quarta-feira, março 29, 2006

Hellraiser 2

Hellraiser II (Hellbound: Hellraiser II, EUA / ING, 1988)

Sequência inevitável de “Hellraiser”, do ano anterior, conta com as mesmas características que tornaram o filme de origem um enorme sucesso; porém a maldição das continuações atacou de novo, prejudicando uma maior longevidade da produção em relação à série (que já tem mais seis filmes e contando) pela fragilidade de algumas passagens do roteiro e falta de talento da maior parte do elenco.
Começando quase que imediatamente de onde terminou o primeiro, vemos Kirsty (Ashley Laurence, constrangedoramente ruim) recolhida a um hospital psiquiátrico para se recuperar dos terríveis eventos anteriores. Com a ajuda nesse sentido de um médico compreensivo, Kyle (William Hope), ela está convencida de que seu pai continua vivo em outra dimensão onde moram os demoníacos (angelicais?) cenobitas, liderados por Pinhead (Doug Bradley). O que Kirsty não contava é que o chefe do hospital, Dr. Channard (Kenneth Cranham), sabe sobre a Configuração dos Lamentos (a caixa que abre as portas de nossa realidade para os cenobitas) e que este irá ressuscitar Julia (Claire Higgins) para realizar seu plano de conhecer a dimensão infernal, planejando utilizar para tanto a menina Tiffany (Imogen Boorman), semi-autista que é especialista em resolver e decifrar enigmas.
Apropriadamente sombrias e sujas, a cenografia e fotografia são muito boas e com visual extremamente apurado, em conjunto com a parte técnica recheada de membros voando e sangue aos borbotões, as quais deixarão os fãs entusiasmados. Além do mais, temos a oportunidade de conhecer com mais detalhes a origem dos cenobitas, com direito até a um rápido flashback da criação de Pinhead, um dos melhores vilões de terror de todos os tempos e o local de onde invadem nosso mundo, um labirinto dominado por uma entidade chamada Leviatã.
Por óbvio a película tem problemas enormes de furos de roteiro, tais como um descolamento da realidade do espectador, o que deixa mais difícil para identificação com os problemas enfrentados pelos protagonistas e causar medo; algumas forçações de barra com Julia e o Dr. Channard entre outros, até chegar ao final capenga, que dilui muito o precário suspense e clima de insanidade criado. Claro que, noves fora, ainda fica acima da média pela força da mitologia engendrada por Barker que realmente captura a atenção e faz com que queiramos saber mais e mais.
Se acompanhar a série, não perca; se não, arrisque, porém fique avisado de que não é um filme fácil de ver pelo alto grau de violência. Mas não deixe de ver o primeiro antes para acompanhar com mais clareza os desdobramentos da trama.
Elenco: Clare Higgins (Julia Cotton), Ashley Laurence (Kirsty Cotton), Kenneth Cranham (Dr. Phillip Channard / Cenobita), Imogen Boorman (Tiffany), Sean Chapman (Frank Cotton), William Hope (Kyle McRae), Doug Bradley (Pinhead / Capitão Elliot Spencer), Barbie Wilde (Cenobita Feminina), Simon Banford (Cenobita Butterball), Nicholas Vince (Cenobita Chatterer), Oliver Smith (Browning / Frank – sem pele), Angus McIness (Detetive Ronson), Deborah Joel (Julia – sem pele), James Tillitt (Oficial Cortez), Bradley Lavelle (Oficial Kucich), Edwin Craig (Paciente na Cadeira de Rodas), Ron Travis (Operário 1), Oliver Parker (Operário 2) e Catherine Chevalier (Mãe de Tiffany).
Diretor: Tony Randel; Roteiro: Clive Barker (história) e Peter Atkins (roteiro); Produção: Christopher Figg; Produtor Associado: David Barron; Produção Executiva: Christopher Webster e Clive Barker; Trilha Sonora: Christopher Young; Direção de Fotografia: Robin Vidgeon; Edição: Richard Marden e Tony Randel; Elenco: Doreen Jones; Design de Produção: Michael Buchanan; Direção de Arte: Andy Harris; Figurinos: Jane Wildgoose; Maquiagem: Heather Jones e Aileen Seaton; Efeitos de Maquiagem: Steve Cullane e Paul Knowles; Som: John Ireland e Simon Manley; Efeitos Especiais: Bob Keen e Graham Longhurst; Efeitos Visuais: Dennis Bartlett, Cliff Culley e Neil Culley.

Nenhum comentário: