sexta-feira, junho 02, 2006

O Exorcismo de Emily Rose

emilyrose

O Exorcismo de Emily Rose (The Exorcism of Emily Rose, EUA, 2005)

"O Que Aconteceu com Emily?"


Uma cética e cínica advogada de defesa, Erin Bruner (Laura Linney) tem suas convicções abaladas ao pegar o caso do Padre Moore (Tom Wilkinson), acusado de homicídio por negligência da jovem Emily Rose (Jennifer Carpenter, surpreendente), que acabou morrendo algum tempo depois de uma tentativa fracassada de exorcismo. O promotor Ethan Thomas (Campbell Scott) vai fazer de tudo para que o padre seja condenado, pois considera uma irresponsabilidade o que foi feito pela e para a moça, mesmo com o consentimento e apoio dos pais ao procedimento.
Mistura muito interessante de filme de tribunal com horror, o filme foi uma das gratas surpresas do ano. O diretor, Scott Derrickson, tinha um mau histórico – dirigira até então apenas um curta que ninguém viu e a quarta seqüência de “Hellraiser”, que ninguém gostou, inclusive eu – e reverteu as expectativas com segurança e opções corajosas.
Uma delas foi a de misturar esses dois gêneros que salvo engano jamais tinham sido retratados dessa forma na tela grande e a outra foi utilizar, ao contrário de quase todas produções de terror, cores fortes e vibrantes; por exemplo, as cenas onde vemos em flashback o sofrimento de Emily com a possessão durante o julgamento tem predominância de laranja (!) e as cenas no tribunal são verdes. Podem reparar, sempre que alguma coisa assustadora vai acontecer ou ser mostrada, tem algo em tom laranja no enquadramento, seja a roupa do padre (ele está preso, não se esqueçam), seja a parede do quarto de Emily, seja a fachada do prédio da universidade.
Outra opção acertada foi a de manter um tom mais sóbrio e distante, deixando o espectador como alguém que vê de longe o que acontece; isso ajuda muito a identificação com a terrível experiência pela qual passa a personagem principal e o conflito entre a proteção que o padre deseja dar a ela e a fé de que realmente o melhor a fazer é expulsar o demônio do corpo dela, mesmo neste mundo materialista e desencantado.
Claro que, para isso acontecer com quem assiste, a atuação dos personagens principais se torna fundamental. E a melhor surpresa do filme é Jennifer Carpenter como Emily Rose. Sua performance é simplesmente estupenda, com uma capacidade de expressão corporal impressionante (muitas das contorções foram feitas pela própria atriz, sem ajuda de efeitos visuais) e ela ainda por cima é bonita!
Em suma, um filme digno e interessante sobre exorcismo, recheado de bons efeitos de maquiagem, parte técnica (edição, fotografia, cenários) impecável e bom elenco, com destaque ainda, além de Jennifer, para os sempre competentes Campbell Scott (apesar da bigoda risível), Laura Linney e o veterano Tom Wilkinson, além de Duncan Fraser, no papel do velho amigo de Moore, o Dr. Cartwright, um homem da ciência que se rende aos mistérios entre o céu e a terra.
Cenas legais: a primeira vez em que Emily sente estar possuída; o exorcismo no celeiro; o encontro de Emily com uma entidade; o depoimento do padre no banco das testemunhas; os relógios que marcam sempre 3 da manhã (a explicação para isso é muito bacana; e, quando eu vi o filme a primeira vez, por coincidência, a razão da importância desse horário foi colocada pelo roteiro exatamente às 3:00 da madrugada. Perguntem se eu dormi depois...).
Como último toque macabro, a história é baseada livremente em um caso real, ocorrido nos anos 70 com uma moça chamada Anneliese Michel, que também faleceu. Brrrr!!!!
Podem experimentar que o filme é legal, altamente recomendável.

Elenco: Laura Linney (Erin Bruner), Tom Wilkinson (Padre Moore), Campbell Scott (Promotor Ethan Thomas), Jennifer Carpenter (Emily Rose), Colm Feore (Karl Gunderson), Joshua Close (Jason), Kenneth Welsh (Dr. Mueller), Duncan Fraser (Dr. Cartwright), JR Bourne (Ray), Mary Beth Hurt (Juiz Brewster), Henry Czerny (Dr. Briggs), Shohreh Aghdashloo (Dr. Adani), Steve Archer (Cara no Bar), Mary Black (Dra.Vogel), Julian Christopher (Promotor), Iris Graham (Irmã de Emily Rose #2), Taylor Hill (Irmã de Emily Rose #3), Katie Keating (Alice Rose), Marilyn Norry (Maria Rose) e Andrew Wheeler (Nathaniel Rose).

Diretor: Scott Derrickson; Roteiro: Paul Harris Boardman e Scott Derrickson; Produção: Paul Harris Boardman, Beau Flynn, Gary Lucchesi, Tom Rosenberg e Tripp Vinson; Produção Executiva: Andre Lamal, David McIlvain e Julie Silverman Yorn; Trilha Sonora: Christopher Young; Direção de Fotografia: Tom Stern; Edição: Jeff Betancourt; Seleção de Elenco: Stuart Aikins, Sean Cossey, Nancy Nayor e Kelly Wagner; Design de Produção: David Brisbin; Direção de Arte: Sandi Tanaka; Cenários: Lesley Beale; Figurinos: Tish Monaghan; Maquiagem: Sherry Linder-Gygli e Victoria Down; Efeitos de Maquiagem: Keith Van der Laan, Greg Cannom e Mary Kim; Som: Todd Grace, Marti D. Humphrey e Paul N.J. Ottosson; Efeitos Especiais: Jonathan Gording e William H. Orr; Efeitos Visuais: Jeannine Dupuy, Michael Shelton e Keith Van der Laan.

Classificação: !!!!


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