sábado, dezembro 09, 2006

O Padrasto

O Padrasto (The Stepfather, EUA, 1987 – 91 min.)

“Ele queria uma família perfeita, numa cidade perfeita. Mas elas não conseguiam atingir o padrão... Como as outras também não puderam.”

Jerry Blake (Terry O’Quinn) não quer muito da vida. Em um relacionamento firme com Susan (Shelley Hack), seu único desejo é casar e formar uma família, tradicional e ordeira, com uma casa bonita, bons amigos e um cachorro. Para isso, ele está tendo um pouco de trabalho para convencer Stephanie (Jill Schoelen), filha de Susan, de suas boas intenções. Eventualmente, os dois se entendem e o casamento acontece.
As desconfianças de Stef ressurgem quando ela flagra seu padrasto em uma fúria descontrolada no porão, durante a festa de inauguração da casa e comemoração do casamento. Ela então começa a fuçar e suspeita que foi Jerry o responsável pelo assassinato de uma família inteira um ano antes de ele conhecer sua mãe, em uma cidade da região.
Jerry descobre que a enteada está investigando seu passado e dá um jeito de encobrir os rastros; o que ele não sabe é que Jim (Stephen Shellen), seu ex-cunhado e que o conhece por Henry Morrison, nunca se conformou com a morte da irmã e está chegando perto, tendo inclusive estabelecido o padrão de Jerry. Este funciona assim: o pirado chega numa cidade, casa-se com uma viúva ou divorciada com filhos e persegue seu ideal familiar; quando a família o desaponta, ele mata todo mundo e parte para outra tentativa. Assim, está na hora de procurar outro local e outra família para transformar na imagem da perfeição, pois Stef, ao investigá-lo e colocar o psiquiatra dela, Dr. Bondurant (Charles Lanyer) para testar suas reações (o bom doutor não apreciou o resultado) e Susan, ao defender a filha de suas ordens, o decepcionaram, e muito.
Tendo estabelecido uma nova identidade e um novo emprego em outra cidade, além de uma moçoila em perspectiva, é chegado o momento de Jerry “despachar” Susan e Stephanie; mas, Jim está na cidade e já sabe onde procurar...
Thriller convencional sobre serial killers, com o diferencial de mostrar a perseguição da família tradicional e ordeira como motivo de desequilíbrio mental, algo nunca utilizado (que eu saiba) como mote para esse tipo de produção, o que é sempre legal de ver; além disso, o diretor optou por mostrar a violência de forma bastante gráfica (a seqüência de abertura é de arrepiar), com hematomas pastosos e melequentos e sangue espirrando o tempo todo, além do uso de telefones e tábuas, instrumentos pouco usuais, para as agressões, sem deixar de lado a velha e boa faca de cozinha. Só que eu tenho que falar uma coisa: a trilha sonora é risível, parecendo ter sido feita para um mafuá (um daqueles parquinhos de diversão bem mambembes que pululam pelo litoral nas férias) ou um circo vagabundo, com aquele órgãozinho chinfrim e climinhas ridículos.
Porém, o que realmente tira o filme da mediocridade é a atuação intensa e vigorosa de Terry O’Quinn (o John Locke da série de TV “Lost”) como o protagonista; as cenas no porão, onde ele extravasa sua raiva e loucura, são memoráveis, bem como os olhos dele durante as cenas onde convive com a sociedade – embora Jerry tenha a admiração e respeito da comunidade e seja um bem-sucedido corretor de imóveis, seus olhos nunca sorriem e estão sempre frios e calculistas. O restante do elenco fica na vala comum, inclusive Shelley Hack (da série de TV “As Panteras”) como Susan e Jill Schoelen (futura diretora do bom slasher movie – tipo de filme de terror onde o vilão é sempre um psicopata indestrutível com predileção por facas e machados para matar suas vitimas adolescentes – “Pop Corn”), como Stephanie e com direito a uma discreta cena de nudez no banho, antes do ataque de Jerry.
Fez um sucesso relativo em festivais pelo mundo e nas bilheterias americanas, o que rendeu uma seqüência, também estrelada por O’Quinn, chamada “A Volta do Padrasto” (aguardem comentário aqui no blog).

Elenco: Terry O’Quinn (Jerry Blake / O Padrasto), Jill Schoelen (Stephanie Maine), Shelley Hack (Susan Maine), Charles Lanyer (Dr. Bondurant), Stephen Shellen (Jim Ogilvie), Stephen E. Miller (Al Brennan), Robyn Stevan (Karen), Jeff Schultz (Paul Baker), Lindsay Bourne (Professor de Arte), Anna Hagan (Sra. Leitner), Gillian Barber (Anne Barnes), Blu Mankuma (Tenente Jack Wall), Jackson Davies (Sr. Chesterton), Sandra Head (Recepcionista), Gabrielle Rose (Dorothy Finnehard), Richard Sargent (Sr. Anderson), Margot Pinvidic (Sra. Anderson), Rochelle Greenwood (Cindy Anderson), Don S. Williams (Sr. Stark), Don McKay (Joe), Dale Wilson (Frank), Gary Hetherington (Herb), Andrew Snider (Sr. Grace), Marie Stillin (Sra. Fairfax), Paul Batten (Sr. Fairfax) e Sheila Patterson (Dra. Barbara Faraday).

Diretor: Joseph Ruben; Roteiro: Carolyn Lefcourt, Brian Garfield e Donald E. Westlake (história) e Donald E. Westlake (roteiro); Produção: Jay Benson; Trilha Sonora: Patrick Moraz; Direção de Fotografia: John Lindley; Montagem: George Bowers; Seleção de Elenco: Jane Feinberg, Mike Fenton e Judy Taylor; Maquiagem: Maurice Parkhurst e Susan Boyd; Design de Produção: James William Newport; Direção de Arte: David Willson; Cenografia: Kimberley Richardson; Figurinos: Mina Mittelman; Som: Larry Sutton, Keith Stafford, Christopher L. Haire, John L. Anderson e Doug Davey; Efeitos Especiais: Bill Orr.

Classificação: !!

Nenhum comentário: