terça-feira, dezembro 13, 2005

Visão do Terror


A Visão do Terror (TerrorVision, EUA, 1986)

Amigos e vizinhos, este filmeco é um digno representante das produções trash de terror e ficção dos anos 80. Não se fazem mais filmes como antigamente...
Na trama, um monstro gigantesco que devora tudo que vê pela frente é transformado em energia pura pela estação de tratamento de lixo do planeta Plutão(!) e enviado para os confins do universo. Por acidente (numa cena ridícula onde vemos o jato de energia ricocheteando pelos planetas), essa energia desincorporada é captada pela antena parabólica dos Putterman e o monstro é libertado. O único que sabe o que está acontecendo é Sherman (Chad Allen), mas ninguém acredita nele. Será que há esperança para a humanidade? Sobreviveremos a essa provação?
Um grande barato, esse filme é um festival de personagens malucos (por exemplo, os Putterman são praticantes de swing; o filho Sherman é maluco por armas e anda uniformizado; a filha é uma doida por MTV; o namorado é um metaleiro meio debilóide; o avô prega que todos devemos comer caudas de lagarto e lutar contra a estupidez do mundo com uma Uzi; uma apresentadora de um programa de filmes de terror na TV que acha que é a Medusa) e frases estapafúrdias, com bons efeitos de maquiagem e atuações beirando (e quase sempre ultrapassando) o ridículo; os cenários da casa são bem kitsch, com muito vermelho, sofás coloridos e quadros de mulheres de lingerie. As roupas dos personagens também são típicas da década de 80 (atentem para o visual Madonnístico de Suzy Putterman), com muitos brilhos e cores berrantes.
O monstro é o grande herói do filme, e os três jovens (Chad Allen, Diane Franklin e Jon Gries) inclusive tentam domesticá-lo e ensinar a falar, em uma das grandes cenas do filme. As cenas das mortes são bem nojentas, com muita baba e sangue verde (!), em um bom trabalho da equipe de efeitos especiais.
A produtora Empire, dos irmãos Band (Charles, Albert e Richard), tinha a pretensão de ser a perpetuadora do legado de Roger Corman, e se notabilizou por produzir muitas pérolas do cinema B, sempre com pouco dinheiro e muita criatividade, pena que sem obter os mesmos resultados na qualidade cinematográfica que o mestre Corman conseguiu. Contudo, foram os responsáveis por dar chances a ótimos realizadores de terror como Stuart Gordon (de Re-Animator, Do Além e muitos outros filmes legais de podreira da década de 80 e 90), o ator Jeffrey Combs (homenageado por Peter Jackson em “Os Espíritos”) e o próprio diretor deste filme, Ted Nicolaou, que começou na equipe de Tobe Hooper no clássico “O Massacre da Serra Elétrica”, de 1974 e nunca parou de tentar levar a bandeira do terror B para adiante, sendo responsável pela série “Bloodspecies” e outras pérolas. Além do mais, a música-tema é muito legal, cantada pelo grupo The Fibonaccis (que nunca mais apareceu...será que o monstro os devorou também?).
Se você aprecia um bom filme ruim, não perca.
Curiosidade: os filmes que aparecem na TV durante o desenrolar da trama são “Earth vs. The Flying Saucers” de 1956; “The Giant Claw” de 1957; “Robot Monster” de 1953, todos clássicos das matinês de terror e ficção dos anos 50 e “The Dungeon Master” de 1986 (este último também dirigido por Ted Nicolaou)
Elenco: Diane Franklin (Suzy Putterman), Gerrit Graham (Stanley Putterman), Mary Woronov (Raquel Putterman), Chad Allen (Sherman Putterman), Bert Remsen (Vovô Putterman), Jonathan Gries (O. D.), Jennifer Richards (Medusa), Alejandro Rey (Spiro), Randi Brooks (Cherry), Ian Patrick Williams (Sargento Nulty), Sonny Carl Davis (Norton), William Paulson (Pluthar), John Leamer (Chofer).
Diretor: Ted Nicolaou; Roteiro: Charles Band (história) e Ted Nicolaou (roteiro); Produção: Albert Band; Produtor Associado: Debra Dion; Produção Executiva: Charles Band; Trilha Sonora: Richard Band e The Fibonaccis; Direção de Fotografia: Romano Albani; Edição: Thomas Meshelski; Direção de Arte: Giovanni Natalucci; Figurinos: Kathie Clark; Maquiagem: R. Christopher Biggs; Som: Tom Gerard e Tom Villano; Efeitos Especiais: John Carl Buechler e MMI, Inc.

Existe na Internet um movimento para que o filme seja lançado em DVD; se você já viu o filme em VHS e quer apoiar esse pedido, acesse o link
http://www.petitionspot.com/petitions/TerrorvisionDVD

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