sábado, dezembro 16, 2006

A Casa do Espanto

A Casa do Espanto (House; House: Ding Dong, You’re Dead, EUA, 1986 – 93 min.)

“Você está convidado para passar a noite com Roger Cobb e seus amigos.
Não venha sozinho! O Horror encontrou uma nova Casa!”


Um escritor de livros de terror, Roger Cobb (William Katt, da série “O Super-Herói Americano”), está em uma sinuca de bico: sem inspiração para escrever e sendo pressionado pelo agente; sua esposa, Sandy (Kay Lenz), uma atriz famosa, pediu o divórcio depois do desaparecimento do filho do casal, Jimmy (Erik e Mark Silver). E, para completar, sua tia Elizabeth (Susan French) – que o criou depois da morte de sua mãe – acaba de cometer suicídio.
Buscando um pouco de paz desse turbilhão, para colocar no papel o livro sobre a guerra do Vietnã que sempre sonhou em escrever, Roger resolve se mudar para a casa onde cresceu; sem acreditar que o local seja mesmo assombrado como dizia sua tia, Roger vai tentar encarar seus próprios fantasmas, com a ajuda relutante de Harold (George Wendt), seu novo e atrapalhado vizinho.
No entanto, os fatos desmentem as crenças iniciais de Roger; inclusive, um amigo do passado tem contas a acertar com ele...
Um bom filme de terrir (terror para rir), com excelentes efeitos de maquiagem para a época e situações interessantes para o espectador. A proposta inicial era de fazer um filme sério, com um terror mais pesado; porém, o roteirista Ethan Wiley resolveu levar tudo para uma outra direção em conjunto com o diretor Miner (que começou a carreira comandando as duas primeiras seqüências do sucesso “Sexta Feira 13”), tendo resultados bastante apreciáveis. Miner usa um estilo mais frenético de filmagem, com alguns enquadramentos inusitados e bom ritmo, parecido com um desenho animado do Scooby Doo e construindo de forma eficiente o suspense para os sustos.
O protagonista William Katt tem ótimo timing cômico e ajuda muito a comprar os absurdos bolados pelo roteirista. Bons exemplos dessa capacidade são as seguintes cenas: quando Roger conhece a vizinha gostosona Tanya, vivida pela ex-Miss Universo Mary Stavin; a visita dos policiais; quando Tanya convence Roger a ficar de babá do seu filhinho e a conversa com o corretor. É de chorar de rir.
Destaque ainda para George Wendt, perfeito como o vizinho bonachão e Richard Moll como Big Ben, na medida como o companheiro de exército meio pirado; ambos os atores fizeram sucesso na TV em séries de comédia (“Cheers” e “Night Court”, respectivamente, inéditas na nossa TV aberta, mas que fizeram sucesso no cabo) e esse background transparece na naturalidade das suas atuações, mesmo com alguns dos diálogos mais estúpidos pertencendo a eles. E Mary Stavin é um colírio...
Nos outros aspectos técnicos, o cenário é interessante e adequado ao gênero da casa mal-assombrada (com boa direção de arte e cenografia eficiente), tornando a mansão praticamente um personagem; com essa ambientação, as palhaçadas ficam ainda melhores, por causa da surpresa que causa uma cena engraçada num local tão lúgubre e os sustos potencializados, justamente pelo espectador estar esperando que alguma coisa aconteça (parece um paradoxo, mas é verdade).
Há alguns momentos fortes, como a primeira aparição da criatura no armário, a expedição do espelho do banheiro e a perseguição final, acentuados pela música eficiente de Harry Manfredini (autor do famoso tema do assassino imortal Jason Voorhees, do já citado filme “Sexta Feira 13”); mas prevalece o clima de gozação geral (é só ver o outro título de trabalho: “Ding Dong, Você Está Morto”. Fala sério...) e o estilo cartunesco da narrativa, com muita correria, tombos inacreditáveis e quase nenhum sangue na tela.
Dica: prestem atenção nos quadros pintados pela tia; eles dão pistas do que está ocorrendo na casa.
Muito divertido, gerou duas seqüências, sendo que a primeira delas seguiu o mesmo estilo – aguardem comentário aqui no blog – e a outra (mesmo sendo o terceiro capítulo, acabou se chamando “House IV”. Isso aconteceu porque os produtores tentaram pegar carona no sucesso da série e lançaram um outro filme, com outros personagens e trama, no mercado internacional com o título de “House III”) procurou um caminho mais sério, puxado para o drama. Nem é preciso dizer que a última fracassou miseravelmente.
Uma última coisa: o título em português é de lascar; obviamente, quis tentar chupar o público de "A Hora do Espanto", lançado aqui na mesma época.

Elenco: William Katt (Roger Cobb), George Wendt (Harold Gorton), Richard Moll (Big Ben), Kay Lenz (Sandy Sinclair), Mary Stavin (Tanya), Michael Ensign (Chet Parker), Erik e Mark Silver (Jimmy), Susan French (Tia Elizabeth), Alan Autry (Policial #3), Steven Williams (Policial #4), James Calvert (Menino da Mercearia), Steve Susskind (Frank McGraw), Dwier Brown (Tenente), Joey Green (Fitzsimmons), Stephen Nichols (Scott), Donald Willis (Soldado), Curt Wilmot (Big Ben Esqueleto), Peter Pitofsky (Bruxa), Elizabeth Barrington (Criatura), Jerry Maren (Criatura) e Felix Silla (Criatura).

Diretor: Steve Miner; Roteiro: Fred Dekker (história) e Ethan Wiley (roteiro); Produção: Sean S. Cunningham e Richard F. Brophy; Produção Executiva: Roger Corman; Trilha Sonora: Harry Manfredini; Direção de Fotografia: Mac Ahlberg; Montagem: Michael N. Knue; Design de Produção:Gregg Fonseca; Direção de Arte: John Reinhart; Cenografia: Anne Huntley; Figurinos: Bernadette O’Brien; Maquiagem: Robert Boyd e Ronnie Specter; Efeitos de Maquiagem: Barney Burman e Brian Wade; Efeitos Especiais: Tassilo Baur e Joe Viskocil; Design das Criaturas: James Cummins e Kirk R. Thatcher; Efeitos Visuais: Hoyt Yeatman.

Classificação:!!!

Um comentário:

Anônimo disse...

Excelente crítica. O filme é mesmo muito bom (só o primeiro). Apenas faltou citar a trilha sonora do filme que é um show à parte.