domingo, junho 25, 2006

Série Stephen King 11 / Christine - O Carro Assassino

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Christine - O Carro Assassino (John Carpenter`s Christine / Christine, EUA, 1983)

“Como você mata algo que não poderia estar vivo?”

Lançado em 1983 e filmado no mesmo ano, conta a saga de um carro amaldiçoado, um Plymouth Fury 1958 e a trilha de tragédia e mortes que o acompanha, até o apocalíptico final.
Adaptado pelo roteirista Bill Phillips com boa fidelidade (e alguma licença poética, como é inevitável), o filme começa ao nos apresentar o adolescente Arnie Cunningham (Keith Gordon). Feio, magricela e sem atrativos, tem como único amigo o atleta Dennis Guilder (John Stockwell). Voltando do trabalho no Departamento Estadual de Estradas de Rodagem, Arnie vê um carro extremamente deteriorado à beira da estrada e resolve comprá-lo; Dennis tenta demovê-lo, mas não consegue. Com o tempo, Arnie - que possui bons talentos de mecânica de automóveis - passa por mudanças perceptíveis de atitude e comportamento em relação à família, amigos e escola, aparentemente influenciado pelo carro, que chama de Christine, como o antigo dono fazia.
Depois de uma briga com o valentão da escola Buddy Repperton e sua gangue, Arnie inadvertidamente provoca a expulsão de Buddy e a suspensão dos demais membros, que se vingam no carro, destruindo-o. Dennis e Leigh Cabot (Alexandra Paul) a garota mais bonita da escola, que fora conquistada por Arnie, desconfiam que o carro esconda segredos sinistros, pois ninguém humano conseguiria colocar um automóvel em condições de rodar como Arnie conseguiu, mesmo com a ajuda de um inescrupuloso Will Darnell (Robert Prosky), o dono da garagem, oficina e ferro-velho onde Cunningham guarda Christine desde que a comprou.
Dennis e Leigh sabem que algo está muito errado quando os membros da gangue de Repperton e o próprio morrem, violentamente e sem deixar pistas, deixando até a polícia desconfiada de Arnie, na pele do Detetive Rudolph Junkins (Harry Dean Stanton, habitué nos filmes do diretor na época e muito bem). Então, tomam providências para confrontar Christine e tentar salvar seu amigo e amor das garras do demônio encarnado (ou seria enlatado?)...
Bem dirigido por John Carpenter, que como de praxe também assina a trilha sonora, em um dos seus momentos de alta (como todo fã dele sabe, a carreira de Carpenter é uma montanha-russa, alternando filmes bons e ruins com uma regularidade terrível), tem vários bons momentos que devem ser destacados, como as cenas das mortes e o confronto final, além das impressionantes "ressurreições" do carro. O roteiro ainda teve o bom senso de manter as boas idéias do livro, como o rádio que só pega músicas dos anos 60 e o odômetro que roda para trás, entre outras sacadas inteligentes como as músicas refletirem o estado de espírito do carro nas diferentes situações.
Complementando, fotografia e cenografia sujas e escurecidas, na medida, e elenco empenhado, destacando, em um de seus primeiros filmes, a futura Sra. John Travolta, Kelly Preston em papel menor e bem engraçado, completam a boa mistura conseguida, em uma das dignas adaptações de King para o cinema, que infelizmente não é muito lembrada pelos fãs do autor.
A título de curiosidade: King, um preguiçoso confesso em matéria de pesquisa para seus livros, criou um Plymouth Fury 1958 vermelho Ford e quatro portas. Mas, o detalhe que lhe escapou, esse modelo só existiu em cor amarelo-banana e em versão duas portas! A explicação de King para a cor, foi de que Roland Le Bay encomendou o carro naquela cor específica; quanto à quantidade de portas do veículo. Para fazer o filme, foram destruídos por volta de 13 a 16 Plymouth Furys, dos 25 que foram utilizados. Como esse modelo teve apenas 5.300 unidades construídas na época, eles são objeto de colecionador. A solução foi substituir alguns dos modelos a serem destruídos por Plymouth Belvedere, muito semelhantes aos Fury, exceto por alguns detalhes como grade do radiador e cromados da carroceria. De qualquer maneira, os fãs do carro ficaram enfurecidos e até hoje se negam a comentar sobre o filme ou o livro. Vai entender...hehehe.
De qualquer maneira, polêmicas motorizadas à parte, é um bom filme de suspense que merece ser assistido, seja você fã de Carpenter, de King ou nenhuma das anteriores. Garanto que será uma experiência prazerosa.

Elenco: Keith Gordon (Arnie Cunningham), John Stockwell (Dennis Guilder), Alexandra Paul (Leigh Cabot), Robert Prosky (Will Darnell), Harry Dean Stanton (Det. Rudolph Junkins), William Ostrander (Buddy Repperton), Roberts Blossom (George Le Bay), Christine Belford (Regina Cunningham), Robert Darnell (Michael Cunningham), Malcolm Danare (Moochie Welch), Steven Tash (Richard Trelawney), Stuart Charno (Dan Vanderberg), Marc Poppel (Chuck), David Spielberg (Mr. Casey), Kelly Preston (Roseanne), Richard Collier (Pepper Boyd), Keri Montgomery (Ellie Guilder).

Direção: John Carpenter; Roteiro: Bill Phillips, baseado no livro “Christine”, de Stephen King; Produção: Richard Kobritz; Produtor Associado: Barry Bernardi; Co-produção: Larry Franco; Produção Executiva: Kirby McCauley e Mark Tarlov; Trilha Sonora Original: John Carpenter e Alan Howarth; Direção de Fotografia: Donald M. Morgan; Edição: Marion Rothman; Seleção de Elenco: Karen Rea; Design de Produção: Daniel A. Lomino; Cenários: Cloudia; Figurinos: Darryl Levine; Direção de Arte: William J. Durrell Jr.; Maquiagem: Frankie Bergman e Robert Dawn; Som: Robert J. Litt, Steve Maslow, Elliot Tyson e David L. Yewdall; Efeitos Especiais: Roy Arbogast.

Classificação:
!!!

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