segunda-feira, dezembro 11, 2006

Poltergeist - O Fenômeno

Poltergeist – O Fenômeno (Poltergeist, EUA, 1982 – 114 min.)

“Eles estão aqui.”

A família Freeling acaba de se mudar para uma casa nova, parte do empreendimento onde Steve (Craig T. Nelson) trabalha e é o melhor vendedor. Junto com Diane (JoBeth Williams), Dana (Dominique Dunne), Robbie (Oliver Robbins) e a caçula Carol Anne (Heather O’Rourke), Steve não poderia estar mais feliz. Inclusive, está ampliando a casa e construindo uma piscina no quintal. Tudo nos leva a crer que estamos diante de uma típica família americana, com seus afazeres e prazeres comuns, de todo mundo. Só que há um pequeno detalhe, que o chefe de Steve, o Sr. Teague (James Karen) deixou passar quando deu a casa aos Freeling: a construção foi erguida em cima de um antigo cemitério e os corpos ficaram lá; somente as lápides foram removidas para um novo local.
Um dia, Carol Anne começa a conversar com a TV fora do ar; estranhos fenômenos acontecem na casa, como cadeiras que se movem sozinhas, árvores com vontade própria e barulhos esquisitos; tudo vai para o vinagre de vez quando a garotinha desaparece. Aparentemente, ela está dentro da TV, pedindo socorro.
Angustiados, os pais recorrem à equipe da Dra. Lesh (Beatrice Straight), especializada em fenômenos parapsicológicos, que fica na casa e tenta entender o que está realmente acontecendo. Quando fica clara a ocorrência de manifestações sobrenaturais legítimas, a única esperança daquela família é a ajuda da clarividente Tangina Barrons (Zelda Rubinstein, de “Os Olhos da Cidade São Meus”).
Sucesso de bilheteria, o filme é um dos poucos clássicos do gênero que foram realizados dentro do mainstream hollywoodiano. Tanto para o bem quanto para o mal.
A parte boa, obviamente, é a produção muito bem-cuidada e polida, com efeitos fantásticos e parte técnica impecável (a fotografia, por exemplo, é um primor, com a subexposição de luz e cores dando a tudo um ar lúgubre e macabro). Já a parte ruim é a necessidade de concessões ao considerado politicamente correto o tempo todo e ter que se curvar às exigências mercadológicas do estúdio, que não pode ter um produto proibido para menores nas mãos.
Uma pena. Somente podemos imaginar o que o diretor Tobe Hooper faria com um material desses nas mãos, sem ter que se preocupar com a constante intervenção de Spielberg (dizem as más línguas que Hooper foi um mero operário, sendo todas as decisões criativas sido tomadas por Spielberg, que inclusive chegou ao cúmulo de praticamente montar o filme sozinho). Embora extremamente talentoso, ele é claramente careta demais para o gênero e Hooper é o responsável pelo nada mais, nada menos, slasher movie definitivo, “O Massacre da Serra Elétrica”, de 1974, que mantém sua força até hoje como um dos filmes mais perturbadores e doentios já realizados, além de ter dado ao mundo Leatherface (yeah!).
Assim, apesar de algumas cenas mais fortes (o rosto no espelho, o bife que anda, o palhaço, a piscina, a batalha final) e o fato de Freeling-pai e Freeling-mãe curtirem puxar um fuminho (os dois dividem um charutão da erva maldita enquanto os petizes passeiam para lá e para cá. E, o que é mais incrível, a cena não foi limada na ilha de edição!), o clima de a-família-e-o-amor-vencem-tudo prevalece e tira boa parte do potencial aterrorizante da história, que diga-se de passagem é muito boa e tinha terreno para colar o espectador na cadeira e causar pesadelos por muito tempo. Do jeito que ficou, é divertido e dá um medinho bacana, mas aquele gostinho de podia-ter-sido-mais-fodão permanece...
Deixando essas considerações de lado temos um elenco dedicado, com boa química na tela e que realmente traz o espectador para torcer por eles, com destaque para: Zelda Rubinstein como a vidente Tangina, sua figura diminuta e voz inconfundível ajudaram-na a se tornar um mito do gênero terror com seu personagem cheio de personalidade e a menininha Heather O’Rourke como Carol Anne deixou muita gente sem dormir com sua carinha de anjo e frases misteriosas (aquele sorrisinho depois de contar para os pais sobre os amiguinhos da TV é de arrepiar).
Foi indicado para três Oscars em 1983 (Melhor Som, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Trilha Sonora) e rendeu ainda duas sequências: “Poltergeist II: O Outro Lado”, de 1986 e “Poltergeist III: O Capítulo Final”, de 1988, progressivamente piores e sem imaginação.
Agora, vamos falar um pouquinho de fofocas. Como nenhuma boa ação segue sem punição, existem rumores de que existe uma “Maldição Poltergeist”. A atriz Dominique Dunne, que faz o papel de Dana, foi assassinada (estrangulada) pelo namorado pouco depois do lançamento nos cinemas; Heather O’Rourke, a Carol Anne, morreu de uma doença misteriosa um pouco antes de a terceira parte ser lançada, com 15 anos de idade (o final do filme teve que ser feito com uma dublê de corpo); o vilão do segundo filme, Julian Beck, que fez o Reverendo Kane, descobriu que estava com câncer e foi devastado em menos de dois meses (algumas cenas tiveram que ser filmadas com um dublê); uma cena com um acidente de carro no terceiro filme se descontrolou e uma explosão quase matou os técnicos que trabalhavam ali; Will Sampson, o Taylor do segundo filme, morreu alguns meses depois do lançamento de complicações após uma cirurgia cardíaca; Dominique Dunne e Heather O’Rourke estão enterradas no mesmo cemitério de Los Angeles (brrrr!) e muitas carreiras dos envolvidos sofreram depois, como a de Craig T. Nelson (que ficou anos no ostracismo na TV) e a de Tobe Hooper, que ainda mostrando alguns espasmos de talento (com “Força Sinistra”, de 1985 e “O Massacre da Serra Elétrica 2”, de 1986) nunca mais foi o mesmo e seus filmes são uma porcaria há mais de 20 anos. Verdade? Mentira? Só digo uma coisa: “Jo no creo en brujas; pero que las hay, las hay”.

