segunda-feira, julho 31, 2006

Ecos do Além

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Ecos do Além (Stir of Echoes, EUA, 1999)

“Em cada mente, há uma porta que jamais deveria ser aberta.”

Tom Witzky (Kevin Bacon) é um músico esperando uma chance, que trabalha na companhia telefônica para sustentar a esposa Maggie (Kathryn Erbe) e o filhinho Jake (Zachary David Cope). Altamente cético, Tom, depois de umas e outras em uma festa, aceita ser hipnotizado por Lisa (Illeana Douglas), uma amiga de sua esposa que ele simplesmente detesta. Acontece que Tom fica profundamente hipnotizado e uma porta em sua mente acaba se abrindo, deixando-o sensibilizado a vibrações de espíritos.
Assim, com a companhia de Jake, que sempre demonstrou uma sensibilidade acentuada, Tom instintivamente (ou não) descobre um assassinato, de uma adolescente chamada Samantha (Jennifer Morrison) e que ficou como não resolvido. O crime aconteceu em sua casa, alugada de um amigo da vizinhança, Harry (Conor O’Farrell); com o tempo, a obsessão de Tom revela outros aspectos do ocorrido que as pessoas do local gostariam que ficasse em paz...
Um filme de suspense bem desenvolvido e arquitetado por Koepp, um talentoso roteirista (“Homem-Aranha”, entre outros) em sua estréia na direção; o roteiro deixou diversas homenagens, ao autor Richard Matheson, espalhadas pela trama (o livro que a babá de Sam lê; trechos de filmes baseados em livros dele). É curioso como a história se parece com a trama de “O Sexto Sentido”, lançado no mesmo ano; só que o filme de Koepp foi finalizado antes, mas o estúdio resolveu lançá-lo nos cinemas somente depois do enorme sucesso do filme de Shyamalan; e este aqui ficou marcado como imitação, mesmo tendo sido feito primeiro e foi severamente prejudicado nas bilheterias. Os engravatados (executivos dos estúdios) são complicados, senhoras e senhores.
Tirando esses pequenos detalhes, vamos falar sobre outros aspectos. A opção de fotografia mais granulada (com pequenas falhas de cor e nitidez) e escurecida foi correta, pois deixou a produção com uma aparência mais anos 70 (mesma técnica utilizada por Spielberg em “Munique”) e mais adequada ao objetivo de deixar o espectador colado na cadeira. Os arredores da casa de Tom têm um tom depressivo e inquietante, mesmo com a aparente tranqüilidade e amizade entre os habitantes da área.
As cenas de flashback e as visões de Tom dão arrepios, ainda mais com a outra decisão correta do ponto de vista narrativo de não mostrar tudo, focando em certos detalhes como uma unha quebrada (assistam que vocês vão entender), potencializando o suspense e desconforto e desviando da armadilha de 8 entre 10 filmes de terror de apostar em toneladas de efeitos sanguinolentos e acordes altos de trilha para arrancar sustos fáceis.
Nos demais departamentos técnicos, tudo correto e honesto, mesmo sem ser brilhante, em ressonância com a produção mais modesta. O elenco defende bem seus personagens, com destaque absoluto para Bacon, ator de bons recursos que dificilmente tem uma oportunidade de ter o personagem principal, aproveitando bem a chance e o garotinho Zachary David Cope em boa estréia e demonstrando ter futuro.
Em suma, uma boa dica para os fãs do gênero que apreciam uma opção mais madura e sem tanta pirotecnia.
Uma curiosidade: buscando sempre um realismo maior, as técnicas que Lisa usa em Tom são as mesmas utilizadas por hipnotizadores profissionais; para evitar que pessoas no cinema com maior propensão a entrar em transe realmente o fizessem (e existiram casos de pessoas que foram hipnotizadas mesmo), um acorde alto da trilha foi acrescentado para “despertar” essas pessoas.


Elenco: Kevin Bacon (Tom Witzky), Zachary David Cope (Jake Witzky), Kathryn Erbe (Maggie Witzky), Illeana Douglas (Lisa Weil), Kevin Dunn (Frank McCarthy), Conor O’Farrell (Harry Damon), Lusia Strus (Sheila McCarthy), Stephen Eugene Walker (Bobby), Mary Kay Cook (Vanessa Damon), Larry Neumann Jr. (Lenny), Jennifer Morrison (Samantha Kozac), Steve Rifkin (Kurt Damon), Chalon Williams (Adam McCarthy) e Liza Weil (Debbie Kozac).

Diretor; David Koepp; Roteiro: David Koepp, baseado no livro “A Stir of Echoes”, de Richard Matheson; Produção: Judy Hofflund e Gavin Polone; Produção Executiva: Michele Weisler; Trilha Sonora: James Newton Howard; Direção de Fotografia: Fred Murphy; Edição: Jill Savitt; Seleção de Elenco: Mary Colquhoun; Design de Produção: Nesoln Coates; Direção de Arte: David W. Krummel; Cenografia: Susie Goulder; Figurinos: Leesa Evans; Maquiagem: Lun Yé Hodges e Linda Melazzo; Efeitos de Maquiagem: Jim Beinke, Villamor Cruz e Tony Gardner; Som: Carmen Baker, Todd Toon, Tim Chau e Andy D’Addario; Efeitos Sonoros: Kurt Nicholas Forsagher, Adam Kopald, Donald J. Malouf e Reggie McGuire; Efeitos Especiais: Rodman Kaiser; Efeitos Visuais: Casey Cannon, Brent O. Coert e Van Ling.

Classificação:
!!!

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