terça-feira, janeiro 24, 2006

O Enigma do Outro Mundo

O Enigma do Outro Mundo (The Thing, EUA, 1982)

Um dos primeiros filmes da carreira do importante diretor do gênero John Carpenter (que assinou, entre outros clássicos, “Christine – O Carro Assassino”, “Fuga de Nova York”, “Á Beira da Loucura” e “Príncipe das Trevas”), é um marco na história dos efeitos especiais de maquiagem e também um dos filmes mais nojentos já realizados (no bom sentido, claro).
Em um remoto posto de pesquisas na Antártida, um grupo de cientistas americanos é atacado, sem querer, por um helicóptero com bandeira norueguesa, que perseguia e tentava matar, a tiros, um cachorro (Jed, um mestiço de Husky Siberiano com lobo).
Quando o helicóptero cai e explode, os americanos ficam curiosos e vão até o posto dos pilotos mortos. Chegando lá, descobrem que os noruegueses desenterraram uma nave espacial do gelo e que mais alguma coisa estava com o artefato, que eles não conseguiram descobrir o que é; e todos os integrantes da equipe estavam mortos e alguns terrivelmente deformados.
Voltando para sua base, os americanos descobrem que o responsável pela destruição dos noruegueses é uma criatura mutante que assimila e toma o lugar de pessoas e animais, imitando-os a perfeição. Então os cientistas têm que lutar para sobreviver á fúria assimiladora da criatura, que os pega um a um. Ou será que não?
Recheado de boas atuações e uma sensação de claustrofobia e tensão intensas (praticamente o filme inteiro se passa no posto americano), um excelente suspense com efeitos de maquiagem simplesmente fantásticos. O criador deles é Rob Bottin, que na época tinha 22 anos e posteriormente seria responsável por “Robocop” e “Se7en”, além de “Missão Impossível”, e entrega ao diretor um monte de monstros aterrorizantes e nojentos, que auxiliam e muito a deixar este filme memorável.
O elenco é composto do chapa Kurt Russell, que já fez, pelo menos que eu me lembre, mais de sete filmes com Carpenter, e defende o papel do “protagonista” McCready, o mais lúcido dos componentes da base de pesquisas. Mas o restante não faz feio e se destacam Wilford Brimley como Blair (o cérebro da equipe e quem descobre a natureza do monstro) e David Keith como o rabugento Childs. Só que eu não pude deixar de reparar que o ator Richard Dysart (o Dr. Cooper), já com certa idade, ostenta um moderníssimo... piercing no nariz! E em 1982! Isso que é ser fashion, não é mesmo, amigos?
Nos aspectos técnicos, em adição ao que já escrevi sobre os efeitos de maquiagem de vanguarda, a fotografia é bem bonita (com tomadas externas realizadas na Colúmbia Britânica, no Canadá) e com uma trilha sonora matadora do gênio italiano Ennio Morricone (de “Era Uma Vez na América”).
Um filme que todo fã de suspense e terror tem que assistir pelo menos uma vez na vida.
Curiosidade: o diretor John Carpenter e o ator Kurt Russell admitem que, mesmo depois de tantos anos, ainda não sabem quem foi substituído pela criatura e quando.

Elenco: Kurt Russell (R.J. McCready), Wilford Brimley (Dr. Blair), T.K. Carter (Nauls), David Clennon (Palmer), Keith David (Childs), Richard Dysart (Dr. Cooper), Charles Hallahan (Norris), Peter Maloney (Bennings), Richard Masur (Clark), Donald Moffat (Garry), Joel Polis (Fuchs), Thomas Waites (Windows), Norbert Weisser (Norueguês), Larry Franco (Norueguês com rifle), Nate Irwin (Piloto de Helicóptero), William Zeman (Piloto).

Diretor: John Carpenter; Roteiro: Bill Lancaster, baseado no conto “Quem Vem Lá? – Who Goes There?” de John W. Campbell Jr. e inspirado pelo filme “The Thing From Another World”, de 1951; Produção: Lawrence Turman, David Foster e Stuart Cohen; Produtor Associado: Larry Franco; Produtor Executivo: Wilbur Stark; Trilha Sonora: Ennio Morricone; Diretor de Fotografia: Dean Cundey; Edição: Todd Ramsay; Elenco: Anita Dann; Design de Produção: John Lloyd; Direção de Arte: Henry Larrecq; Cenários: John Dwyer; Efeitos de Maquiagem: Rob Bottin e Ken Diaz; Som: Colin C. Mouat e David Lewis Yewdall; Efeitos Sonoros: Warren Hamilton Jr.; Efeitos Especiais: Roy Arbogast, Michael Clifford e Lee Routly; Efeitos Visuais (seqüência de abertura): Peter Kuran, Susan Turner e Albert Whitlock.

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