sexta-feira, julho 14, 2006

À Beira da Loucura

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À Beira da Loucura (In The Mouth of Madness, EUA, 1994)

“VIVEU algum bom livro ultimamente?”


John Trent (Sam Neill) é um investigador particular especializado em desmascarar fraudes de seguro, considerado um dos melhores dos EUA. Ele recebe uma ligação de um velho amigo, Robinson (Bernie Casey), para investigar um pedido milionário de indenização, feito por uma companhia editorial, em virtude do desaparecimento de Sutter Cane (Jurgen Prochnow) um autor mega-popular de livros de terror e suspense.
Ao longo da investigação, acompanhado da editora de Cane, Linda Styles (Julie Carmen, de “A Hora do Espanto 2” e péssima como sempre), Trent verifica que os livros escritos pelo autor desaparecido possuem descrições e situações extremamente reais e causam um efeito devastador nos leitores, numa espécie de frenesi homicida coletivo. Decidido a encontrar onde está a fraude, Trent e Linda chegam à cidade de Hobb's End – cenário dos livros assustadores de Sutter Cane. E John começa a ter dúvidas se existe uma tentativa de esquema ou se Cane realmente tem poderes para trazer os demônios da escuridão para o mundo dos humanos.
Último filme da “trilogia do apocalipse” (que inclui ainda “O Enigma do Outro Mundo”, de 1982 e “O Príncipe das Sombras”, de 1987), é bastante interessante em sua premissa (uma divertida brincadeira com as vendagens absurdas e a histeria de certo tipo de fã, em homenagem ao amigo do diretor John Carpenter, o escritor Stephen King) e tem bons momentos ao longo do desenvolvimento da trama, como o encarceramento de Trent e a chegada a Hobb's End, entre outros; o roteiro, ainda, não cai na tentação de forçar finais felizes ou coisa que o valha, em uma aposta acertada do diretor Carpenter e do roteirista De Luca.
Um grande porém é a estrutura episódica do desenvolvimento da trama, que fica com jeitão de mini-série de TV e prejudica o ritmo narrativo, deixando-o irregular e cansando o espectador em algumas ocasiões. É de chamar a atenção a péssima atuação de Julie Carmen, que quase estraga tudo.
No mais, ótimos efeitos especiais dos bambas Kurtzman, Berger e Nicotero (sempre competentes e nojentos), performance inspirada de Sam Neill e clima insano bem bacana. Muitas das situações mostradas foram inspiradas pelos livros de H.P. Lovecraft, um dos melhores escritores de terror de todos os tempos, especialista no chamado “terror cósmico”. Lovecraft escreveu muito sobre demônios pré-universais e de além da nossa dimensão e espaço, que enlouqueciam os poucos humanos com sensibilidade para perceberem a existência deles.
Em resumo, nenhuma maravilha e longe do melhor de John Carpenter. Mas tem alguns bons conceitos e dá para o gasto.

Elenco: Sam Neill (John Trent), Julie Carmen (Linda Styles), Jurgen Prochnow (Sutter Cane), David Warner (Dr. Wrenn), John Glover (Saperstein), Bernie Casey (Robinson), Peter Jason (Sr. Paul), Charlton Heston (Jackson Harglow), Frances Bay (Sra. Pickman), Wilhelm Von Homburg (Simon), Conrad Bergschneider (Maníaco do Machado).

Diretor: John Carpenter; Roteiro: Michael De Luca; Produção: Sandy King; Produtor Associado: Artist W. Robinson; Produção Executiva: Michael De Luca; Trilha Sonora: John Carpenter e Jim Lang; Direção de Fotografia: Gary B. Kibbe; Edição: Edward A.Warschilka; Design de Produção: Jeff Ginn; Direção de Arte: Peter Grundy; Cenografia: Elinor Rose Galbraith; Figurinos: Robin Michel Bush; Maquiagem: James D. Brown e Donald Mowat; Efeitos de Maquiagem: Robert Kurtzman, Gregory Nicotero e Howard Berger; Som: John Dunn, Jeffrey Perkins, Ken S. Polk e Robert Thirlwell; Efeitos Sonoros: John Pospisil e Ron Bartlett; Efeitos Especiais: Erin Haggerty e Susan Mallon; Efeitos Visuais: Carl N. Frederick e Bruce Nicholson.

Classificação: !!!

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