13


Sexta-Feira 13 (Friday the 13th / A Long Night at Camp Blood, EUA, 1980 – 95 min.)

“Eles foram Avisados... Eles foram Condenados... E, na Sexta-Feira 13, nada poderá salvá-los.”

Um grupo de jovens, liderados por Alice (Adrienne King), são contratados por Steve Christy (Peter Brouwer) para reabrir um acampamento de verão, fechado há mais de 20 anos; a razão para o local ter sido fechado foi a ocorrência do assassinato de dois monitores em 1958, logo após o menino Jason Voorhees (Ari Lehman) ter se afogado no lago.
Ignorando esse fato, Steve quer colocar o lugar em ordem, para voltar a funcionar o quanto antes; em uma Sexta-Feira 13, os jovens começam a chegar e são avisados pela população da cidade para ficarem afastados do Lago Cristal, pois existe uma maldição sobre o local. O mais veemente de todos é Crazy Ralph (Walt Gorney).
Os avisos são recebidos com desdém pelos garotos, que alegremente vão começando a trabalhar, brincar e transar. Só que, um a um, eles vão sendo assassinados por um misterioso personagem que não vai permitir a reinauguração, jamais, enquanto os monitores não pagarem por sua negligência...
Uma simplificação da trama criada por John Carpenter em “Halloween”, este filme independente estabeleceu as bases para o slasher movie descartável (adolescentes em ebulição hormonal, florestas e um assassinato a cada cinco minutos) e arrebentou nas bilheterias (arrecadou mais de 50 vezes seu orçamento, sem contar as locações e vendas de VHS e DVD), gerando nada mais nada menos do que nove sequências e incontáveis imitações e cópias.
Por causa da massificação dos seus elementos, é uma produção muito subestimada e até mesmo ignorada como referência do gênero. Mas, na verdade, faz parte do seleto grupo de clássicos do terror, onde conta com uma história interessante (cheia de nudez discreta e mulheres bonitas desfilando de lingerie), atuações razoáveis e um trabalho incrível do mestre Tom Savini (de “A Noite dos Mortos-Vivos” e “Amanhecer dos Mortos”, para ficar nos mais famosos) nos efeitos especiais e de maquiagem, especialmente se for considerado o avanço tecnológico da época – muita coisa bacana era feita na raça, sem a muleta dos computadores.
Além disso, a direção é segura e cria um bom suspensezinho entre as mortes, ajudada pela excelente trilha sonora de Harry Manfredini; este criou um dos mais executados temas de todos os tempos, o famoso “ki-ki-ki, ma-ma-ma”, que segundo ele são simplificações das palavras “kill them mom”. Não vou falar mais para não estragar a surpresa de quem ainda não viu.
O elenco é OK, com destaque para Betsy Palmer (uma ex-estrela da TV, uma espécie de namoradinha da América que gerou muita polêmica ao fazer este papel; inclusive, sofreu um ataque inédito de um crítico de cinema, o qual publicou seu endereço na coluna e incitou os leitores a escreverem para ela protestando pela “traição”) como a mãezona Voorhees; Adrienne King como Alice (depois deste e da sequência “Sexta-Feira 13 – Parte 2”, nunca mais atuou depois de ter sido perseguida por um fã obsessivo e quase ter sido assassinada de verdade); Harry Crosby, filho do cantor dos anos 30 e 40 Bing Crosby (que chegou a atuar com a princesa Grace Kelly no musical “Alta Sociedade”), como Bill e um iniciante Kevin Bacon, futuro astro, como Jack.
Como dito acima, ficou muito previsível (pelo monte de continuações e imitações) e datado, mas ainda é um dos mais legais filmes de terror de todos os tempos, muito divertido e com ótimas mortes sangrentas (gargantas cortadas, machadadas na cara, cabeças decepadas, flechadas, etc).
Nenhum fã do gênero e mesmo quem apenas gosta de cinema pode passar sem. Assistam!

Elenco: Betsy Palmer (Sra. Pamela Voorhees), Adrienne King (Alice Hardy), Harry Crosby (Bill), Laurie Bartram (Brenda), Jeannine Taylor (Marcie Cunningham), Kevin Bacon (Jack Burrell), Mark Nelson (Ned Rubinstein), Robbi Morgan (Annie), Peter Brouwer (Steve Christy), Rex Everheart (Enos – motorista de caminhão), Ron Carroll (Sargento Tierney), Ron Milkie (Policial Dorf), Walt Gorney (Crazy Ralph), Willie Adams (Barry), Debra S. Hayes (Claudette), Dorothy Kobs (Trudy), Sally Anne Golden (Sandy – garçonete), Ken L. Parker (Médico) e Ari Lehman (Jason Voorhees).

Diretor: Sean S. Cunningham; Roteiro: Victor Miller; Produção: Sean S. Cunningham; Produtor Associado: Steve Miner; Produção Executiva: Alvin Geiler; Trilha Sonora: Harry Manfredini; Direção de Fotografia: Barry Abrams; Montagem: Bill Freda; Seleção de Elenco: Julie Hughes e Barry Moss; Design de Produção e Direção de Arte: Virginia Field; Efeitos de Maquiagem, Especiais e Visuais: Tom Savini; Som: Lee Dichter.

Classificação:
!!!!

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