quarta-feira, novembro 23, 2005

Asilo Sinistro

Asilo Sinistro (Asylum; House of Crazies, ING, 1972)
Bom filme da safra de produções inglesas de terror das décadas de 60 e 70, onde o mercado era dominado pelas produtoras Hammer Films e Amicus. Este aqui é da segunda produtora, considerada a "prima pobre" pela maior precariedade de efeitos especiais e produção, porém da mesma qualidade de roteiro e elenco da mais famosa, que era a dona da franquia "Drácula", com Christopher Lee.
A película utiliza a estrutura narrativa de episódios, amarrados por uma trama central; formato extremamente popular na TV, com as antológicas séries de Rod Serling ("Além da Imaginação", "A 5ª Dimensão") e Alfred Hitchcock ("Alfred Hitchcock Presents") entre outras. No cinema, esse tipo de narrativa nunca teve o mesmo sucesso, apesar de algumas pérolas existirem, como o antológico "No Cair da Noite", dirigido pelo brasileiro Roberto Cavalcanti na década de 40 e "Creepshow", de George A. Romero e Stephen King.
O roteiro do filme é de Robert Bloch, famoso escritor de suspense e que colaborou com o mestre Hitchcock no filme "Psicose", adaptado por ele mesmo de um livro seu de 1951. Bloch tinha uma grata tendência a não maquiar os estados de espírito de seus personagens, o que, obviamente, rendia toneladas de polêmica com os falsos moralistas americanos, que estavam preparando a perseguição macarthista, nódoa da livre expressão do pensamento que tirou o emprego de muita gente boa no cinema e nas artes em geral. Um grande exemplo é o "banimento" de Dalton Trumbo, roteirista do filmaço "Spartacus", que só saiu do chão porque o obsessivo e poderoso Stanley Kubrick bancou. Mas isso é tema para outros textos...
Bem, vamos ao nosso filme, certo? Um jovem psiquiatra (Robert Powell) é convidado para trabalhar na clínica Dundmoor. Ao chegar lá, é recebido pelo Dr. Rutherford (Patrick Magee) que propõe um teste para as habilidades médicas do recém-chegado: ele deve descobrir, apenas com entrevistas, quem dentre quatro pacientes é o (a) Dr.(a.) Starr, ex-dono(a) da instituição e que enlouqueceu misteriosamente.
Essa então é a desculpa para sermos apresentados a vários personagens e os motivos pelos quais estão internados no Dundmoor Asylum.
O primeiro segmento é a história de uma mulher (Barbara Parkins), amante de um homem casado e de caráter fraco, cuja esposa rica o tiranizava. Em conluio, eles decidem assassiná-la, esquartejá-la e guardá-la no freezer. Só que a megera não queria permanecer morta...Bom clima de suspense, e efeitos especiais razoáveis, mantendo o interesse até o final surpresa.
O segundo é a história de um velho alfaiate em dificuldades financeiras que recebe a visita, durante a madrugada, de um senhor (Peter Cushing), que lhe pede a feitura de um terno. Só que o tecido seria fornecido por ele e somente poderia ser trabalhado em determinadas condições, as quais são aceitas. Quando vai entregar o terno, o velho descobre a terrível finalidade da vestimenta...O mais fraquinho, porém vale pela presença sempre hipnótica de Sir Peter Cushing, o mais famoso Van Helsing do cinema.
O terceiro é a história de uma moça, que sofre a influência de uma amiga doidivanas, Lucy (Britt Ekland) e nunca se lembra do que aconteceu, apesar de haver um hábito incômodo de aparecerem cadáveres...Mais psicológico, é um bom duelo de atrizes e o final, apesar de óbvio, é coerente.
O último é onde Powell tem que entrevistar um cientista que acredita poder transferir sua consciência para pequenos autômatos com partes humanas dentro (partes do cérebro, órgãos, etc) visando a fuga e poder recuperar o prestígio...Os robozinhos são ridículos, mas esse é o mais legal de todos.
Depois de passar por tudo isso, o Dr. Powell finalmente descobre quem é o diretor anterior da instituição. E, amigos e amigas, eu nem imaginava quem era! Encerra com um final surpresa, antes mesmo de "Carrie" lançar a moda de susto no fim.
É um filme bem interessante, apesar de datado (o visual é gritantemente anos 70, chegando a ser cômico e estragando um pouco da experiência) e garante uma boa sessão da tarde.
Elenco: Peter Cushing (Smith), Robert Powell (Dr. Martin), Patrick Magee (Dr. Rutherford), Herbert Lom (Dr. Byron), Charlotte Rampling (Barbara), Britt Ekland (Lucy), Barry Morse (Bruno), Barbara Parkins (Bonnie), Sylvia Sims (Ruth), Richard Todd (Walter), James Villiers (George), Geoffrey Bayldon (Max Reynolds), Anne Firbank (Anna), Megs Jenkins (Miss Higgins), John-Franklin Robbins (Stebbins), Daniel Jones (Boneco), Sylvia Marriot (Enfermeira-chefe), Tony Wall (Interno) e Frank Forsyth (Zelador do Asilo).
Diretor: Roy Ward Baker; Roteiro: Robert Bloch; Produção: Max Rosenberg e Milton Subotsky; Produção Executiva: Gustave M. Berne; Trilha Original: Douglas Gamley, com músicas de Modest Mussorgsky; Direção de Fotografia: Denys N. Coop; Edição: Peter Tanner; Elenco: Ronnie Curtis; Direção de Arte: Tony Curtis; Cenários: Fred Carter; Maquiagem: Roy Ashton; Figurino: Bridget Sellers; Som: Norman Bolland e Clive Smith.

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