Elenco: Craig T. Nelson (Steve Freeling), JoBeth Williams (Diane Freeling), Beatrice Straight (Dra. Lesh), Dominique Dunne (Dana Freeling), Oliver Robbins (Robbie Freeling), Heather O’Rourke (Carol Anne Freeling), Martin Casella (Dr. Marty Casey), Richard Lawson (Ryan), Zelda Rubinstein (Tangina Barrons), James Karen (Sr. Teague), Michael McManus (Ben Tuthill), Virginia Kiser (Sra. Tuthill), Lou Perryman (Pugsley), Clair E. Leucart (Motorista da escavadeira), Dirk Blocker (Jeff Shaw), Allan Graf (Sam, o vizinho), Joseph Walsh (Joey, o vizinho), Helen Baron (Compradora), Noel Conlon (Marido da compradora), Robert Broyles (Trabalhador da piscina #1), Sonny Landham (Trabalhador da piscina #2).

Diretor: Tobe Hooper; Roteiro: Steven Spielberg (história) e Steven Spielberg, Michael Grais e Mark Victor (roteiro); Produção: Steven Spielberg e Frank Marshall; Produtora Associada: Kathleen Kennedy; Trilha Sonora: Jerry Goldsmith; Direção de Fotografia: Matthew F. Leonetti; Montagem: Michael Kahn; Seleção de Elenco: Jane Feinberg, Mike Fenton e Marci Liroff; Design de Produção: James H. Spencer; Cenografia: Cheryal Kearney; Maquiagem: Dorothy J. Pearl e Toni-Ann Walker; Efeitos de Maquiagem: Craig Reardon; Som: Richard L. Anderson, Stephen Hunter Flick, Steve Maslow, Kevin O’Connell e Bill Varney; Efeitos Sonoros: Alan Howarth, John Dunn e Mark A. Mangini; Efeitos Especiais: Michael Wood, Thaine Morris e Robert Cole; Efeitos Visuais: Richard Edlund e Mitch Suskin.

Classificação: !!!!

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