quarta-feira, novembro 23, 2005

O Enigma do Horizonte

O Enigma do Horizonte (Event Horizon, EUA, 1997)
Apesar do título em português um tanto idiota (me expliquem, por favor, onde é que se tem horizonte no espaço sideral!), o filme é um bom exemplar da tradição terror-fic – mistura de filme de terror com ficção científica - inaugurada, modernamente, por “Alien – o 8º Passageiro”, onde o visual exuberante é aliado com uma história forte e momentos de tensão bem dosados. Em que pesem as boas intenções, óbvias, do diretor e roteirista Paul W. Anderson (de “Mortal Kombat”, “Resident Evil” e “Aliens vs. Predador”), aqui só dirigindo, de montar um espetáculo digno da tradição citada no parágrafo acima, infelizmente o nosso objeto de análise fica um pouco aquém do que poderia ter sido realizado, embora o filme esteja acima da média e mereça ser conhecido pelo apreciador de cinema fantástico.
A trama é a seguinte: uma espaçonave de resgate, a Lewis&Clark, de responsabilidade do capitão Miller (Laurence Fishburne), recebe uma missão imediatamente após o retorno de uma tarefa complicada, para desgosto da tripulação que contava com um descanso, de ir ao encontro da espaçonave de exploração profunda Event Horizon, misteriosamente ressurgida na órbita de Netuno após um desaparecimento de sete anos, cujo retorno foi percebido após receberem uma transmissão que lembrava uma voz humana. Junto com eles, vai o Dr. Weir (Sam Neill) inventor de um revolucionário sistema de propulsão gravitacional que estava sendo testado pela primeira vez na nave reaparecida, inspirado nos buracos negros (inclusive, o nome da nave saiu da zona fronteiriça desses fenômenos naturais, que é a responsável pelo empuxo gravitacional extremo do qual nem mesmo a luz escapa). Chegando próximos da nave, depois de uma viagem de 53 dias em animação suspensa (onde a semelhança com a série Alien fica ainda mais pronunciada, pelo visual interno e externo da Lewis&Clark e da Event Horizon), a equipe de resgate percebe fatos estranhos ocorrendo e descobre o que aconteceu com a tripulação da Event Horizon, a qual parece em perfeito estado.
A partir daí, os membros da tripulação de resgate vão sendo dizimados um a um por alguma força misteriosa. Onde a Event Horizon esteve? O que voltou com ela?
A narrativa convencional e sem maiores atrativos, com a pirotecnia habitual de explosões e edição de vídeo clipe prejudica o desenvolvimento das boas idéias do roteiro, que mesmo não sendo tão originais (já foram melhor mostradas em “O Buraco Negro”, da Disney e “Solaris”, além do próprio “Alien”) prendem a atenção e fazem com que queiramos saber mais sobre os fatos, sem que sejam entregues devidamente, ficando algumas coisas no ar.
O diferencial fica na violência estilizada do filme, onde galões de sangue jorram e com várias cenas fortes (o diretor teve que suavizar o conteúdo para poder receber uma censura mais palatável ao público adolescente; só fico imaginando o que ficou na sala de edição...), o que contribui para deixar a gente querendo ir até o fim. O visual é muito bem construído, com a nave ressurgida parecendo com uma igreja medieval, por dentro, ajudando no clima de medo, com boa direção de arte, fotografia sombria e efeitos de maquiagem bem grotescos. A sala do reator gravitacional e o próprio reator são bem legais.
O elenco está homogêneo, sem ninguém merecendo um destaque maior, com Laurence Fishburne numa apatia terrível, antes do sucesso de “Matrix” e Sam Neill desinteressado do papel, infelizmente, quebrando um pouco aquela identificação necessária para ficar assustado mesmo com o que acontece na tela, pois o segredo do filme de terror, para mim, é você se importar com os personagens, achar que se acontecesse com você, sua reação seria parecida, coisa e tal.
Em resumo, dá para perder duas horas sem ficar com raiva depois, o que já é mais do que se pode dizer de 70% dos filmes do gênero.
Elenco: Capitão Miller (Laurence Fishburne), Dr. William Weir (Sam Neill), Dra. Peters (Kathleen Quinlan), Tenente Starck (Joely Richardson), Cooper (Richard T. Jones), Justin (Jack Noseworthy), DJ (Jason Isaacs), Smith (Sean Pertwee), Capitão John Kilpatrick (Peter Marinker), Claire (Holley Chant), Edward Corrick (Noah Huntley).
Diretor: Paul W. Anderson; Roteiro: Phillip Eisner; Produção: Lawrence Gordon, Lloyd Levin e Jeremy Bolt; Produção Executiva: Nick Gillott; Trilha Sonora: Michael Kamen, com canções de Orbital e Liam Howlett (do Prodigy); Fotografia: Adrian Biddle; Elenco: Alex Rosenberg, Deborah Aquila (EUA), John e Ros Hubbard (ING); Edição: Martin Hunter; Design de Produção: Joseph Bennett; Cenários: Crispian Sallis; Figurinos: John Mollo; Direção de Arte: David Allday, Phillip Elton, Mark Harris, Michael Lamont, Simon Lamont, Giles Masters e Tony Reading; Maquiagem: Pauline Heys, Waldo Mason, Kate Murray, Matthew Smith e Duncan Jarman; Efeitos Especiais: John Yuricich; Som: Ross Adams, Paul Conway e Campbell Askew.

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