terça-feira, dezembro 26, 2006

Scanners - Sua Mente Pode Destruir

Scanners – Sua Mente Pode Destruir (Scanners, CAN, 1981 – 103 min.)

“Existem 4 bilhões de pessoas no mundo. 237 são Scanners. Eles possuem os mais aterrorizantes
poderes jamais criados... E estão vencendo.”

“10 segundos: A dor começa; 15 segundos: Você não consegue respirar; 20 segundos: Você Explode.”

Em um seminário, o palestrante pede um voluntário da platéia para participar de uma experiência, pois ele é um scanner (pessoa com poderes psíquicos desenvolvidos através da aplicação de uma droga sintética antes dela nascer) e irá demonstrar como funcionam seus poderes. Todos se entreolham e apenas um homem se levanta. Sentados um ao lado do outro, os dois começam a se olhar e o palestrante treme violentamente, sente espasmos e sua cabeça explode!
A empresa Consec fica alarmada com o ocorrido, pois tudo leva a crer que o programa Scanner, criado pelo Dr. Ruth (Patrick McGoohan) aparentemente saiu de controle e um dos telepatas, Daryl Revok (Michael Ironside) está convidando todos os scanners do país a se juntarem a ele e formar um exército para tomar o poder.
Extremamente apreensivos, eles pedem a Ruth que encontre uma maneira de proteger os interesses da empresa e controle os Scanners. O doutor assim o faz, ao recolher Cameron Vale (Stephen Lack) das ruas e ensinar o rapaz a aprimorar seus poderes para poder enfrentar Revok.
À medida que investiga o paradeiro de Revok, Vale descobre que nem tudo é o que parece ser na Consec e, com a ajuda de Kim (Jennifer O'Neil, de “O Verão de 42”), vai ter que lutar para sobreviver, uma vez que Revok tem um espião na Consec e está quase pegando-o. Mas será que Daryl é tão mau assim?
Filme que chamou definitivamente a atenção para o diretor canadense David Cronenberg, aqui tratando, mais uma vez, dos temas que lhe são caros: a incapacidade do homem de conter seu próprios impulsos e como a ciência pode ser nociva quando desprovida de ética e padrões mínimos de conduta por parte dos cientistas.
Um cineasta com grande predileção pela violência gráfica e efeitos especiais melequentos para mostrar seus pontos de vista, Cronenberg trouxe o veterano Dick Smith para elaborar os efeitos impressionantes dos ataques dos scanners nas outras pessoas. O filme ficou famoso pelas cenas onde as cabeças explodiam (cujo visual foi conseguido ao encher uma cabeça de látex com comida de cachorro e fígados de coelho e dando um tiro de espingarda calibre 12 por trás) e pela falta de pudor do diretor em mostrar sangue e idéias polêmicas sobre dominação e poder, através dos personagens de Ironside e McGoohan.
A produção é muito interessante, tendo sido premiada em diversos festivais pelo mundo e só é prejudicada pela irregularidade de ritmo narrativo (cuja lentidão, embora desenvolva melhor as idéias do roteiro, chega a dar sono) impressa por Cronenberg, principalmente nas cenas onde aparecem o casal protagonista, Stephen Lack e Jennifer O'Neil. Os dois são muito fracos e quase acabam com o filme, salvo pelas sempre atuais advertências do roteiro e o vilão deliciosamente maligno de Ironside, além de, é claro, o duelo final, bem sangrento e recheado de sangue espirrando e olhos explodindo.
Contando ainda com um final enigmático, vale a pena conferir esse trabalho da fase inicial de um dos melhores diretores do cinema fantástico de todos os tempos.
O sucesso foi tão grande que originou mais duas sequências (de 1991 e 1992) ambas ridículas de tão forçadas e mal-feitas; além do spin-off (baseado em personagem apenas) “Scanner Cop”, que já tem dois filmes, também extremamente ridículos. Em suma, quer ver alguma coisa com scanners? Veja este aqui e só, o resto nem perca seu tempo.

Elenco: Stephen Lack (Cameron Vale), Michael Ironside (Daryl Revok), Jennifer O'Neil (Kim Obrist), Patrick McGoohan (Dr. Paul Ruth), Lawrence Dane (Braedon Keller), Robert Silverman (Benjamin Pierce), Mavor Moore (Trevelian), Adam Ludwig (Arno Crostic), Fred Doederlein (Dieter Tautz), Murray Cruchley (Programador #1), Geza Kovacs (Assassino na Loja de Discos), Sony Forbes e Jerome Tiberghien (Assassinos no Sótão), Denis Lacroix e Elizabeth Murdry (Assassinos no Celeiro), Graham Batchelor (Mestre Iogue).

Diretor: David Cronenberg; Roteiro: David Cronenberg; Produção: Claude Heroux; Produção Executiva: Pierre David e Victor Solnicki; Trilha Sonora: Howard Shore; Direção de Fotografia: Mark Irwin; Montagem: Ronald Sanders; Direção de Arte: Carol Spier; Design de Produção: Alfred; Figurinos: Delphine White; Maquiagem: Brigitte McCaughry e Constant Natale; Efeitos de Maquiagem: Dick Smith e Chris Walas; Som: Peter Burgess, Paul Coombe e Mike Hoogenboom; Efeitos Especiais: Dennis Pike e Gary Zeller.

Classificação:
!!

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