quarta-feira, novembro 23, 2005

Se7en

Se7en (Se7en, EUA, 1995)

Um dos três melhores filmes de serial killer de todos os tempos, “Se7en” foi uma surpresa no mercado cinematográfico; até então, o diretor Fincher havia feito apenas o irregular “Alien³” e alguns clipes da Madonna e foi o primeiro roteiro filmado de Andrew Kevin Walker. No elenco, Brad Pitt, no auge da histeria adolescente após “Lendas da Paixão” não inspirava confiança para a maioria dos fãs de cinema, que ainda o consideravam apenas mais um rostinho bonito; tudo levava a crer que ia ser um sub-“Máquina Mortífera”.
Só que aí aconteceu uma sucessão de eventos que mudaram as coisas. Pitt ganhou um Globo de Ouro pelo papel do alucinado de “Os 12 Macacos”, o sigilo total que cercou a produção espicaçava a curiosidade do público. Quando foi lançado, caiu como uma bomba no bem-comportado e pudico público americano, causando uma comoção parecida com o que ocorreu com “O Exorcista”, com gente passando mal na projeção e saindo antes do final.
Somerset (Morgan Freeman) é um desesperançado e cínico detetive veterano, prestes a se aposentar. Ao receber um chamado, descobre um cadáver que aparentemente morreu de tanto comer, obrigado por alguém a devorar quilos e quilos de espaguete. Para cuidar do bizarro assassinato, ele recebe a companhia do jovem e impetuoso Detetive Mills (Brad Pitt), que será seu substituto. Os dois começam a investigar, se desentendendo no meio do caminho, até que outra vítima aparece, e que foi forçada a cortar um pedaço do próprio corpo. Junto do cadáver, escrito com sangue, estava a palavra “Ganância” (Greed, em inglês). Assim, Somerset volta a atuar com Mills, desconfiando estarem às voltas com algum maníaco agindo movido pelos sete pecados capitais e que possui uma alta inteligência e capacidade de organização. Após tentarem inutilmente prender o assassino antes que ele preencha a cota toda, ele se entrega depois da quinta morte (Vaidade), dizendo se chamar John Doe (Kevin Spacey) e alegando ter outras duas vítimas em lugar desconhecido de todos que ele somente mostrará aos dois detetives. Mas, as reais intenções do assassino ainda permanecem ocultas; será que existem mesmo mais vítimas? Ou é parte do plano de John Doe que os dois o acompanhem?
Um clima extremamente sombrio e opressivo permeia toda a trama, auxiliada pela música do competente Howard Shore e a fotografia escura e suja, onde a chuva é constante e o sol nunca aparece. Tecnicamente muito bom, com ótimos efeitos de maquiagem de Rob Bottin (criador do Robocop), tudo na medida certa. Mas o grande mérito do filme reside na direção segura de Fincher e na qualidade do roteiro de Walker, que não faz concessões a finais felizes e permite total envolvimento do espectador no desenrolar do enredo. Cada detalhe conta para tentar descobrir qual o plano real do assassino Doe, somos convidados a sermos os detetives, que nos representam na tela.
Não vou contar mais nada para não estragar a experiência, mas garanto que o final é surpreendente.
Assistam e depois comentem comigo, ok?

Elenco: Brad Pitt (Detettive David Mills), Morgan Freeman (Detetive-Tenente William Somerset), Kevin Spacey (John Doe), Gwyneth Paltrow (Tracy Mills), R. Lee Ermey (Capitão), Richard Roundtree (Promotor de Justiça), Bob Mack (Vítima da Gula), Gene Borkan (Eli Gould – pecado da Ganância), Michael Reid McKay (Victor – pecado da Preguiça), Cat Mueller (Prostituta – pecado da Luxúria), Leland Orser (Homem perturbado na casa de massagem), Heidi Schanz (Modelo – pecado da Vaidade), Richard Schiff (Mark Swarr – advogado de John Doe).

Diretor: David Fincher; Roteiro: Andrew Kevin Walker; Produção: Phyllis Carlyle e Arnold Kopelson; Co-produção: Sanford Panitch, Nana Greenwald e William C. Gerrity; Produtor Associado: Michele Platt; Produção Executiva: Dan Kolsrud, Anne Kopelson e Gianni Nunnari; Co-produção Executiva: Lynn Harris e Richard Saperstein; Trilha Sonora: Howard Shore, com canções originais de David Bowie, Brian Eno e Trent Reznor; Direção de Fotografia: Darius Khondji e Harris Savides; Edição; Richard Francis-Bruce; Elenco: Kerry Barden, Billy Hopkins e Suzanne Smith; Design de Produção: Arthur Max; Direção de Arte: Gary Wissner; Cenários: Clay A. Griffith; Figurinos: Michael Kaplan; Maquiagem: Jean Ann Black e Michael White; Efeitos de Maquiagem: Rob Bottin; Som: Patrick Dodd; Efeitos Sonoros: Ren Klyce; Efeitos Especiais: Danny Cangemi e Peter Albiez; Efeitos Visuais: Greg Kimble e Tim Thompson.

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