domingo, novembro 27, 2005

Série Stephen King 2 / A Maldição

A Maldição (Stephen King´s Thinner; Thinner, EUA, 1996)

Boa adaptação de livro de Stephen King, escrito sob o pseudônimo de Richard Bachman; King, por certo tempo, manteve duas carreiras literárias em paralelo, quando começou a fazer sucesso. Como Bachman, escreveu histórias mais realistas e cruas, sempre com um toque sobrenatural, porém com mais ênfase na retratação de um mundo mais violento e cotidiano; são de Bachman, por exemplo, a história do filme “O Sobrevivente” com Arnold Schwarzenegger.
Aqui, somos apresentados a Billy Halleck (Robert Burke), um gordo (com uma ótima maquiagem) e indolente advogado de cidade pequena que começa a fazer sucesso na profissão, sempre prometendo que vai fazer dieta e emagrecer. Um dia, voltando em seu automóvel de um jantar no country club da cidade, sua esposa Heidi (Lucinda Jenney), resolve, repentinamente, agraciar o esposo com um, bem, um “boquete” na estrada. Momentaneamente distraído, Halleck atropela e mata uma senhora idosa (Irma St. Paule), que faz parte de um grupo de ciganos que acabou de chegar à cidade. Com uma ajudazinha do juiz Rossington (John Horton) e do xerife Hopley (Daniel von Bargen), interessados em expulsar os “indesejáveis” ciganos da cidade, Billy sai livre, sem qualquer punição.
O pai (!?!) da vítima, Taduz Lempke (Michael Constantine), inconformado, espera a saída de Billy do tribunal e o amaldiçoa, tocando seu rosto e dizendo “Magro”. Cético, Halleck pensa que tudo não passa de superstição e pára de pensar naquilo. Porém, começa a perder peso constantemente, por mais que coma e descobre que o juiz e o xerife sofrem com misteriosas doenças, incuráveis e que ninguém consegue descobrir de onde vieram. Assustado e crente que foi realmente amaldiçoado, Billy começa a rastrear o velho feiticeiro para que este retire a maldição, pois, em seu ver, não teve culpa do ocorrido, apesar dos constantes apelos de sua esposa e do seu médico Mike Houston (Sam Freed) para que vá se tratar em uma clínica.
Finalmente, Halleck encontra e enfrenta o ancião, que ri na sua cara e diz que jamais retirará a maldição. Muito fraco e ferido, Billy apela para o único amigo que lhe resta, um cliente chamado Richie Martelo Ginelli (Joe Mantegna, ótimo), um gângster que Billy livrou da cadeia recentemente. Juntos, vão tentar convencer o velho cigano de que seria melhor para a saúde de todos se a maldição fosse retirada.
Um roteiro fiel ao livro, bem enxuto, sem enrolar muito para desenvolver sua história, apoiado em sua missão por ótimos efeitos de maquiagem (a gordura de Halleck e o desenvolvimento da maldição são impressionantes) e direção segura de Holland (“A Hora do Espanto”), voltando à velha forma. O elenco está muito bem, com destaque para Mantegna, cheio de ironia e muito à vontade como Ginelli e Robert Burke, que passa com competência toda a angústia do personagem, ao ver-se apagado quilo a quilo e os conflitos internos sobre o que aconteceu, com bastante expressividade. Um final surpreendente e sem concessões coloca a cereja no bolo, terminando satisfatoriamente a trama.
Não deixe de ver. É raro assistir uma adaptação de King que não passa vergonha diante da fonte de inspiração...

Elenco: Robert Burke (William “Billy” Halleck), Joe Mantegna (Richard “Richie Martelo” Ginelli), Lucinda Jenney (Heidi Halleck), Michael Constantine (Taduz Lempke), Kari Wuhrer (Gina Lempke), Daniel Von Bargen (Xerife Duncan Hopley), John Horton (Juiz Cary Rossington), Sam Freed (Dr. Mike Houston), Bethany Joy Lenz (Linda Halleck), Elizabeth Franz (Leda Rossington), Peter Maloney (Biff Quigley), Sean Hewitt (“Dr.” Fander), Terence Kava (Gabe Lempke), Antonette Schwartzberg (Mama Ginelli), Josh Holland (Frank Spurton), Irma St. Paule (Suzanne Lempke), Stephen King (Dr. Bangor), Josh Lucas (Enfermeiro).

Direção: Tom Holland; Roteiro: Michael McDowell e Tom Holland, baseado no livro “A Maldição do Cigano”, de Stephen King (como Richard Bachman); Produção: Mitchell Galin e Richard P. Rubinstein; Produtores Associados: Randy Jurgensen e A. Welch Lambeth; Produção Executiva: Stephen F. Kesten; Trilha Sonora: Daniel Licht; Diretor de Fotografia: Kees Van Oostrum; Edição: Marc Laub; Elenco: Leonardo Finger; Design de Produção: Laurence Bennett; Direção de Arte: Chuck Parker; Figurinos: Ha Nguyen; Maquiagem: Neal Martz; Efeitos de Maquiagem: Vincent J. Guastini, Greg Cannom, Miles Teves e Scott Oshita; Som: Richard King; Efeitos Especiais: Roland Brancaflor e Ken Estes; Efeitos Visuais: Jaison Stritch.

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