domingo, junho 25, 2006

Série Stephen King 14 / O Iluminado (Mini-série de TV)

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O Iluminado (The Shining /Stephen King`s The Shining; EUA, 1997)

"Alguns hóspedes jamais saem!"

Quero, hoje, falar a respeito desta mini-série de TV, realizada em 1997, baseada em um dos melhores livros de King (filmado por Stanley Kubrick em 1980) “O Iluminado”, já comentado aqui no blog.

Para quem ainda não conhece a história: um homem nas últimas, Jack Torrance (Steven Weber) tem sua chance derradeira de recuperação e de deixar seu turbulento passado de bebedeiras e empregos fracassados. Essa chance é a de trabalhar como zelador do Overlook Hotel, no inverno, o que representa quase cinco meses de total isolamento junto com sua pequena família, o filho Danny (Courtney Mead) e a esposa Wendy (Rebecca de Mornay).
O gerente Stuart Ullman (Elliott Gould) está relutante em permitir que alguém com o passado de Jack tenha tamanha responsabilidade sobre seu precioso hotel, mas um dos acionistas, Al Shockley (Jan Van Sickle) interfere – Jack é um antigo companheiro de porres – e o gerente tem que ceder.
Assim, Jack assume sua posição e a família Torrance se muda para o hotel. Porém, Danny tem um poder imenso, chamado pelo chef do hotel Dick Hallorann (Melvin Van Peebles) de “iluminação”, que permite ao menino ver o futuro, o passado, sentir o que as pessoas pensam.
O hotel tem uma história de tragédias e violência, criando uma entidade maligna que se alimenta das energias negativas e das pessoas que ali se hospedam; e o poder de Danny o torna muito atraente para essa entidade. E o elo mais influenciável da corrente é Jack. Pouco a pouco, o local aumenta as ansiedades e inseguranças dele e tudo explodirá em uma espiral de ódio e loucura.

King nunca escondeu de ninguém que a versão de Kubrick não lhe agradara, achando que o diretor não conseguiu trazer para a tela o que pensava ser o espírito do seu livro, principalmente pela escalação de Jack Nicholson no papel principal. Na opinião do autor, como Nicholson ganhou um Oscar em 1976 por “Um Estranho no Ninho”, onde interpreta um louco, o público não se surpreenderia de ver a degradação de Jack Torrance. Sendo assim, King sempre desejou refazer a adaptação de forma mais fiel e conseguiu seu intento em 1997, ao realizar essa mini-série de TV, com a direção do amigo Mick Garris, tomando para si a tarefa de escrever o roteiro.

Esta mini-série cumpre esse desejo: é absolutamente fiel ao livro, cobrindo todas as situações descritas ali, desde o alcoolismo de Jack, alguns personagens inexistentes no filme (como o chefe de manutenção e o amigo rico de Jack) até os animais de topiaria (cortados por Kubrick e substituídos pelo labirinto, por causa de dificuldades técnicas).

Dessa forma, fica muito prazeroso para quem já leu o livro ir reconhecendo as passagens e ver como o autor imaginava que elas iam acontecer. Isso é sempre muito legal. Infelizmente, para o espectador comum, que não leu, a estrutura do filme é episódica demais. E, como foi feito para a TV, os breaks para os comerciais ficam evidentes e atrapalham um melhor andamento narrativo. O desenrolar da trama fica cheio de clímax e anticlímax, algo muito cansativo.

Outra coisa que não ajuda é a equivocada escolha de parte do elenco; por exemplo, o protagonista Danny Torrance, o ator Courtland Mead. Ele é tão chato e ruim que acaba fazendo o espectador torcer contra. Não gera a identificação e a preocupação pelo que pode acontecer com ele e isso é terrível para qualquer filme, principalmente de terror. Outro destaque negativo é Rebecca de Mornay, que além de ser glamurosa demais para o papel, escolheu uma composição muito irritante e transbordando histerismo; a gente quer bater nela, pelo amor de Deus! Como se importar pelo destino de um personagem se nós mesmos gostaríamos de descer o cacete somente para ela calar a boca?

Quanto ao resto do elenco, Steven Webber faz um bom trabalho como Jack Torrance. Apesar de ser prejudicado pela opção de mostrar explicitamente quando o hotel exerce sua influência; acaba matando o esforço do ator em evidenciar os estados emocionais conflitantes que o personagem exige. Outra presença curiosa é de Melvin van Peebles, pai do ator e diretor Mario Van Peebles (“Panteras Negras”, “New Jack City”, entre outros), no papel de Dick Hallorann. No geral, o elenco da mini-série sai perdendo para o do filme de Kubrick, pela razão óbvia: Mick Garris não tem um décimo do talento do genial e esquisito cineasta inglês para a dirigir seus atores, que acabam não rendendo nada e isso faz muita diferença...

Os aspectos técnicos estão na média de uma boa produção de televisão nos Estados Unidos (o que não é pouca coisa), com boa fotografia, efeitos especiais e cenários, sendo que a mini-série ganhou os Emmy de Melhor Edição de Som e Efeitos Especiais, além de ter sido indicada para o prêmio de melhor produção.

Quem for fã, arrisque alugar (tem quase quatro horas de duração e exige uma certa paciência). Se não for, nem passe perto. Prefira o filme de Kubrick, muito mais interessante enquanto cinema.A minissérie foi rodada em locação no hotel The Stanley Hotel, em Estes Park, Colorado, onde o autor informa que teve a inspiração para escrever o livro. Um detalhe que dá mais sabor...

Elenco (principal): Steven Weber (Jack Torrance), Rebecca de Mornay (Wendy Torrance), Courtland Mead (Danny Torrance), Wil Horneff (Tony), Melvin Van Peebles (Dick Halloran), Elliot Gould (Stuart Ullman), John Durbin (Horace Derwent), Stanley Anderson (Delbert Grady), Pat Hingle (Pete Watson), Cynthia Garris (Lady in Room 217), Jan Van Sickle (Al Shockley).

Direção: Mick Garris; Roteiro: Stephen King, baseado em seu livro `The Shining`; Produção: Mark Carliner e Elliot Friedgen; Produtora Associada: Laura Gibson; Produção Executiva: Stephen King; Trilha Original: Nicholas Pike; Direção de Fotografia: Shelly Johnson; Edição: Patrick McMahon; Seleção de Elenco: Lynn Kressel; Design de produção: Craig Stearns; Direção de arte: Randy Moore; Cenografia: Ellen Totleben; Figurino: Warden Neil; Som: Thomas DeGorter, Don Digirolamo, Elmo Ponsdomenech e Larry Stensvold; Efeitos Sonoros: Joe Earle, Brian Thomas Nist e Eric A. Norris; Maquiagem: Bill Corso e Tim Jones; Efeitos de Maquiagem e Próteses: Joel Harlow, Rob Hinderstein e Steve Johnson; Efeitos Especiais: Lou Carlucci e Patrick M. Gerrety; Efeitos Visuais: Boyd Shermis e Dan Kaufman.

Classificação: !!

3 comentários:

Hod disse...

oi cara, vc pode me indicar um link ou torrent para baixar a seria do iluminado?

Hod disse...

oi cara, você po de me indicar um link ou torrent para baixar o seriado do O Ilumindo?

Abesapien disse...

Hod, eu não conheço nenhum link para baixar a mini-série, me desculpe. Mesmo porque não sei nem usar os programas que fazem isso...rsrs