quarta-feira, dezembro 14, 2005

Série Stephen King 6 / Carrie, A Estranha


Carrie, A Estranha (Carrie, EUA, 1976)

Grande sucesso na década de 70 foi um dos primeiros filmes dirigidos por Brian de Palma (“Scarface”, “O Pagamento Final”, “Olhos de Serpente”, entre outros) e a produção que marcou o início da prolífica colaboração de King com o cinema, sendo que o livro que originou a película foi o primeiro escrito por ele e que sedimentou sua carreira de sucesso nas duas mídias.
Uma garota, Carrie White (Sissy Spacek, indicada ao Oscar® de 1977 pelo papel) sofre nas mãos das colegas de escola, lideradas por Sue (Amy Irving) e Chris (Nancy Allen, deliciosamente cruel) por causa de suas maneiras tímidas e retraídas e sua aparência desleixada e deslocada. A menina é defendida pela professora de Educação Física, Srta. Collins (Betty Buckley), em um episódio no chuveiro quando ela menstrua pela primeira vez e fica apavorada, sendo motivo de chacota e até mesmo agressões físicas, com toalhas e tapas. As colegas são punidas pela crueldade, o que causa ainda mais animosidade contra Carrie, com a exceção de Sue, que se arrepende do que fez e busca maneiras de compensar, ao contrário de Chris, que insiste com a perseguição e acaba expulsa da escola.
Acontece que Carrie possui poderes telecinéticos (move objetos com a mente) e é severa e constantemente reprimida pela mãe, Maggie (Piper Laurie, soberba e também indicada ao Oscar® de 1977, como atriz coadjuvante), uma amargurada fanática religiosa que considera sua filha uma punição divina pelas suas “falhas” como mulher. Ela atormenta e pune Carrie com castigos e penitências, dentro da lúgubre casa das duas.
Quando Sue, buscando a redenção, convence seu namorado Tommy (William Katt) a convidar Carrie para o Baile de Formatura, Chris e seu namorado delinqüente Billy (John Travolta, bem canalha e antes do sucesso de “Os Embalos de Sábado à Noite”) vêem a oportunidade de vingança, numa cena emblemática do cinema de horror moderno. Só que não contavam com os poderes de Carrie, que afloram violentamente e sem fazer distinções...
Recheado de inovações estilísticas do diretor, que exerce seu virtuosismo técnico com travellings de câmera inventivos e telas múltiplas (características que ficariam como sua marca registrada), o filme é um bom espetáculo, apoiado nas ótimas atuações do par central e um roteiro forte, do especialista Lawrence Cohen, que aproveitam todas as nuances e possibilidades dadas pelo livro. Conta ainda com a preciosa trilha sonora do italiano Pino Donaggio (habitual colaborador do mestre italiano do terror Dario Argento), que pontua os sustos (e, acreditem, eles são muitos) de forma eficiente até o final apocalíptico, que fez escola.
Um pequeno clássico, sem sombra de dúvida. Não deixe de ver.

Elenco: Sissy Spacek (Carrie White), Piper Laurie (Margaret White), Amy Irving (Sue Snell), William Katt (Tommy Ross), Betty Buckley (Srta. Collins), Nancy Allen (Chris Hargensen), John Travolta (Billy Nolan), P. J. Soles (Norma Watson), Priscilla Pointer (Sra. Snell), Sydney Lassick (Sr. Fromm), Stefan Gierasch (Sr. Morton), Michael Talbott (Freddy), Doug Cox (O Bico), Noelle North (Frieda), Cindy Daly (Cora), Deirdre Berthong (Rhonda), Anson Downes (Ernest), Rory Stevens (Kenny), Edie McClurg (Helen).

Diretor: Brian de Palma; Roteiro: Lawrence D. Cohen, baseado no livro “Carrie”, de Stephen King; Produção: Brian de Palma e Paul Monash; Produtor Associado: Louis A. Stroller; Trilha Sonora: Pino Donaggio; Diretor de Fotografia: Mario Tosi; Edição: Paul Hirsch; Elenco: Harriet B. Helberg; Direção de Arte: Jack Fisk e William Kenney; Cenários: Robert Gould; Figurinos: Rosanna Norton; Maquiagem: Wesley Dawn; Som: Dan Sable e Lois Freeman; Efeitos Especiais: Greg Auer e Ken Pepiot.

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