quinta-feira, junho 01, 2006

Entrevista com o Vampiro

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Entrevista com o Vampiro (Interview with the Vampire: The Vampire Chronicles, EUA/ING, 1994)

“Beba de mim e viva para sempre.”

Na agitada San Francisco da década de 90, um repórter (Christian Slater) é abordado pelo misterioso Louis (Brad Pitt), que o leva a um apartamento próximo e começa a contar a história de sua vida... E de sua morte, já que Louis é um vampiro e deseja registrar os acontecimentos assombrosos de sua existência, desde sua transformação pelos dentes de Lestat (Tom Cruise) até aquele momento, incluindo a adoção de Claudia (Kirsten Dunst, em seu primeiro grande sucesso) e o encontro com Armand (Antonio Banderas) – o vampiro mais antigo do mundo – e sua trupe parisiense liderada por Santiago (Stephen Rea, habitual parceiro do diretor).
Estouro de bilheteria na época, indicado para dois Oscar (Direção de Arte e Trilha Sonora) e dois Globos de Ouro (Trilha Sonora e Atriz Coadjuvante para Kirsten Dunst), o filme é uma produção elegante com cenários suntuosos, excelente figurino e impressionante maquiagem vampiresca do mestre Stan Winston (responsável pelos efeitos de “Parque dos Dinossauros” e muitos outros filmes), além de inspirada fotografia de Phillippe Rousselot (cujo trabalho mais recente é “X-Men 3”). Tudo bebendo na fonte do best-seller da autora Anne Rice, que tomou para si o trabalho de adaptação.
Apesar da excelência técnica, o filme sofre de algumas falhas. A autora deixou o filme muito longo e causou problemas de ritmo narrativo, deixando diversas cenas descartáveis e passando por cima de outras que mereciam mais cuidado; o diretor Neil Jordan, comprovadamente talentoso, mostra ressentir-se do gigantismo da produção, escorrega na direção de atores e demonstra claramente ter perdido a parada para a escritora no tom da trama, que realmente fica literária demais e fica muito tempo com as angústias existenciais dos personagens Louis e Claudia, cansando o espectador em diversos momentos.
Outro problema é, no meu ver, a escalação do baixotinho Cruise para viver o personagem Lestat; ícone da década de 90, o vampiro fica escondido atrás da persona do astro e interfere no desenvolvimento da trama, além de que chega a irritar a extrema afetação que o ator impõe ao personagem. Nos livros, Lestat é extremamente sedutor e exala personalidade, enquanto Cruise derrapa na composição e entrega um vampiro meio bicha-louca. Mesma coisa que fez Antonio Banderas, no papel de Armand, todo sussurrante e com olhares lânguidos para lá e para cá, jogando o cabelão ridículo que deram e estragando um personagem muito interessante e forte do livro, o verdadeiro pai dos vampiros.
Em compensação, Brad Pitt faz um bom trabalho como Louis, mesmo exagerando no dramalhão e Kirsten Dunst acaba ficando a melhor coisa do filme como a vampira-mirim Claudia. Destaque também para Christian Slater, substituindo o recém-falecido River Phoenix (primeira opção dos produtores) com dignidade e fazendo as vezes do espectador na trama.
Resumindo, um espetáculo visual que, ironicamente, sofre com a falta de alma. Mas, mesmo assim, um bom programa.

Elenco: Tom Cruise (Lestat de Lioncourt), Brad Pitt (Louis de Pointe du Lac), Kirsten Dunst (Claudia), Antonio Banderas (Armand), Stephen Rea (Santiago), Christian Slater (Daniel Malloy), Thandie Newton (Yvette), Lyla Hay Owen (Viúva St. Clair), Lee Emery Scharfstein (Amante da viúva St. Clair), Sara Stockbridge (Estelle), Domiziana Giordano (Madeleine).

Diretor: Neil Jordan; Roteiro: Anne Rice, baseada em seu livro “As Crônicas Vampirescas”; Produção: David Geffen e Stephen Woolley; Co-produção: Redmond Morris; Trilha Sonora: Elliot Goldenthal; Direção de Fotografia: Phillippe Rousselot; Edição: Mick Ausley e Joke van Wijk; Seleção de Elenco: Susie Figgis e Juliet Taylor; Design de Produção: Dante Ferretti; Direção de Arte: Malcolm Middleton e James E. Tocci; Cenários: Francesca Lo Schiavo, Phillippe Turlure e Ettore Venturini; Figurinos: Sandy Powell; Maquiagem: Michele Burke, Nick Dudman e Renate Leuschner; Efeitos de Maquiagem: Stan Winston, Julie M. Woods e Jonathan Gordin; Som: Tom Fleischman, Dean Humphreys, Eddy Joseph e Robin O’Donoghue; Efeitos Especiais: Steve Crawley, Yves De Bono e Trevor Neighbour; Efeitos Visuais: Jim Hillin, Robert Legato e Cari Thomas.

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