domingo, maio 07, 2006

O Mestre das Ilusões

O Mestre das Ilusões (Lord Of Illusions; Clive Barker’s Lord of Illusions, EUA, 1995)

"Há dois mundos de magia. Um é o domínio luminoso do ilusionista. O outro é um lugar secreto, onde a magia é uma realidade aterrorizante. Aqui, homens têm o poder de demônios. E a própria Morte é uma ilusão."

No prólogo, somos apresentados a um culto apocalíptico bastante aprazível liderado por Nix, O Puritano (Daniel Von Bargen, simplesmente assustador e usando sua voz soturna como em poucas oportunidades). Nix é um niilista que aprendeu mágica real e acredita não haver outra solução para o mundo que não seja a destruição. Seus seguidores, que apreciam deveras uma auto-mutilaçãozinha e sexo grupal não poderiam ser mais cooperativos, como Butterfield (Barry Del Sherman), um assassino de visual andrógino e que com a ajuda de outros membros, rapta uma menina, Dorothea (Ashley Lynn Cafagna), para servir de sacrifício aos demônios que Nix quer agradar para se tornar um Deus na Terra. O discípulo mais dotado de Nix na magia, Swann (Kevin J. O’Connor) e os amigos Quaid (Joseph Latimore), Jennifer (Sheila Tousey) e Pimm (Susan Traylor) atacam o culto, salvam a menina e, depois de prenderem Nix em uma máscara de ferro ritual, o enterram para sempre. Será?
Cortando para o presente, vemos um detetive particular de Nova Iorque, Harry D’Amour (Scott Bakula, mais presente na TV do que no cinema, o que é uma pena) com tendência a se ver enredado em casos escabrosos e macabros, receber uma missão: ir a Los Angeles para seguir o responsável por uma fraude de seguros e entregar o rapaz para a polícia.
As duas linhas narrativas se cruzam quando o fraudador seguido por Harry vai consultar um leitor de mãos. Ao ver sua presa sair correndo do consultório esotérico e decidir ir ver o que estava acontecendo, Harry é atacado por um jovem gigantesco controlado por Butterfield, que acabara de transformar o místico em almofadinha de alfinetes. Depois de uma luta desesperada e da fuga de Butterfield, Harry descobre que o homem semi-morto à sua frente é ninguém menos que Quaid (um dos que atacaram o culto de Nix, lembram-se?), que fala o nome de Swann – agora um famoso ilusionista ao estilo de David Copperfield e Daniel Blaine, que dá shows lotados e com truques elaborados, que na verdade não são truques e sim magia pura – e pede para que este seja avisado.
No funeral, Harry é abordado por Valentin (Joel Swetow), o assistente do feiticeiro, que lhe pede para falar com uma senhora. Ela é Dorothea (agora vivida por Famke Janssen), casada com Swann e que o contrata para proteger seu marido, o qual ela sente estar sendo perseguido e correndo perigo de morte. Quando o mágico morre no palco, Harry se vê envolvido em uma louca seqüência de eventos onde precisará de toda sua habilidade para salvar a si e Dorothea, e o mundo de lambuja, do retorno de Nix.
Quase dez anos depois de seu sucesso mundial “Hellraiser” (pedra fundamental de uma franquia de grande faturamento e que atualmente se encontra no oitavo exemplar cinematográfico), o escritor Barker lançou mais uma adaptação de um de seus textos, no caso o conto “The Last Illusion”, com resultado um pouco irregular. Mas que se salva da média dos filmes do gênero pela extrema inventividade e bons personagens. Uma mistura muito interessante de film noir com terror, contando com ótimas cenas de tensão e com efeitos de maquiagem e visuais assustadores.
Como bônus, Barker criou uma sociedade de mágicos (ilusionistas), que conta com uma miríade de figuras muito bacana, em que Harry vai investigar se existe alguma referência ao Puritano em algum dos milhares de livros e registros sobre magia guardados pelo líder da sociedade, Vinovich (Vincent Schiavelli, sempre marcante) em uma câmara onde somente ele entra. As cenas dentro do prédio são ótimas, desde o momento em que o detetive entra e conhece um velho mágico, Walter Wilder (Billy McComb) que fica fazendo truques com cartas sem parar, até a invasão com a ajuda de Billy Who (Lorin Stewart).
Recheado ainda de várias outras cenas legais com atmosfera impecável, como a do exorcismo do caso de Harry em Nova Iorque, o show de Swann, e, a mais aterrorizante, a reunião dos cultistas treze anos depois, onde é mostrado o tamanho do fanatismo dos seguidores de Nix.
Destaque ainda para a impressionante maquiagem dos mestres Nicotero, Berger e Kurtzman, que fazem um dos seus melhores trabalhos aqui.
Uma produção muito original, que apesar de defeitos de ritmo em algumas cenas e performance pouco inspirada da bela Famke Janssen, entretém e dá o que pensar ao espectador, junto com Harry, nosso representante no mundo mágico com seu ceticismo e cinismo e sem subestimar a inteligência de ninguém. Um filme de suspense adulto e interessante, como de hábito com Barker e as adaptações de suas obras para o cinema (pelo menos aquelas que respeitam a fonte, bem entendido).
Bacanérrimo.

Elenco: Scott Bakula (Harry D’Amour), Daniel Von Bargen (Nix), Kevin J. O’Connor (Phillip Swann), Famke Janssen (Dorothea Swann), Barry Del Sherman (Butterfield), Joel Swetow (Valentin), Joseph Latimore (Casper Quaid), Vincent Schiavelli (Vinovich), Billy McComb (Walter Wilder), Lorin Stewart (Billy Who), Sheila Tousey (Jennifer Desiderio), Susan Traylor (Maureen Pimm), Ashley Lynn Cafagna (Jovem Dorothea), Michael Angelo Stuno (Líder Cultista Masculino), Bárbara Patrick (Líder Cultista Feminina), Wayne Grace (Loomis), Jordan Marder (Ray Miller), Mikey LeBeau (Garoto possuído),

Diretor: Clive Barker; Roteiro: Clive Barker; Produção: Clive Barker e Joanna Sellar; Produtora Associada: Anna C. Miller; Produção Executiva: Steve Golin e Sigurjon Sighvasson; Trilha Sonora: Simon Boswell; Direção de Fotografia: Ronn Schmidt; Edição: Alan Baumgarten; Seleção de Elenco: Sharon Howard-Field; Design de Produção: Steve Hardie; Direção de Arte: Marc Fisichella e Bruce Robert Hill; Cenários: David A. Koneff; Figurinos: Luke Reichle; Maquiagem: Gigi Williams; Efeitos de Maquiagem: Howard Berger, Robert Kurtzman e Gregory Nicotero; Som: Gary Gegan, Lewis Goldstein, Matthew Iadarola e John A. Larsen; Efeitos Especiais: Lou Carlucci e Joe Fordham; Efeitos Visuais: Thomas C. Rainone, Gene Warren Jr., Tom Williamson, Betzy Bromberg e Bret Mixon.
Classificação: !!!!

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