quarta-feira, novembro 23, 2005

A Morte do Demônio

A Morte do Demônio (The Book of the Dead; Into the Woods; Sam Raimi´s The Evil Dead; Evil Dead: The Ultimate Experience of Grueling Horror, EUA, 1981)
Um dos maiores clássicos do cinema de horror do século XX, este filme semi-amador é uma experiência de peso. O diretor, Sam Raimi, recém-saído da escola de cinema, juntou uns amigos para fazer um filme de terror, com baixíssimo orçamento e que arrebentou nos festivais de cinema, o que acabou tornando seu nome conhecido em todo o mundo. Hoje, ele é o diretor da franquia “Homem-Aranha”.
Na história, cinco amigos viajam de carro pelo interior, em direção de uma cabana nas montanhas para passar um feriado. Após passarem por algumas peripécias, eles chegam na cabana, isolada do mundo. Explorando o que tem dentro da casa, Scotty (Hal Delrich) descobre um gravador e um estranho livro. Ao levarem o gravador e o livro para a sala e tocarem a fita, descobrem que o livro é o chamado Livro dos Mortos e que a leitura de suas passagens pode despertar antigas forças demoníacas, que possuem os vivos. Por distração, as passagens do livro que foram gravadas são escutadas, liberando os demônios. A partir daí, é uma luta pela sobrevivência onde um a um os amigos vão sendo possuídos pela força maléfica liberada pelo livro, que inclusive domina a própria floresta.
A produção é bem tosca, porém muito criativa. Os movimentos de câmera foram criados e patenteados pelo próprio diretor; o que hoje é realizado por computador, como travellings super-rápidos e câmera subjetiva em perseguição, foi feito na marra pelos componentes da produção, o que torna o ato de assistir o filme muito prazeroso. Só de imaginar os caras correndo e empurrando carrinhos com a câmera no meio do mato... Além disso, a falta de grana não impediu que o filme tivesse efeitos especiais impressionantes, feitos com maquetes, massinha e até creme de milho colorido (as entranhas dos possuídos ao serem perfurados)!
As atuações não são das melhores, claro, mas cumprem seu papel, com a honrosa exceção de Bruce Campbell; amigo do diretor desde o colegial, quando fizeram vários curtas em super-8 juntos, o ator acabou ficando marcado por este personagem para sempre. Seu Ash tornou-se o primeiro herói do terror, com um estilo meio panaca, mas destemido e determinado.
Contudo, não se pode pensar que este filme não assusta, pela suposta precariedade; justamente por esse estilo de filmagem quase que documental com a câmera na mão praticamente o tempo todo, a história assusta e muito, amparada pelos efeitos especiais e a ambientação realística (a cabana não foi construída para o filme; existia mesmo, tendo sofrido um incêndio há alguns anos atrás), com muita tensão, o que acaba gerando um humor involuntário (um riso nervoso), e sustos legítimos. A cena de Cheryl na floresta é um bom exemplo.
O filme não é facilmente apreciado pelo espectador comum, que não gosta de terror, mas os fãs irão simplesmente adorar. Gerou duas seqüências (mais escrachadas e debochadas, onde o humor involuntário foi assumido como objetivo, sem perder a nojeira e o sangue espirrando) e uma refilmagem está a caminho para o ano que vem.
Elenco: Bruce Campbell (Ashley “Ash” J. Williams), Ellen Sandweiss (Cheryl) Hal Delrich (Scotty), Betsy Baker (Linda Williams), Sarah York (Shelly), Bob Dorian (Voz do professor no gravador), Sam Raimi (Voz da Força Demoníaca e pescador na Estrada) e Robert G. Tapert (habitante local). Obs: Um número grande de pessoas ajudou na realização do filme funcionando como figurantes e como corpos maquiados; acima, estão relacionados, somente, o elenco principal e os que têm uma participação mais relevante para a trama.
Diretor: Sam Raimi; Roteiro: Sam Raimi; Produção: Robert G. Tapert e Gary Holt; Produção Executiva: Bruce Campbell, Sam Raimi e Robert G. Tapert; Trilha Sonora Original: Joseph LoDuca; Diretor de Fotografia: Tim Philo; Edição: Edna Ruth Paul; Direção de Arte: Steve Frankel; Maquiagem: Tom Sullivan; Efeitos Especiais: Bart Pierce e Sam Raimi; Som: Joe Masefield, John Mason e Lou Kleinman.

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