quinta-feira, novembro 16, 2006

Série Stephen King 17 / Comboio do Terror

Comboio do Terror (Maximum Overdrive, EUA, 1986)

“Imagine seu pior pesadelo: as Máquinas dominaram o mundo!”

Primeira e única experiência na direção do autor de suspense e terror Stephen King (obrigado, Deus, pelas pequenas vitórias), famoso por reclamações veladas sobre os cineastas que adaptaram suas obras para a tela grande (chegou inclusive a encrencar – civilizadamente, claro – com Stanley Kubrick, por causa dos cortes e leves mudanças na história feitos pelo genial diretor inglês na filmagem do livro “O Iluminado”e a processar o realizador por causa de “O Passageiro do Futuro”, que ele alegou ter deturpado completamente sua história e feito um filme péssimo).
Um cometa, Rhea-M, está passando na órbita da Terra e o planeta ficará mergulhado em sua cauda por 7 dias e algumas horas. Por causa desse fenômeno, as máquinas, tais como carros, caminhões, cortadores de grama, pontes levadiças e outras mais desenvolvem comportamento independente e apetite assassino, atacando violentamente os humanos.
Em uma parada de caminhões, na Carolina do Norte, alguns sobreviventes, liderados por Bill (Emilio Estevez, recém-saído do sucesso de “Repo Man” e “Clube dos Cinco”) e Brett (Laura Harrington) buscam uma saída até a marina mais próxima, uns dois quilômetros de distância, para pegarem um veleiro e fugirem até uma ilha, aguardando que o cometa se afaste e com a ajuda de um verdadeiro arsenal que o dono do posto Hendershot (Pat Hingle, certamente se divertindo horrores) tem no porão (mais armas do que tem alguns países do Caribe). Mas antes eles têm que passar por um bizarro grupo de caminhões pesados, liderado por um com a cara do Duende Verde (vilão do filme “Homem-Aranha”) no capô, que não parece ter a menor intenção de deixá-los vivos por muito tempo.
Filmeco divertido, com diversas cenas grotescas de atropelamento, cortadores de grama ensandecidos, caixas automáticos boca-suja e máquinas de refrigerante cuspidoras de latas, além de secadores, fliperamas e facas elétricas. Sangue jorra aos borbotões, senhoras e senhores, e uma destruição bastante apreciável ocorre durante todo o filme, principalmente na cena do jogo de beisebol onde a protagonista é a máquina de refrigerante mencionada acima.
Obviamente, o filme padece de problemas de ritmo narrativo (o desenrolar da trama dá umas “quebradas” de ritmo para mostrar alguma cena sangrenta), diálogos inacreditáveis (“Jesus está vindo e ele está puto da vida!”), buracos gigantescos no roteiro (se todas as máquinas se revoltaram, como é que alguns personagens estão dirigindo carros e as geladeiras continuam a providenciar cerveja gelada? Isso para ficar em alguns furos) e atuações risíveis de grande parte do elenco (o troféu vai para Christopher Murney e seu vendedor seboso e histérico, simplesmente hilariante, com Yeardsley Smith correndo por fora com sua vozinha esganiçada e cara de patza). Só que eu o coloco como um dos meus filmes favoritos. Porquê? Nem eu sei direito.
Gosto muito do clima de filme B, bem trashzão mesmo, onde ninguém se leva a sério e a trama não passa de uma desculpa para violência sem sentido e humor negro de monte, como na chegada do casal Curtis e Courtney (John Short e Yeardley Smith); a chegada do garoto Deke na parada de caminhões; a reação do homem que é xingado pelo caixa automático; a cena no departamento de video games do posto e o surto da garçonete Wanda June. E, claro, o caminhão com a cara do Duende Verde é muito legal.
A trilha sonora é um show à parte com a participação bem-humorada da banda AC/DC, mandando vários rocks pesados de responsa para pontuar a carnificina; tecnicamente, bem-feitinho e redondo, em um bom nível para uma produção de baixo orçamento, principalmente a maquiagem e os efeitos especiais.
Depois de tudo, minhas preferências pessoais à parte, fica uma lição. Se o ditado “Se quer uma coisa bem-feita, faça você mesmo” funcionasse de verdade, este seria o melhor filme de terror de todos os tempos. Do jeito que ficou, King nunca mais reclamou dos filmes baseados em sua obra; deve ter se conscientizado que esse negócio de cinema é para profissionais mesmo, ainda que alguns profissionais sejam mais talentosos do que outros. E ele não tem talento nenhum para dirigir cinema.
Foi refilmado em 1997, para a TV, onde o roteiro foi mais fiel ao conto, mas com um resultado bem mais chato. Ficou faltando o clima de gozação geral; filmes que partem de premissas absurdas não podem se levar a sério, sob pena de ficarem enfadonhos e idiotas. Como que você pode acreditar em alguém falando: “meu cortador de grama me atacou hoje de tarde” ou “acho que aquele caminhão de sorvete está me seguindo” com uma cara séria? Impossível.

Elenco: Emilio Estevez (Bill Robinson), Pat Hingle (Hendershot), Laura Harrignton (Brett), Yeardley Smith (Courtney), John Short (Curtis), Ellen McElduff (Wanda June), J.C. Quinn (Duncan), Christopher Murney (Camp Loman), Holter Graham (Deke), Frankie Faison (Handy), Pat Miller (Joe), Jack Canon (Max), Barry Bell (Steve), John Brasington (Frank), J. Don Ferguson (Andy), Leon Rippy (Brad), Robert Gunden (Harry), R. Pickett Bugg (Rolf), Giancarlo Esposito (Jogador de Fliperama), Bob Gunter (Técnico de Beisebol) e Bill Huggins (Juiz de Beisebol).

Diretor: Stephen King; Roteiro: Stephen King, baseado em seu próprio conto “Trucks”; Produção: Martha Schumacher; Co-produção: Milton Subotsky; Produção Executiva: Dino de Laurentiis, Don Levin e Mel Pearl; Trilha Sonora: AC/DC ; Direção de Fotografia: Armando Nannuzzi; Edição: Evan Lottman; Seleção de Elenco: Mary Colquhoun; Design de Produção: Giorgio Postiglione; Cenografia: Hilton Rosemarin; Figurinos: Clifford Capone; Maquiagem: Marlana May; Efeitos de Maquiagem: Dean Gates; Som: Lee Dichter e Mel Zelniker; Efeitos Especiais: Jeff Frink e Steven Galich; Efeitos Visuais: Barry Nolan.

Classificação:
!!!

Um comentário:

Anônimo disse...

procuro um filme
tarduzdo por Crash o idolo do mal, e dos anos 70, quem tiver alguma informação pra dra, é sobre um amuleto indio que traz a maldição, por motivos assombroso, não pude ver o fim do filme e queria saber se o mesmo existe