domingo, junho 25, 2006

Série Stephen King 13 / A Criatura do Cemitério

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A Criatura do Cemitério (Stephen King`s Graveyard Shift, EUA, 1990)

O filme é baseado (bem livremente) no conto “Graveyard Shift”, publicado pela primeira vez em 1978 na antologia `Night Visions` (no Brasil, `Sombras da Noite`), e é muito irregular. Foi dirigido por Ralph S. Singleton, dono de um currículo respeitável como produtor (“Perigo Real e Imediato”, “O Último Matador”, “Assassinato na Casa Branca”, “Cemitério Maldito”, entre outros sucessos) e assistente de direção de Scorsese em “Taxi Driver”, que infelizmente deu uma tremenda bola fora aqui. Contando ainda com um roteiro furado e cheio de diálogos clichês de John Esposito, que posteriormente produziria o sucesso “Um Drink no Inferno”, tenho que dizer que a missão era ingrata desde o começo, pois o conto utilizado já não era dos melhores. Vamos à trama: em uma fábrica têxtil decadente, o novo empregado John Hall (David Andrews) é convidado pelo capataz Warwick (Stephen Macht, bem) para, junto com outros companheiros de trabalho, faturar uma grana extra no feriado de 4 de Julho ajudando a limpar os subsolos da fábrica, no turno da noite (o graveyard shift do título original). Movido por um sentimento de aversão extrema ao chefe, Hall aceita o convite, vendo uma oportunidade de armar alguma coisa para cima do capataz. Ao começarem os serviços e chegarem aos níveis mais inferiores da antiga fábrica, os trabalhadores se deparam com uma raça de criaturas assassinas e têm que lutar para sobreviverem...

Apesar do bom começo, com um suspense interessante e um início de desenvolvimento promissor de personagens e situações, o filme vai caindo vertiginosamente até o final chocho e sem graça, com efeitos especiais ridículos e uma total falta de cuidado para com os personagens, que viram caricaturas, destruindo todo o esforço do espectador em tentar, pelo menos, torcer por eles. Nem mesmo a trilha sonora, item básico para salvar um filme de terror, é boa, se limitando aos acordes altos para tentar arrancar sustos. Até conseguiria, se a edição ajudasse... Quanto ao elenco, só se salvam Stephen Macht como Warwick e Brad Dourif, sempre marcante, como o exterminador de ratos. Destaco a opção ridícula de mudar o personagem Wisconsky. No conto, é um gordo bigodudo e covarde; aqui virou uma gata para o herói Hall ter um interesse romântico. Me poupem!

De qualquer forma, o filme pelo menos é curto (93 minutos) e não enche tanto a paciência dos fãs. Fã de terror que se preze assiste de tudo, mesmo porcarias como essa.Ressalte-se ainda a péssima tradução do título, como já é tradição no Brasil: não existe sequer a menção de cemitério em qualquer momento do filme! Provavelmente, quiseram pegar carona no fato de que o diretor produziu “Cemitério Maldito”, mas ninguém entendeu a piada...

Elenco: David Andrews (John Hall), Stephen Macht (Warwick), Kelly Wolf (Jane Wisconsky), Andrew Divoff (Danson), Vic Polizos (Brogan), Brad Dourif (Tucker Cleveland/O Exterminador), Robert Alan Beuth (Ippeston), Ilona Margolis (Nordello), Jimmy Woodard (Carmichael), Jonathan Emerson (Jason Reed), Minor Rootes (Stevenson), Kelly L. Goodman (Secretária de Warwick) e Susan Lowden (Daisy Mae).

Diretor: Ralph S. Singleton; Roteiro: Joe Esposito, baseado no conto `Graveyard Shift`, de Stephen King; Produção: Ralph S. Singleton e William G. Dunn; Produtores Associados: Joan V. Singleton e Anthony Labonte; Produção executiva: Larry Sugar e Bonnie Sugar; Trilha Sonora: Anthony Marinelli e Brian Banks; Diretor de Fotografia: Peter Stein; Edição de: Jim Gross e Randy Jon Morgan; Seleção de Elenco: Richard Pagano, Mary Margiotta e Sharon Bialy; Design de Produção: Gary Wissner; Direção de Arte: Jack Jennings e Mayne Schuyler Berke; Cenografia: George R. Nelson; Figurino: Sarah Lemire; Som: Jon Johnson; Efeitos Especiais: Peter Chesney; Efeitos Visuais: Albert Whitlock.

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Um comentário:

Anônimo disse...

Eu tô assistindo agora e o filme é realmente muito ruim, acho que é o pior disparado baseados em contos de King. Quanto à tradução do título, concordo, porém cabe lembrar que a tradução literal seria "Turno do Cemitério"; graveyard=cemitério. Você diz que não há menção a um cemitério no filme, mas no meio do filme o tal exterminador de ratos vai até um cemitério! A mando de Warwick.