segunda-feira, julho 31, 2006

A Chave Mestra

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A Chave Mestra (The Skeleton Key, EUA, 2005)

“Temer é acreditar.”

Uma enfermeira de Nova Orleans, Caroline (Kate Hudson), se cansa da falta de proximidade com os pacientes da clínica onde trabalha e sai à procura de um novo emprego. Por um anúncio de jornal, ela chega até a casa de Violet (Gena Rowlands), que procura uma auxiliar em fazer com que seu marido, Ben (John Hurt), tenha uma morte tranqüila após um derrame gravíssimo.
A casa dos Devereaux é nos bayous (pântanos) da Louisiana, um local permeado de magia dos ex-escravos que ali fizeram seu lar até a venda do estado aos americanos pelos franceses, no século XIX. Por esse motivo, a amiga de Caroline, Jill (Joy Bryant) se espanta com o fato de ela ter aceitado morar tão longe da cidade e com tanta superstição no ar. Caroline não dá bola para Jill e continua a trabalhar.
Com o tempo, ela percebe algo de estranho com sua empregadora e, principalmente, com seu paciente, desconfiando que Violet tenha feito um feitiço contra Ben. Buscando informações, Caroline descobre que a casa onde mora foi residência da família Thorpe, de ricos banqueiros, onde trabalhavam os sacerdotes de vodu Papa Justify (Ronald McCall) e Mama Cecile (Jeryl Prescott), linchados por amigos dos donos da casa pela desconfiança de uso da magia contra os filhos do casal.
Depois de encontrar um LP com uma conjuração (espécie de oração para invocar poderes específicos) feita por Justify, Caroline pede a ajuda de Luke (Peter Sarsgaard), advogado da família e que a contratou, para tirar Ben da casa antes que Violet realmente mate o marido. Mas nem tudo é o que parece ser...
Um filme interessante, onde fica evidente a pesquisa realizada pelo roteirista Kruger (de “O Chamado” e “O Suspeito da Rua Arlington”) para retratar com mais fidelidade o mundo fascinante e misterioso das crenças africanas do vodu (que é uma religião organizada) e do hudu (compêndio de magias com ervas e outros elementos, sem ligação específica com religião), muito fortes na Lousiana, cenário da trama. Só que existem defeitos.
O desenvolvimento dos personagens fica prejudicado pela necessidade infantil de pregar sustos na platéia, com a utilização de clichês em cima de clichês. Está tudo lá: as portas que abrem misteriosamente, os barulhos no sótão, a mão no ombro, etc, etc. Dessa forma, alguns personagens são relegados ao segundo plano, sem coerência narrativa, exceto para cenas onde servem apenas de escada para uma situação vivida pela protagonista ou dar uma explicação para o espectador. Isso, infelizmente, é um problema crônico das produções recentes do gênero. O roteirista dá a impressão de, ao bolar uma situação, se perder; e precisa recorrer a isso para recolocar a história nos eixos.
Claro que nem tudo é ruim, pois as reviravoltas da trama são bem-vindas e o final é surpreendente em uma maneira extremamente positiva. Garanto que ninguém iria imaginar o que estava vindo, apesar das pequenas pistas lançadas, sutilmente, ao longo da projeção de forma eficaz.
Por outro lado, Kate Hudson demonstra, mais uma vez, sua extrema empatia com o público e faz com que a gente se importe com o destino de sua personagem, além de ser uma gracinha – a câmera gosta dela e parece procurá-la. O diretor Softley não fica inventando muito e mostra competência.
No geral, vale a visita, estando acima da média recente de terror. Com o mérito de usar uma história original e sem apelar para tramas requentadas ou importadas de outros países, mesmo abusando um pouco dos lugares comuns.


Elenco: Kate Hudson (Caroline Ellis), Gena Rowlands (Violet Deveraux), John Hurt (Ben Deveraux), Peter Sarsgaard (Luke), Joy Bryant (Jill), Maxine Barnett (Mama Cynthia), Fahnlonee Harris (Hallie), Thomas Uskali (Robertson Thorpe), Jen Apgar (Madeleine Thorpe), Forrest Landis (Martin Thorpe), Jamie Lee Redmon (Grace Thorpe), Ronald McCall (Papa Justify), Jeryl Prescott (Mama Cecile), Isaach De Bankolé (Dono do Posto de Gasolina), Christa Thorne (Anciã Creole).

Diretor: Iain Softley; Roteiro: Ehren Kruger; Produção: Daniel Bobker, Michael Shamberg, Stacey Sher e Iain Softley; Produção Executiva: Clayton Townsend; Trilha Sonora: Ed Shearmur; Diretor de Fotografia: Daniel Mindel; Edição: Joe Hutshing; Seleção de Elenco: Lisa Mãe Fincannon e Ronna Kress; Design de Produção: John Beard; Direção de Arte: Drew Boughton e Suttirat Anne Larlarb; Cenografia: Fontaine Beauchamp Hebb; Figurino: Louise Frogley; Maquiagem: Susan Germaine e Christina Smith; Som: Scott Millan, David Parker e Wylie Stateman; Efeitos Sonoros: Christopher Assells, Tom Ozanich, Bruce Tanis, Jon Title e Tim Walston; Efeitos Especiais: Jason Hamer, Bob Stoker e Matt Sweeney; Efeitos Visuais: Dan Deleeuw, Mark Edwards, Karl Herbst, Richard Malzahn, Stephanie Pollard e James D. Tittle.

Classificação: !!!!

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