quarta-feira, novembro 23, 2005

Hellraiser - Renascido do Inferno


Hellraiser - Renascido do Inferno (Hellraiser; Evilraiser, ING, 1987)

Metade da década de 80. Um período que ficou marcado pelo "renascimento" dos filmes de horror nas bilheterias, com o lançamento de "A Hora do Pesadelo", "A Hora do Espanto" e "O Retorno dos Mortos-Vivos", entre outros, que resgataram os espectadores. Mas a maioria dos filmes do gênero lançados na época focava como seu público alvo os adolescentes e jovens de menos de 25 anos, que então eram descobertos como um mercado consumidor cinematográfico de imensas proporções.
E assim os filmes de terror tiveram uma queda de qualidade em desfavor do entretenimento, tornando-se humorísticos e entregues à auto-paródia, além de apresentarem estrutura linear e histórias rasas e sem conteúdo, buscando sempre o susto fácil e a sanguinolência explícita, muitas vezes sem sentido. Até que, em 1987, um obscuro escritor de terror e suspense inglês, chamado Clive Barker, lança um dos melhores filmes do gênero de todos os tempos: "Hellraiser", baseado em seu próprio livro "The Hell-Bound Heart".
Passado em um subúrbio nos arredores de uma cidade não identificada, possivelmente, Nova York, encontramos Larry Cotton (Andrew Robinson) e sua esposa, Julia (Clare Higgins), que estão de mudança para uma casa pertencente à família de Larry, vazia há tempos. Dentro da casa, percebem que a residência havia sido utilizada pelo irmão de Larry, Frank (Sean Chapman), recentemente. Julia relembra o tórrido encontro sexual tido com Frank e a paixão que ainda sente por ele.
O que Julia não sabe é que Frank, um pervertido sexual, se envolveu com um misterioso quebra-cabeças, a Configuração dos Lamentos. A caixa tem a capacidade de, ao ser solucionada, convocar seres chamados Cenobitas, mestres do prazer e da dor, vindos de um universo paralelo. E que Frank encontrou a morte nas mãos deles. Quando um acidente faz com que Larry derrame sangue no chão do sótão da casa, seu irmão renasce, fugindo dos Cenobitas e pede para que Julia o ajude a recuperar seu corpo trazendo pessoas para que ele possa utilizar o sangue e se recompor inteiramente. Ainda apaixonada, Julia concorda e começa a seduzir homens para levar até Frank.
Nesse ínterim, a filha do primeiro casamento de Larry, Kirsty (Ashley Laurence, em seu filme de estréia) desconfiada do comportamento estranho da madrasta, pela qual não nutre os melhores sentimentos, descobre tudo. Depois de um enfrentamento, ela consegue fugir de Frank e Julia levando a caixa. Ferida, ela acorda em um hospital e, fascinada pelo quebra-cabeças, abre as portas do universo dos Cenobitas. Desesperada, pois os demônios (ou anjos?) querem tomá-la, ela oferece uma barganha: a chance deles pegarem Frank em troca de sua alma. O líder do grupo, Pinhead (Doug Bradley), aceita a proposta e tudo caminha para um clímax apocalíptico, para onde convergirão os personagens e tudo pode acontecer.
Um dos poucos filmes sérios do período, é uma experiência sensorial muito bem orquestrada por Barker, em seu filme de estréia como diretor, e que abocanhou vários prêmios ao redor do mundo, inclusive os do Festival de Avoriaz e Stiges, especializados em filmes fantásticos.Um dos aspectos que mais me chama a atenção é a amoralidade do par central de personagens, Julia e Frank, para os quais nada é errado e tudo é permitido, uma amoralidade que é refletida pelos Cenobitas. Além disso, a combinação sexo-sangue ganha novos matizes e frescor nas mãos de Barker, que não permitiu nenhuma amarra à sua imaginação. Os Cenobitas são claramente inspirados em sadomasoquistas, tanto nos figurinos quanto na caracterização, sendo o líder Pinhead o mais grotesco de todos, com a sua cabeça e face cobertas de pregos fincados.
No que diz respeito aos aspectos técnicos, tudo está muito bem-feito: fotografia e cenografia adequadas - cheias de sujeira, envelhecidas e opressivas - e maquiagem e efeitos especiais na medida certa - a caracterização dos Cenobitas é fascinante - ajudando a formar um cenário angustiante.Polêmico e assustador, gerou seis sequências, progressivamente piores. Quem aprecia o gênero não pode deixar de conhecer.

Elenco: Andrew Robinson (Larry Cotton), Claire Higgins (Julia Cotton), Ashley Laurence (Kirsty Cotton), Sean Chapman (Frank Cotton), Oliver Smith (Frank Renascido), Robert Hines (Steve), Doug Bradley (Pinhead), Nicholas Vince (Chatterer), Simon Bamford (Butterball), Grace Kirby (Cenobita Feminina), Dave Atkins (Trabalhador de Mudança 1) e Oliver Parker (Trabalhador de Mudança 2).

Diretor: Clive Barker; Roteiro: Clive Barker, baseado no livro de sua autoria, “The Hellbound Heart”; Produção: Christopher Figg e Selwyn Roberts; Produção Executiva: Mark Armstrong, David Saunders e Christopher Webster; Trilha Sonora: Christopher Young; Diretor de Fotografia: Robin Vidgeon; Edição: Richard Marden; Elenco: Sheila Trezise; Design de Produção: Michael Buchanan; Direção de Arte: Jocelyn James; Figurino: Joanna Johnston; Maquiagem: Bob Keen e Geoff Portass; Som: John Ireland; Efeitos Especiais: Cliff Wallace e Peter Watson.

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