sábado, setembro 09, 2006

Série Stephen King 15 / Cujo

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Cujo (Cujo, EUA, 1983)

“Agora há um novo nome para o Terror...”

Um fofo e delicado cachorro São Bernardo, chamado Cujo (palavra índia que significa “força incontrolável”), está todo catito e saltitante perseguindo um coelhinho na mata; o bichinho se enfia em um buraco - Cujo mete a cabeça dentro da toca e começa a latir, doido para pegar a presa. Só que a toca é, na verdade, uma pequena caverna onde uma comunidade de morcegos-vampiros descansa da labuta noturna.
Um dos morceguinhos, p da vida, ataca e morde o focinho de Cujo, que volta para casa com o rabo entre as pernas; gradativamente, o estado de saúde do cão se deteriora. Ele, então, sai numa fúria assassina e atacando qualquer pessoa que fique na sua frente com seu tamanho e força (que já não eram desprezíveis – lembrem-se, senhoras e senhores: é de um São Bernardo que estamos falando, não um poodle) multiplicados pela raiva.
Nesse meio tempo, vemos que a família de Donna (Dee Wallace Stone) vai mal das pernas; ela está tendo um caso com o vizinho Steve (Christopher Stone). O marido de Donna, Vic (Daniel Hugh-Kelly), quer se afogar no trampo, depois de descobrir o chifre de três pontas que a esposa lhe colocou na cabeça e nem dá muita bola para os apelos do filho Tad (Danny Pintauro, da série dos anos 80 “Quem é o Chefe?”, com Tony Danza).
Indo até a fazenda de Steve para terminar o relacionamento escuso, Donna e Tad ficam presos no carro quando Cujo, depois de ter barbarizado metade da cidade, incluindo seu próprio dono Joe Camber (Ed Lauter), os ataca violentamente.
Eficiente thriller, que supera sua produção mais pobre com ótimo domínio do suspense e um “herói” assustador. O cachorro São Bernardo nada fica a dever ao tubarão branco de “Tubarão” ou ao macaco gigante de “King Kong”, guardadas as devidas proporções, claro. Esse suspense é auxiliado pela edição esperta de Neil Travis, com diversos cortes rápidos e a fotografia mais granulada e suja de Jan de Bont (futuro diretor de “Twister” e “Velocidade Máxima”). O diretor Teague usa alguns enquadramentos subjetivos, do ponto de vista do cachorro, por exemplo, aumentando a tensão.
O roteiro busca a idéia de que Cujo é uma retribuição por comportamentos considerados como inaceitáveis; a maioria das vítimas do cão faz ou fez alguma coisa que não devia. Donna é adúltera; Joe Camber é um beberrão contumaz e que aprecia dar umas pancadas na mulher e nos filhos; e por aí vai. Esse viés mais moralista vem da fonte, um dos primeiros livros de Stephen King e não fica pesado. Dá aquela impressão de ira de Deus, saca?
Outra virtude do filme é não se entregar aos clichês consagrados e ter coragem. O final é um dos mais aterradores de todos os tempos.
Rapaz, se Deus ficasse bravo e mandasse um Cujo atrás de quem faz maldades... Ia ser um pandemônio, senhoras e senhores.
Assista sem medo. Melhor, tenha medo; mas assista.

Elenco: Dee Wallace Stone (Donna Trenton), Danny Pintauro (Tad Trenton), Daniel Hugh-Kelly (Vic Trenton), Christopher Stone (Steve Kemp), Ed Lauter (Joe Camber), Kaiulani Lee (Charity Camber), Billy Jacoby (Brett Camber), Mills Watson (Gary Pervier), Sandy Ward (Bannerman), Merritt Olsen (Professor), Arthur Rosenberg (Roger Breakstone), Terry Donovan-Smith (Harry), Robert Elross (Meara), Robert Behling (Fournier), Clare Nono (Repórter de TV) e Daniel Blatt (Dr. Merkatz).

Diretor: Lewis Teague; Roteiro: Don Carlos Dunaway e Lauren Currier, baseados no livro “Cujo”, de Stephen King; Produção: Daniel Blatt e Robert Singer; Produção Executiva: Neil A. Machlis; Trilha Sonora: Charles Bernstein; Direção de Fotografia: Jan de Bont; Edição: Neil Travis; Seleção de Elenco: Judith Holstra e Marcia Ross; Design de Produção: Guy Comtois; Cenografia: John Bergman; Figurinos: Jack Buehler; Maquiagem: Robin Neal e Julie Purcell; Efeitos de Maquiagem: Peter Knowlton; Som: Robert Glass, Michael Hilkene, David J. Hudson e Ray West; Efeitos Especiais: Rick Josephsen.
Classificação: !!!!

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