quarta-feira, janeiro 25, 2006

Renascido das Trevas

Renascido das Trevas (The Resurrected, EUA, 1992)

H.P. Lovecraft foi um dos maiores escritores de terror de todos os tempos. Tinha como especialidade contos sobre monstros e deuses inimagináveis de outras dimensões que estavam na Terra há bilhões de anos e procuravam despertar para retomar o domínio da humanidade que não podia vislumbrar esses demônios sem que loucura chegasse rapidamente; esse estilo, repleto de adjetivos e descrições sombrias, muito elegantes, não teve par entre os escritores contemporâneos (ainda) e nunca tinha sido decentemente adaptado para o cinema, apesar da plasticidade, força e bom clima da sua prosa e de algumas tentativas fracas terem sido feitas.
Até que Dan O´Bannon, roteirista de “Alien, o 8º Passageiro” e "O Vingador do Futuro", realizador de alguns filmes de terror muito bons, resolveu dirigir esta adaptação fiel (dentro do possível) de um dos poucos romances escritos por Lovecraft, que era essencialmente um contista.
Charles Ward (Chris Sarandon, ótimo) é um engenheiro químico que após receber um baú e uma casa isolada como herança, começa a agir de forma cada vez mais estranha. Sua esposa, Claire (Jane Sibbett, bonita e só), desconfia da transformação do marido e contrata o detetive particular John March (John Terry) para que este descubra o que afinal está acontecendo. Durante a investigação, March verifica que Ward continua as experiências de Joseph Curwen (Sarandon, novamente), um bruxo, antepassado seu, que tentava descobrir a imortalidade através de alquimia, cadáveres de ocultistas famosos e enormes quantidades de carne crua. Aterrorizada com as descobertas, Claire faz com que a polícia invada a casa e prenda Charles, que é internado no manicômio, por estar com tendências homicidas e praticar canibalismo; March, Claire e Lonnie (Robert Romanus), assistente de March, vão até a casa e descobrem que as experiências de Curwen deram certo... Com algumas exceções.
Tenso e pesadão, com ótimos efeitos de maquiagem, o filme fez enorme sucesso na Mostra Internacional de Cinema de SP em 1993 com sessões lotadas. Merecidamente.
Tudo funciona: os atores estão muito bem com exceção de Jane Sibbett (bem fraquinha) e o roteiro capturou a essência do livro, com diversas seqüências assustadoras e delirantes, até o final.
Uma curiosidade: Deep Roy, o ator indiano que interpretou os Oompa-Loompas no filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, faz o papel de uma das experiências de ressurreição que não deram muito certo.

Elenco: John Terry (John March), Jane Sibbett (Claire Ward), Chris Sarandon (Charles Dexter Ward / Joseph Curwen), Robert Romanus (Lonnie Peck), Laurie Briscoe (Holly Tender), Ken Camroux (Capitão Ben Szandor), Patrick Pon (Raymond), Bernard Cuffling (Dr. Waite), Eric Newton (Lucius Fenner), Judith Maxie (Dra. Lyman), Charles Kristian (Ezra Ward), Megan Leitch (Eliza), Deep Roy (Monstro do Poço).

Diretor: Dan O´Bannon; Roteiro: Brent V. Friedman, baseado no livro “O Estranho Caso de Charles Dexter Ward”, de H.P. Lovecraft; Produção: Mark Borde, Kenneth Raich e Shayne Sawyer; Produção Executiva: Tom Bradshaw e Tony Scotti; Trilha Sonora: Richard Band; Diretor de Fotografia: Irv Goodnoff; Edição: Russell Livingstone; Elenco: Penny Ellers e Fiona Jackson; Design de Produção: Brent Thomas (design da tumba de Bill Terezakis); Direção de Arte: Doug Byggdin; Cenários: Christine McLean; Figurinos: Marcella Robertson; Maquiagem: Reginald LeBlanc e Fern Levin; Som: Barney Cabral; Efeitos Especiais de Maquiagem e Próteses: David P. Barton, Mark Gabarino, Thomas Floutz e Scott Coulter; Efeitos Especiais: Gary Paller; Efeitos Visuais: Dave Gregory e Todd Masters.

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