terça-feira, dezembro 06, 2005

Série Stephen King 5 / Louca Obsessão

Louca Obsessão (Misery, EUA, 1990)

Grande adaptação da obra de Stephen King, a produção valeu o Oscar® e o Globo de Ouro® de melhor atriz para Kathy Bates, pelo papel de Anne Wilkes.
Na trama, o escritor de sucesso Paul Sheldon (James Caan, muito bem), acaba de encerrar mais um romance. Cheio de manias, ele sempre escreve à máquina, no mesmo hotel (localizado em uma cidadezinha da Nova Inglaterra) e cumpre o mesmo ritual: um cigarro, uma taça de champanhe e leva o manuscrito em uma velha pasta de couro, dirigindo um Mustang 1966, até o escritório de sua editora, Marcia Sindell (a veterana Lauren Bacall), em Nova York.
No caminho, ele sofre um sério acidente, devido a uma tempestade de neve e é resgatado pela enfermeira Anne Wilkes (Kathy Bates, espetacular), uma grande fã da série de livros com a personagem Misery, uma espécie de folhetim, que trouxe fama e fortuna para Sheldon. Porém, cansado de escrever sobre Misery, Sheldon decidiu matar a personagem, fato que desagradou profundamente Anne, mas que ela decide não revelar para seu ídolo.
À medida que o tempo passa, Sheldon percebe que, na verdade, está sendo mantido prisioneiro pela fã, que se mostra cada vez mais psicótica e assustadora. E o debilitado escritor terá que enfrentar sua salvadora para sobreviver.
Passado quase que totalmente em um único cenário, a casa da enfermeira, é um estudo de tensão e suspense bem organizado pelo roteirista e realizado com segurança pelo diretor Reiner (ainda curtindo o sucesso da comédia romântica “Harry e Sally”), que conseguiu escapar do jeitão de teatro filmado e imprimir uma narrativa coesa. Claro que o esforço do diretor teria sido em vão sem um par central de respeito e James Caan e Kathy Bates estabelecem uma boa química em cena, trazendo o espectador para perto da angústia da situação e torcendo pelo escritor Paul Sheldon, encurralado pela sua própria criação e o efeito causado por esta em uma mente perturbada como a de Annie Wilkes. O tema de a criação voltar-se contra o criador é recorrente na ficção de Stephen King e encontra aqui um dos melhores filmes já realizado sobre essa temática; um outro exemplo clássico é “Frankenstein”, de 1931.
Cabe discorrer um pouco mais sobre a atuação de Kathy Bates; com uma composição soberba, ela conseguiu entregar um desempenho magistral, com todas as nuances de uma personagem que poderia descambar para a caricatura, frente à amplitude emocional exigida, já que a enfermeira vai da candura à fúria agressiva (claro que essa transformação é sutil e gradual, cabendo ao espectador perceber os sinais que a artista passa). E a atriz realizou sua tarefa muito bem, deixando a fã muito assustadora pelo senso de realidade impresso na película; Anne Wilkes poderia ser sua vizinha, amigo leitor.
O restante do elenco segue em um nível compatível com o do par central, destacando-se os veteranos Richard Farnsworth como o xerife rabugento da cidadezinha e Lauren Bacall como a editora; e a parte técnica é impecável, com uma bela fotografia de inverno realizada por Barry Sonnenfeld e uma edição nervosa de Robert Leighton. Não deixem de ver.

Elenco: James Caan (Paul Sheldon), Kathy Bates (Annie Wilkes), Richard Farnsworth (Xerife John T. “Buster” McCain), Frances Sternhagen (Virginia McCain), Lauren Bacall (Marcia Sindell), Graham Jarvis (Libby), Jerry Potter (Pete), Thomas Brunelle (Apresentador do telejornal), June Christopher (Apresentadora do telejornal), Julie Payne (Repórter 1), Archie Hahn III (Repórter 2), Gregory Snegoff (Repórter 3), Wendy Bowers (Garçonete), Rob Reiner (Piloto de Helicóptero) e J. T. Walsh (Policial Estadual Sherman Douglas).

Diretor: Rob Reiner; Roteiro: William Goldman, baseado no livro “Misery”, de Stephen King; Produção: Rob Reiner e Andrew Scheinman; Co-produção: Steve Nicolaides e Jeffrey Stott; Trilha Sonora Original: Marc Shaiman; Direção de Fotografia: Barry Sonnenfeld; Edição: Robert Leighton; Elenco: Janet Hirshenson, Jane Jenkins e Sally Lear; Design de Produção: Norman Garwood; Direção de Arte: Mark W. Mansbridge; Cenários: Garrett Lewis; Figurinos: Gloria Gresham; Maquiagem: John M. Elliott Jr. e Margaret E. Elliott; Som: Charles L. Campbell e Donald J. Malouf; Efeitos Especiais: Phil Cory, Hans Metz e Paul Mejias.

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