quarta-feira, setembro 27, 2006

Madrugada dos Mortos

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Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead, EUA, 2004)

"Quando não houver mais espaço no inferno, os mortos caminharão sobre a Terra."

Eu, como um fã de terror que sou, sempre admirei o trabalho do diretor americano George A. Romero. Assisti a todos os filmes dele disponíveis no mercado nacional, inclusive o obscuro Martin de 1977 (aguardem crítica em breve). Ele ficou famoso pela absoluta falta de concessões ao Happy End e ao politicamente correto em sua filmografia, sendo um dos maiores cineastas underground do mundo e, por isso, extremamente respeitado. O equivalente nacional seria o querido José Mojica Marins, o Zé do Caixão.
O diretor ficou conhecido pela trilogia dos zumbis, iniciada com o clássico “A Noite dos Mortos Vivos”, de 1968; seguida pelo “O Despertar dos Mortos”, de 1979 e encerrada por “O Dia dos Mortos”, de 1983. A falta de financiamento sempre foi um problema para a realização dos filmes (o que ficou ainda mais evidente no último da trilogia), compensada enormemente pela criatividade e extremo comprometimento dos colaboradores, que muitas vezes faziam vários papéis além de suas tarefas na produção. A segunda parte da trilogia está inédita em nossos cinemas e no mercado de vídeo até hoje e é essa que foi refilmada aqui, pelo estreante Zack Snyder. Por não poder fazer comparações com o original, me aterei ao filme atual apenas.
A história é a seguinte: uma enfermeira (Sarah Polley, musa independente) vai dormir em casa depois de um dia estafante, com seu marido. Na manhã seguinte, os dois são acordados por uma das crianças da vizinhança e o marido dela é atacado e morre; para depois ressuscitar como uma espécie de zumbi devorador de carne humana. Anna foge e pelo caminho encontra outras pessoas como ela, ainda não afetadas (a zumbificação se transmite pela mordida dos mortos-vivos) e que vão se refugiar num shopping center da região, tentando sobreviver à quantidade crescente de zumbis.
A produção é um exemplo de tensão e bebe com prazer da fonte sangrenta do mestre Romero: cenas fortíssimas, ação, questionamentos filosóficos (mesmo que rasos, pela raridade no gênero merecem menção), personagens femininas fortes e nada de concessões (até mesmo crianças são transformadas em zumbis... uau!).
Algumas cenas interessantes: a comunicação de Kenneth com Andy utilizando cartazes; o nascimento do filho de André; a primeira ida à garagem e a cena de encerramento.
Um ótimo filme de terror, sem sustos fáceis e com ótima cenografia, maquiagem e efeitos especiais, além de elenco aplicado e eficiente. Fiquem de olho em Zack Snyder; eu certamente ficarei.

Elenco: Sarah Polley (Anna), Ving Rhames (Kenneth), Jake Weber (Michael), Mekhi Phifer (André), Ty Burrell (Steve), Michael Kelly (CJ), Kevin Zegers (Terry), Michael Barry (Bart), Lindy Booth (Nicole), Jayne Eastwood (Norma), Boyd Banks (Tucker), Inna Korobkina (Luda), R. D. Reid (Glen), Kim Poirier (Mônica), Matt Frewer (Frank), Justin Louis (Luis), Hannah Lochner (Vivian), Bruce Bohne (Andy), Tom Savini (Xerife), Ken Foree (Tele-evangelista), Blu (Chips).

Direção: Zack Snyder; Roteiro: James Gunn, baseado no roteiro de George A. Romero; Produção: Marc Abraham, Eric Newman e Richard P. Rubinstein; Co-produção: Michael D. Messina; Produção Executiva: Armyan Bernstein, Thomas A. Bliss e Dennis E. Jones; Trilha Sonora: Tyler Bates; Direção de Fotografia: Matthew F. Leonetti; Edição: Niven Howie; Seleção de Elenco: Joseph Middleton; Design de Produção: Andrew Neskoromny; Direção de Arte: Arvinder Grewal; Cenografia: Steve Shewchuk; Figurinos: Denise Cronenberg; Maquiagem: Mario Cacciopo, Evelyn Carr, Carol Hartwick, Diana Ladyshewsky e Jo-Ann MacNeil; Efeitos de Maquiagem: David LeRoy Anderson, Barney Burman, Toni G e Nicole Michaud; Som: Scott A. Hecker, Chris Jenkins e Frank A. Montaño; Efeitos Sonoros: Frederick Howard, Jason Jennings e Eric A. Norris; Efeitos Especiais: Gary D’Amico, Arthur Langevin e Laird McMurray; Efeitos Visuais: Dennis Berardi, Kristy Blackwell e Sean Cohen.

Classificação:
!!!!

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