terça-feira, janeiro 24, 2006

Série Stephen King 8 / Trocas Macabras

Trocas Macabras (Needful Things, EUA, 1993)

Outra boa adaptação de um livro do mestre Stephen King, dirigida pelo estreante na época Fraser Heston (filho do mito Charlton Heston, o Ben-Hur; quer dizer, mito antes de virar um babaca que defende armas nos EUA) com uma segurança incomum (claro que ter o experiente diretor Peter Yates, de “2010 – O Ano Em Que Faremos Contato” e “Krull”, entre muitos outros filmes, como produtor executivo, ajudou um pouquinho...), conta uma história intrigante; até onde você iria para realizar seus sonhos materiais?
Em uma pequena cidade da Nova Inglaterra, uma nova loja é aberta. Seu dono é Leland Gaunt (Max von Sydow, brilhante), que cobra muito pouco pelos seus produtos; uma pequena quantia em dinheiro e um favorzinho. Como os itens que ele vende representam uma realização de um sonho para os compradores – uma figurinha de beisebol rara, um simulador de corridas de cavalos, uma rara edição de um livro famoso e outras coisas assim – e os favorzinhos são aparentemente inofensivos, como brincar com algumas pessoas, colocar um pouco de lama nos lençóis de outras, etc, os moradores fazem o que Gaunt pede.
Acontece que cada um dos favorzinhos é calculado para tocar fundo nas feridas das pessoas vítimas das “brincadeiras”, que vão gradualmente ficando mais perigosas, e aos poucos o estado de tensão e nervos da cidade muda da água para o vinho: de pacatos e ordeiros, os moradores vão se tornando intolerantes e agressivos. O único que não entra na histeria é o xerife Pangborn (Ed Harris, sempre competente), que começa a achar que Gaunt é o próprio Satã, se divertindo com os cidadãos. Ele tentará dar um fim nisso antes que a cidade inteira vá pelos ares.
Um estudo sobre a ganância e a vida de aparências, o roteiro deu ao diretor um ótimo material de trabalho para desenvolver uma história tensa e que toca em temas incômodos; somos mesmo tão centrados em bens materiais e preocupados com o pensamento dos outros sobre nós, que faríamos de tudo para manter esse status quo? O personagem de Von Sydow, na verdade, é uma metáfora para o mal que existe dentro de cada um e que nem sempre se consegue controlar com propriedade.
Nada disso seria possível sem um elenco de peso e Heston conseguiu reunir um ótimo trio central com Von Sydow (é bom lembrar que ele é o ator favorito de um dos diretores mais exigentes do mundo, o sueco Ingmar Bergman, conhecido pela densidade e profundidade emocional dos seus filmes), Ed Harris (um dos maiores coadjuvantes de todos os tempos, tendo uma oportunidade de mostrar seu talento como protagonista) e Bonnie Bedelia (a mulher de John McClane na série “Duro de Matar” e com sólida carreira teatral), além de um ótimo elenco de apoio encabeçado pelo saudoso J.T. Walsh (fantástico como o instável e rabugento Buster Keeton) e Amanda Plummer (que ganhou prêmios pelo papel neste filme).
Nos aspectos técnicos, tudo em um bom nível, aproveitando as belezas naturais do litoral do Maine com fotografia bem interessante, cenários bem elaborados, deixando todos os espectadores (e personagens) se sentindo cada vez mais presos na teia engendrada pelo diabólico Gaunt.
Mais uma vez o final-surpresa acontece, e fecha com maestria um pequeno grande filme de suspense sobrenatural. Assistam, ok?

Elenco: Max Von Sydow (Leland Gaunt), Ed Harris (Xerife Alan J. Pangborn), Bonnie Bedelia (Polly Chalmers), Amanda Plummer (Netitia “Nettie” Cobb), J.T. Walsh (Danforth “Buster” Keeton III), Ray McKinnon (Policial Norris Ridgewick), Duncan Fraser (Hugh Priest), Valri Bromfeld (Wilma Jerzyck), Shane Meier (Brian Rusk), William Morgan Sheperd (Padre Meehan), Don S. Davis (Reverendo Willie Rose), Campbell Lane (Diretor Frank Jewett), Eric Schneider (Henry Beaufort), Frank C. Turner (Pete Jerzyck), Gillian Barber (Myrtle Keeton), Deborah Wakeham (Myra Evans), Tamsin Kelsey (Sra. Ratcliffe), Lochlyn Munro (Policial John LaPointe), Bill Croft (Policial Andy Clutterbuck), Dee Jay Jackson (Eddie Warburton), Ann Warn Pegg (Ruth Roberts), Gary Paller (George Cobb), Sarah Sawatsky (Karen), Robert Easton (Lester Pratt), Mike Chute (Hugh Priest-Jovem), Mel Allen (Locutor de Baseball) e Trevor Denman (Locutor de Corridas de Cavalo).

Diretor: Fraser Clarke Heston; Roteiro: W.D. Richter, baseado no livro “Coisas Necessárias” de Stephen King; Produção: Jack Cummins; Produtor Associado: Gordon Mark; Produtor Executivo: Peter Yates; Trilha Sonora: Patrick Doyle; Direção de Fotografia: Tony Westman; Edição: Rob Kobrin; Elenco: Stuart Aikins, Mary Gail Artz e Barbara Cohen; Design de Produção: Douglas Higgins; Direção de Arte: Sheila Haley; Cenários: Dominique Fauquet-Lemaitre; Figurinos: Monique Prudhomme; Maquiagem: Sandy Cooper; Som: Richard L. Anderson; Efeitos Sonoros: John Hulsman, Eric Lindemann e John Pospisil; Efeitos de Maquiagem: Tibor Farkas e Brian Dott; Efeitos Especiais: Gary Paller; Efeitos Visuais: David Fuhrer e Janek Sirrs.

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